terça-feira, maio 01, 2007

Meu irmão de Maio

Mártires de Chicago
Irmão do mês de Maio. Irmão de medo.
Das lutas que travamos porta a porta.
Irmão desta razão deste segredo.
Esperança tão mais viva do que morta.
Irmão de Maio. Punho levantado
contra quem te quis sempre prisioneiro.
Pela força explorado. E deserdado.
Irmão de Maio. Irmão do ano inteiro.
Ai meu irmão de Maio é neste outono
das palavras mais duras mais avessas
que o medo vai soltar os cães do sono.
Irmão a quem não bastam as promessas.
És bem como as palavras. Não tens dono.
E eu canto a tua dor. Sem que mo peças.
(Joaquim Pessoa)



sexta-feira, abril 27, 2007

Amor Militante

primeiro 1º de Maio em Liberdade, 1974

Amor Militante


Regaço. Flor. Abraço. Movimento.
Lua de seiva. Vinho. Arco. Seta.
Palavra nua. Força. Forca. Vento.
Anel de lava. Passo. Início. Meta.

Retrato e acto. Cacto. Água. Poço.
Laço que eu faço. Braço que arremessa.
Nome de caça. Casa. Sangue e osso.
Amor que sempre acaba. E recomeça.

Amor que sempre faço. Porque é isso
que faz falta fazer. Amor amante.
Amor que é um compasso. Um compromisso.

Amor que é toda a vida ou um instante
em que se vive e morre de olhar fixo
e coração ao alto. Militante.

Joaquim Pessoa



domingo, abril 22, 2007

Festejemos 33 anos de Liberdade - II

25 de Abril, sempre!
JANTAR - CONVIVIO
Promovido pela A25A
dia 24, 20 horas, na FIL - Parque das Nações
INCREVAM-SE ! 21 3241420 ou pelo fax 21 3241429
Vamos festejar com os "capitães"
que nos devolveram a dignidade e a cidadania




terça-feira, abril 17, 2007

Festejemos 33 anos de Liberdade


Jantar - Convívio

Sexta-feira, 20 Abril, pelas 20 h.

no Mercado da Ribeira-Av 24 Julho, Lisboa
Façamos de Abril a força aglutinadora e unificadora de todos aqueles que prezam a Liberdade e repudiam o branqueamento que se tenta fazer do regime anterior.
VIVA O 25 DE ABRIL !



terça-feira, abril 10, 2007

Ontem terias feito 65 anos ...

Adriano Correia de Oliveira
(1942-1982)


ADRIANO


Não era só a voz o som a oitava
que ele queria sempre mais acima
nem sequer a palavra que nos dava
restituída ao tom de cada rima.

Era a tristeza dentro da alegria
era um fundo de festa na amargura
e a quase insuportável nostalgia
que trazia por dentro da ternura.

O corpo grande e a alma de menino
trazia no olhar aquele assombro
de quem queria caber e não cabia.

Os pés fora do berço e do destino
alguém o viu partir de viola ao ombro.
Era Outubro em Avintes. E chovia.


(Manuel Alegre)


Em Outubro completam-se 25 anos que partiste.
Por que temos Memória
e queremos preservar essa Memória,
Não te deixaremos "morrer"
Até Sempre, Adriano !

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Há 20 anos que partiste

Zeca Afonso e amigos, numa sessão de Canto Livre, 1974
«AMIGO ... maior que o pensamento ...»

«Semeio palavras na música. Não tenho pretensões de dar a estas minhas deambulações pela música qualquer outro rótulo. Faço apenas canções. A canção insere-se sempre dentro de um processo. A sua eficácia depende do processo em que se insere. A sua importância depende da vastidão desse processo».

«Quando começamos a procurar alibis para justificar o nosso conformismo, então está tudo lixado»
(in José Afonso, andarilho, poeta e cantor, 1994)
ATÉ SEMPRE, ZECA !

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Eu Voto SIM




(…)

“Sou a favor da despenalização do aborto, nas condições e limites propostos no referendo, ou seja, desde que realizado por decisão da mulher, em estabelecimento de saúde, nas primeiras dez semanas de gravidez. Eis uma recapitualação das minhas razões.

1ª O que está em causa no referendo é decidir se o aborto nessas condições deve deixar de ser crime, como é hoje, sujeito a uma pena de prisão até 3 anos (art. 140.º do Código Penal). Por isso, é francamente enganador chamar ao referendo o “referendo do aborto” ou “sobre o aborto”, como muita gente diz. De facto, não se trata de saber a posição de cada um sobre o aborto (suponho que ninguém aplaude o aborto), mas sim de decidir se a mulher que não se conforma com uma gravidez indesejada, e resolve interrompê-la, deve ou não ser perseguida e julgada e punida com pena de prisão”
(Vital Moreira, in Público)

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Quem votar SIM fica sem funeral religioso ...

