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terça-feira, abril 24, 2018

25 de Abril com Sophia e Manuel San Payo

25 de Abril, por Manuel San Payo




Sempre adorei este poema da Sophia e este desenho do Manuel. Nos 44 anos do 25 de Abril decidi juntá-los. Porque ambos falam de valores essenciais: Verdade e Liberdade. Ficam muito bem juntos. 


NESTA HORA

Nesta hora limpa da verdade é preciso dizer a verdade toda
Mesmo aquela que é impopular neste dia em que se invoca o povo
Pois é preciso que o povo regresse do seu longo exílio
E lhe seja proposta uma verdade inteira e não meia verdade


Meia verdade é como habitar meio quarto
Ganhar meio salário
Como só ter direito
A metade da vida


O demagogo diz da verdade a metade
E o resto joga com habilidade
Porque pensa que o povo só pensa metade
Porque pensa que o povo não percebe nem sabe


A verdade não é uma especialidade
Para especializados clérigos letrados


Não basta gritar povo é preciso expor
Partir do olhar da mão e da razão
Partir da limpidez do elementar


Como quem parte do sol do mar do ar
Como quem parte da terra onde os homens estão
Para construir o canto do terrestre
— Sob o ausente olhar silente de atenção


Para construir a festa do terrestre
Na nudez de alegria que nos veste


Sophia de Mello Breyner, O Nome das Coisas, 1974

domingo, abril 17, 2011

25 de Abril, Sempre!






LIBERDADE




Não podemos

deixar

que a liberdade seja



tornada em amargor

ou sonho apenas

feito de memória-luz, fragor



O cravo uma metáfora

que se esgueira.

Vinte e Cinco de Abril à beira-Tejo



Perigando e oscilante

a desfolharem-na,

da sua utopia, enquanto dela



sabemos de salvar e tanto

querer, por quem sempre

lutou para ser lume



Em tumulto de asa

quando voa, bela

redentora e visionária



A transformar

o mundo

e já mudando



Rútila

audaz

e passionária





Maria Teresa Horta


Lisboa, 25 de Abril de 2011




domingo, janeiro 16, 2011

No adeus ao Capitão de Abril, Vitor Alves (1935-2011)


Major Vitor Alves (1935-2011)



Faleceu no dia 9 de Janeiro o major Vitor Alves, um dos gloriosos Capitães de Abril.

Deixou-nos mais um membro desta «ínclita» e generosa geração que soube dar um «novo mundo» ao nosso mundo e devolver-nos a Liberdade com o 25 de Abril.

É lamentável que a morte deste Homem a quem os portugueses tanto devem, tenha merecido tão pouca atenção por parte da comunicação social que praticamente ignorou a sua morte e o seu funeral, tendo preferido homenagear  à exaustão o cronista social cuja morte ocorreu sensivelmente na mesma altura.

Pergunto-me: como é possível? quais os valores que determinam as prioridades jornalísticas neste país? quem são as pessoas que dirigem os nossos orgãos de comunicação social? Onde ficam os supostos valores éticos do jornalismo? não consigo entender.

O documento que aqui deixo é da autoria de Teresa Alves, sua mulher, e foi por ela lido durante as cerimónias fúnebres, tendo sido distribuido aos presentes.

Trata-se de um documento emocionante que traduz o percurso de um Homem bom e a serenidade de uma vida cumprida.

Sejamos dignos da sua Memória!


Julia Coutinho