terça-feira, julho 08, 2008

Soneto imperfeito da caminhada perfeita

Recordando as palavras de Sidónio Muralha. Tão vivas e necessárias como nos anos quarenta...

Já não há mordaças, nem ameaças, nem algemas,
que possam perturbar a nossa caminhada,
em que os poetas são os próprios versos dos poemas
e onde cada poema é uma bandeira desfraldada.

Ninguém fala em parar ou regressar
Ninguém teme as mordaças ou algemas
-- o braço que bater há-de cansar
e os Poetas são os próprios versos dos poemas.

Versos brandos... Ninguém mos peça agora.
-- Eu já não me pertenço: sou da Hora.
E não há mordaças, nem ameaças, nem algemas,

que possam perturbar a nossa caminhada
onde cada poema é uma bandeira desfraldada
e os poetas são os próprios versos dos poemas
.

(Sidónio Muralha, in Passagem de Nível, Coimbra, «Novo Cancioneiro», 1942, pp.22-23)

2 comentários:

antónio m p disse...

Sidónio Muralha ou Joaquim Namorado? Ai, ai.

Do Namorado recordo «Port Wine»: "O rio Douro é um rio de sangue por onde o sangue do meu povo corre. Meu povo, liberta-te. Ou morre!"

Anónimo disse...

Quem te manda a ti, sapateiro, tocar rabecão?