"Os cristãos que vão votar SIM no referendo serão alvo de excomunhão automática, a mais pesada das censuras eclesiásticas", garante o cónego Tarcísio Alves, pároco há cinco anos em Castelo de Vide (Portalegre).
A excomunhão automática atinge ainda "todos os intervenientes na execução do crime, como, por exemplo, médicos e enfermeiros", sublinha, enquanto consulta página a página o Código Canónico. "Se um católico aceitar a liberalização do aborto incorre na censura da excomunhão e não poderá ser reintegrado na comunidade cristã sem intervenção do bispo", sustenta ainda.
Doutorado pela Universidade Católica de Salamanca em Direito Canónico, Tarcísio Alves tem distribuído nos últimos tempos, pelos paroquianos, um boletim informativo em que adverte os devotos para os "perigos" de votar SIM no próximo referendo e as consequências, junto da Igreja, que poderão sobrevir. "Não fui eu que inventei estas regras, está tudo bem explícito no Cânone 1398" sublinha.
Mas o vigário judicial da diocese de Portalegre e Castelo Branco vai mais longe ao alertar os fiéis para "outros perigos" que podem surgir, se no próximo referendo o voto recair no SIM. "Se votar no 'sim' ou se se abstiver, poderá estar também a cometer um pecado mortal gravíssimo. No referendo até as irmãs vão sair dos conventos porque senão também incorrem num pecado de omissão", adverte.
Para o clérigo trata-se de "um caso grave", porque todos aqueles católicos que violarem as leis da Igreja sobre este ponto "não podem casar, baptizar-se e nem poderão ter um funeral religioso - Cânone 1331."
Tarcísio Alves garantiu ao DN que "não faz política nem fala do caso durante as missas de domingo, mas no seu boletim paroquial e através de e-mails". O cónego promete continuar a "esclarecer a população e a prova disso passa pela edição, ainda hoje, de mais um boletim que no último parágrafo apela mais uma vez ao voto no NÃO".
A comunidade católica de Castelo de Vide encara estes "avisos" de forma natural e aplaude a atitude do cónego. "Acho bem que expliquem os perigos do aborto às pessoas, principalmente a nós, os mais velhos, que nunca estudámos. O que sabemos é através daquilo que vemos na televisão", diz Piedade Godinho à entrada da igreja.
in DN de 19 Janeiro 2007

quarta-feira, janeiro 17, 2007

O Crime de Amar de Mais


É a «justiça» que temos e os juízes (alguns juízes) que temos. Um homem foi ontem condenado em Torres Novas a seis anos de prisão por se recusar a entregar a um desconhecido, o pai biológico, uma menina de cinco anos de quem, abandonada pela mãe, esquecida pelo pai, ele e sua mulher cuidam desde os três meses de idade.

O pai biológico nunca quis saber da gravidez da mulher com quem tinha tido o que, entre risinhos, chama de «caso casual». Só viu a bebé duas vezes, de passagem, uma quando foi chamado a fazer testes de ADN, outra dois anos depois.

Agora, em vésperas de a criança fazer cinco anos, decidiu reclamá-la. E o tribunal, pura e simplesmente, mandou que ela lhe fosse entregue, apesar de os psicólogos dizerem que arrancá-la àqueles que ela considera seus pais e entregá-la a um desconhecido será «dilacerante».

Para evitar à filha adoptiva (o processo de adopção estava em curso) a dilacerante separação, Luis recusa-se a revelar o seu paradeiro. Resultado: seis anos de prisão.

Porque os juízes (alguns deles) já não fazem «justiça», são meros burocratas da lei.

E a lei de tais juízes tanto dá para condenar a uma multa de 720 euros um polícia que matou um homem a tiro como para mandar seis anos para a cadeia quem, como o Luís, comete o crime de amar de mais.

(Manuel António Pina, Jornal de Notícias de 17.01.2007)


domingo, janeiro 14, 2007

Poema da Maria Rita

Maria Rita
é portuguesa
Maria Rita
Tem 18 anos
Maria Rita
é mulher
Maria Rita tem
um namorado
Maria Rita
fez sexo com o
namorado
Maria Rita
engravidou
Maria Rita
é parva
Maria Rita
logo que disse ao
namorado este cavou
Maria Rita
procurou resolver a questão
Maria Rita
encontrou uma senhora amiga
que lhe emprestou dinheiro
para fazer um aborto

Schssss ali naquela mulher de
confiança

Schssss não digas a ninguém
se não podes ir presa tu e ela também

Maria Rita não disse a ninguém
mas disse à mãe, e disse à tia, e disse
à irmã, também elas, todas elas,
tinham feito abortos,

Schssss não digam a ninguém
è que o senhor polícia pode bater
à porta.

