sexta-feira, maio 30, 2008

Cartas a uma Ditadura

Se ainda não viu ... Não Perca !
"Documentário de Inês Medeiros que revisita a memória dos anos do salazarismo através do olhar e testemunho de várias mulheres, de diversos extractos sociais, que, em 1958, foram convidadas a manifestar o seu apoio a Salazar, em cartas laudatórias (...) aquando da campanha do General Humberto Delgado. Desde as mais fervorosas defensoras do ditador até às mais comedidas ou simples, em quem a propaganda surtia outro tipo de efeito, "Cartas a uma Ditadura" desmonta o regime e as suas estratégias de perpetuação."
Cinema Londres
Sessões: 14h15, 16h, 18h, 20h, 22h, 00h15

quinta-feira, maio 29, 2008

Quem se lembra do poeta?

Pedro Oom (1926-1974)
Foi pintor e poeta neo-realista, ligou-se depois aos surrealistas Cesariny, Mário Henrique Leiria e António Maria Lisboa.
A sua obra ficou dispersa, sendo reunida postumamente em livro. Morreu em Lisboa, em Abril de 1974. De emoção.


Pode-se escrever
Pode-se escrever sem ortografia
Pode-se escrever sem sintaxe
Pode-se escrever sem português
Pode-se escrever numa língua sem saber essa língua
Pode-se escrever sem saber escrever
Pode-se pegar na caneta sem haver escrita
Pode-se pegar na escrita sem haver caneta
Pode-se pegar na caneta sem haver caneta
Pode-se escrever sem caneta
Pode-se sem caneta escrever caneta
Pode-se sem escrever escrever plume
Pode-se escrever sem escrever
Pode-se escrever sem sabermos nada
Pode-se escrever nada sem sabermos
Pode-se escrever sabermos sem nada
Pode-se escrever nada
Pode-se escrever com nada
Pode-se escrever sem nada
Pode-se não escrever
Pedro Oom
Actuação Escrita
Lisboa, & Etc., 1980

assunto encerrado

Recebi ontem um telefonema muito correcto da parte do provedor da sonae, a quem apresentara queixa da Clix. Hoje escreveram. Lamentam. Apresentam desculpas. Facilitam a cedência da linha à nova operadora. Não vou pagar nada.
Gostei da atitude. Da frontalidade da resposta. Aqui fica o aviso: dirijam-se ao provedor sempre que vos acontecerem fenomenos idênticos. Eu só lamento não o ter feito mais cedo. Teria evitado um mês de conflitos e arrelias com os inevitáveis transtornos para a minha vida pessoal e profissional. Mas a verdade é que também não estava informada. Devo essa dica a minha amiga Tereza Afonso. Obrigada, amiga!

quarta-feira, maio 28, 2008

Centenário de Ian Fleming - Hoje no Estoril

Ian Fleming nasceu há 100 anos.
O acontecimento vai ser comemorado hoje, dia 28 de Maio, pelas 21 horas, no Estoril, no Espaço Memória dos Exílios (Marginal - 1º andar da antiga Estação dos CTT), com uma conferência sobre a vida e a obra do criador de James Bond, o mítico Agente 007, proferida por José António Barreiros, que também está a ultimar um livro sobre o mesmo assunto, a sair muito em breve.

terça-feira, maio 27, 2008

Ainda a mudança de operadora

A questão da mudança de operadora adsl ainda não terminou e quase roça a rasqueirice.
Faz amanhã um mês que a Clix me deixou silenciada à força. Dia 12 desisti. Desde o dia 14 tenho net e telefone de outra operadora.
Pois há dias recebi uma carta atenciosissima da Clix dando-me as boas-vindas e informando que desde o dia 16 sou sua cliente, com todos os direitos e deveres. Imagino que isto queira dizer que estão a facturar-me.
E hoje, dia 27, via ctt, chegou o kit com o modem para a linha adsl!
Um mês depois de me terem desviado a linha e deixado muda...
Foi comigo. De contrário teria dificuldade em acreditar.

violência doméstica é crime

Passam hoje oito anos que a Lei consagrou a violência doméstica como um crime público. E eu quero lembrar aqui, a minha mãe - Maria Helena Coutinho -, vítima paradigmática da mais atroz violência, numa curtíssima vida.
  • Nasceu de uma mãe-criança e foi estigmatizada por um "pai incógnito".
  • Casou por obrigação porque "eu" vinha a caminho.
  • Sofreu violências físicas e psicológicas de um marido que não quis.
  • Morreu de um aborto clandestino.
Foi no dia 1 de Maio de 1952. Em Caldas da Rainha. Tinha 24 anos. Deixou três crianças, a mais velha com 4 anos, eu.
Jurei que a minha vida seria diferente. Que lutaria por ela e por todas as Mulheres que, como ela, foram imoladas neste longo caminho pela emancipação e instauração dos Direitos Humanos. Por todas as Mulheres que, com a aprovação da Lei da Violência Doméstica e, depois, com a Lei do Aborto começaram, finalmente, a ser justiçadas no nosso país.
Através da minha mãe aqui fica a minha homenagem às "Mulheres do Meu País" (como diria Maria Lamas) num momento em que se prepara um Congresso Feminista, 80 anos depois do primeiro, organizado em 1928 pelas corajosas Mulheres da I República.

domingo, maio 25, 2008

Resgatar a Memória

Há tempos numa palestra ouvi que os astros influenciam a nossa vida e muitos dos nossos empreendimentos estão potenciados desde que nascemos. Alguns seres transportam mesmo uma espécie de missão para a qual frequentemente se sentem compelidos e que abraçam ou não. Sinto-me tentada a acreditar.
O meu amigo João Manuel Firmino lançou agora O Crime dos Velhos da Camarra, onde resgata a memória do bisavô, João Baptista Firmino, um livre-pensador, republicano, maçon e carbonário que, na transicção do século XIX para o século XX é acusado, injustamente, de um crime, no Barreiro, e acaba por morrer na Cadeia do Limoeiro, precisamente quando a análise das provas o ilibavam. Um crime sinistro, num tempo de grandes convulsões politico-sociais e que ficou impune.
Para escrever este livro, o João passou os ultimos anos retirado do mundo. Tirou licença sabática e prejudicou a carreira. Deixou de ter tempos livres. Afastou-se dos amigos. A família teve que aceitar a sua ausência. Passou a viver entre arquivos, bibliotecas, livros e documentos. Só descansou quando finalmente o livro foi editado e posto em circulação. Fui ouvi-lo no dia 18. Fazia anos que morrera, de vergonha e sofrimento, 0 bisavô, esse homem que agora resgatara finalmente do silêncio de mais de um século. Missão cumprida.

sábado, maio 24, 2008

O nóvel Museu do Oriente

Inaugurou no passado dia 8 de Maio, por iniciativa da Fundação Oriente. Fica em Alcântara, no enfiamento do viaduto que vem da Infante Santo e atravessa a marginal. Aproveitou um edifício típico da arquitectura estadonovista dos anos quarenta, concebido pelo Arq. João Simões em 1939, com belíssimos painéis fronteiros em baixo-relevo do escultor Barata Feyo. Concebido para armazém-frigorífico portuário, estava há muito abandonado. Foi agora recuperado, modernizado e adaptado para Museu pelos Arqts. João Luis Carrilho da Graça e Rui Francisco, tendo estes respeitado o essencial da traça primitiva.
Excelentes instalações. Com grande amplitude e cinco pisos, três são dedicados às exposições (2 permanentes e 1 temporárias). Dispõe de restaurante no último piso, um excelente auditório e uma zona de reuniões, enquanto nos inferiores funcionam a loja e livraria, o centro de cocumentação e uma cafetaria.
Só não gostei da decoração e iluminação das exposições. Salas muito escuras (predomínio do negro) e com pouquíssima visibilidade. Talvez tenham enveredado pelo que tecnicamente melhor serve os objectivos de conservação mas, esteticamente, não resulta. Também a temperatura estava baixa em demasia. Desagradável. E por que não gravam as letras nas portas em vez do papel autocolante que evidenciam?
Quanto aos conteúdos nada temos a dizer. São francamente bons. De repente somos transportados para o meio de culturas e ambiências longínquas e estranhas mas que se vão interpenetrando até nos chegarem a soar familiares. Sobretudo se iniciarmos a visita pelo segundo piso em sentido descendente.
Sugiro que vão até lá. Vale a pena.

quarta-feira, maio 21, 2008

Bartolomeu Cid dos Santos (1931-2008)

Faleceu hoje. Em Londres, cidade onde viveu a partir de 1961, convidado que foi para ensinar na Slade School of Fine Arts, precisamente onde antes (1956-58), se especializara em Gravura com Anthony Gross.
Tive o privilégio de conhecê-lo em 2001 por intermédio de Sá Nogueira tendo-me recebido algumas vezes no atelier da casa que tinha na zona histórica de Sintra. Um atelier repleto de obras de arte e livros e com gavetas atulhadas de gravuras, esquissos e fotografias, sempre com música clássica por fundo, e onde me foi dizendo do tempo de estudante da Escola de Belas Artes de Lisboa, nos inicios de cinquenta, dos colegas e amigos e das lutas que empreenderam pela dignificação do ensino e pela legalização da Associação de Estudantes. Do MUD Juvenil e das reuniões e convívios que promoveu no enorme casarão onde residia, na António Augusto de Aguiar, na ausência dos pais. Das lutas politicas aquando da reunião da NATO em Lisboa, em 1952, e como na sequência disso foi instaurado um inquérito a 81 alunos da ESBAL, onde se incluía, terminando com a expulsão de alguns deles. Das gravuras que criavam para venda e angariação de fundos. Dos bailes e convívios culturais na SNBA com o mesmo fim. De como se discutia arte e política e se odiava Salazar. Das tertúlias que se fomentavam nos cafés com destaque para o Café Chiado onde as Belas-Artes assentava arraiais. Dos espectáculos vistos do galinheiro do São Carlos. Dos bailados da Margarida de Abreu. Do Coro do Lopes Graça, da Sonata e dos recitais de poesia na Academia dos Amadores de Música e na SNBA. Das Gerais de Artes Plásticas, na SNBA. De como a velha Casa dos Artistas, passou a ser o ponto de encontro para todos os artistas oposicionistas. E também de como se abrigavam clandestinos e se fomentavam cadeias de apoios naqueles tempos sombrios. Das amizades, das cumplicidades, das solidariedades e de como em conjunto aprendiam a Vida.
Ofereceu-me o catálogo autografado daquela que foi a sua primeira exposição individual, em 1959, na SNBA, quando ainda assinava Bartolomeu Cid.
A ele devo a revelação e a discussão do artigo de António Vale (pseudónimo de Alvaro Cunhal) sobre Forma e Conteúdo, publicado na Vértice em 1954.
Um dia levou-me ao primeiro andar da casa de Sintra, abriu uma das enormes gavetas atulhadas e tirou de lá dois linólios, duas pequenas relíquias editadas pelo MUD Juvenil de Belas-Artes, em 1952. Comprara-as então. Não estão assinadas e nenhum de nós conseguiu descortinar a autoria. Sugeri que as doasse ao Museu do Neo-Realismo. Anuiu de imediato. Mas, que ia primeiro mandar restaurá-las. Mais tarde haveria de escrever-me e repetir quando falávamos: "já lá tenho as gravuras para dar ao Museu do Neo-Realismo!" Creio que ainda lá continuam... em Sintra.
Congratulou-se com o catálogo que escrevi sobre José Dias Coelho, editado pela CM de Pinhel em 2003, o camarada e amigo que o iniciou nas lutas politicas. Escreveu-me: "que eu saiba, esta é a primeira achega à obra do Zé Coelho. Parece-me no entanto (...) que a escolha das obras podia ter sido melhor. Também o design deveria ser melhor, muito melhor...". Tinha inteira razão.
Vi-o pela última vez em Maio do ano passado quando inaugurou uma exposição na Galeria Ratton, à Academia das Ciências. Uma exposição lindíssima onde explorava o sagrado (laico) e o profano. Achei-o muito cansado. Mas feliz, rodeado de amigos, alguns seus colegas quando estudantes no velho convento de São Francisco: Leonor Sena da Silva, Júlio Moreira, Augusto Sobral, José de Almada, Vasco Croft de Moura, João Vieira e outros.
Falámo-nos pelo 25 de Abril. Não podia ir ao jantar "Em Abril Esperanças Mil". Ia a guiar, como sempre dividido entre a casa de Sintra e Tavira, essa terra onde tinha oespaço privilegiado de trabalho, e onde planeava terminar os dias, abrindo à comunidade um Atelier de Desenho!
Morreu em Londres. Mas vai regressar aqui e as cinzas serão lançadas no rio que banha a amada Tavira. Que saudades eu sinto desta ínclita geração que o tempo, inexorável, teima em fazer desaparecer. E como fazem falta pessoas como o Bartolomeu!

domingo, maio 18, 2008

Guerrilha das operadoras ADSL

Juro que não foi intencional esta minha ausência.
Explico-me. Vi-me obrigada a mudar de operadora arrependida já de ter aderido à Tele2 que, a troco de mensalidade menos onerosa, me deixara enredada em problemas técnicos e sem serviços de apoio ao cliente.
Firmei contrato com a Clix em Janeiro passado. Na altura tiveram o cuidado de enviar um estafeta a minha casa para recolherem a minha assinatura no contrato. Apesar de prometerem uma mudança rápida, um silêncio absoluto manteve-se durante quatro meses.
Subitamente, no dia 29 de Abril, sem quaisquer explicações, cortam-me a linha adsl e deixam-me sem net! Vésperas de feriado... fim de semana prolongado. Reclamo e dizem que mandaram por correio o kit da Clix com o modem... quando chegar é só meter o cd e configurar ... Passam dias, volto a reclamar e dizem que afinal não mandaram mas que tenho duas opções: ou espero que enviem por correio e demora uns 5 dias úteis, ou posso ir comprar a qualquer loja da especialidade !! Exijo que mo coloquem em casa.
E as desculpas repetem-se, sempre diferenciadas. Nunca consegui falar com o responsavel dos serviços de Apoio ao Cliente, ou sequer com a secretária.
Até que no dia 12 desisto e decido apresentar queixa à Anacom.
No mesmo dia adiro aos serviços da Sapo que, como sabem, pertence à rede PT. A 14 tinha um tecnico cá em casa para mudar a linha telefonica. Nesse mesmo dia passei a ter telefone e net.
Entretanto, no dia 16 recebi uma sms da Clix felicitando-me por ter aderido aos seus serviços !!!
Quanto ao kit com o respectivo modem nunca apareceu.