Ana Vicente

in Por Uma Vida de Escolhas, editado pelo
Movimento Cidadania e Responsabilidade pelo SIM

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Amadeu de Souza-Cardoso

DIÁLOGO DE VANGUARDAS
Exposição
na
Fundação Calouste Gulbenkian
15. Nov.06 - 14.Jan.07
Horário
das 10H00 às 22H00
6ª feira - encerra às 24H00
MEUS AMIGOS,
NÃO PERCAM ESTA EXPOSIÇÃO !
Dificilmente se conseguirão reunir, de novo, as obras que nesta mostra podemos admirar.
Quer as de Amadeu, quer a de todos os artistas que com ele conviveram no período que permaneceu em Paris e nas quais podemos constatar os diálogos que entre si estabeleceram.
AINDA RESTAM 3 DIAS !
E OS HORÁRIOS SÃO ALARGADOS ...
ACREDITEM QUE VALE A PENA UMA IDA À GULBENKIAN

terça-feira, janeiro 09, 2007

No começo de 2007

Barcas Novas


Lisboa tem suas barcas
agora lavradas de armas

Lisboa tem barcas novas
agora lavradas de homens

Barcas novas levam guerra
As armas não lavram terra

São de guerra as barcas novas
ao mar deitadas com homens

Barcas novas são mandadas
sobre o mar com suas armas

Não lavram terra com elas
Os homens que levam guerra

Nelas mandam meter
os homens com sua guerra

Ao mar mandaram as barcas
novas lavradas de armas

Em Lisboa sobre o mar
armas novas são mandadas


(Fiama Hasse Pais Brandão)

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Festas Felizes



Natal 2006


não te digo do natal coisa nenhuma
do natal enfeitado a sumaúma
que se arruma em cada ano nalgum canto

não te digo do natal em mar de espuma
esse efémero natal-coisa-nenhuma
quebradiço a ter-de-ser e sem encanto

não te digo do natal de coitadinhos
nem daquele de nós todos tão sozinhos
conformados sem ter sonhos nem espanto

não te digo do natal feito de prendas
num afecto leva-e-traz que me encomendas
e trocamos cada ano em qualquer canto

mas te digo um natal fio de seda
do casulo entretecido que te enreda
e te leva ao riso ao sonho em doce encanto

digo ainda do natal feito de enlaces
desfiando o casulo onde renasces
enlaçando cada ser por valer tanto

digo então um natal que desse fio
deslassado mundo fora como um rio
nos envolva a todos nós num acalanto

mais te digo do natal de um outro início
celebrando a nova esperança o solstício
recriado em nossa voz num novo canto.

Jorge Castro

Este poema é do meu amigo Jorge Castro (Orca) a quem agradeço a autorização concedida.
Ninguém melhor do que ele exprime toda a ternura desta data mas, ao mesmo tempo, a necessidade que muitos de nós sentem de (re) criar o Natal para que deixe de ser a época nataleira-consumista em que se tornou e se transforme na Festa Fraterna e Solidária que sempre deveria ser.

terça-feira, dezembro 05, 2006

A vida é efémera .... acreditem.

Entre os dias 7 de Novembro e 1 de Dezembro estive internada no serviço de cirurgia do Hospital de S. José, em Lisboa.
Inicialmente o diagnóstico foi o de Pancreatite Aguda e ... pedra na vesícula, sendo que os médicos sempre valorizaram muito mais a infecção no pâncreas em detrimento da vesícula. E foi assim que me mantive semanas a dieta zero (sem poder ingerir água, sequer) apenas molhando os lábios. Quando as coisas pareceram melhorar enviaram-me para casa à espera de oportunidade melhor para a operaçáo à vesícula. Só que, passados dois dias, eu estava de novo internada. E agora com temperaturas altías quase constantes e cólicas dolorosíssimas!
Confesso: vi a morte rondar-me, pensei que tinham chegado os últimos momentos.
Finalmente decidiram operar-me. E ainda bem que o fizeram porque a vesícula (um pequeno saco que temos na base do fígado) estava de tal forma infectada que uma peritonite era inevitável e, obviamente, uma septicémia tomaria conta de mim. Aconteceu na madrugada de 25 para 26 de Novembro. O pós-operatório foi mauzito com temperaturas altas e dores constantes.
Apesar de tudo, no dia 1 de Dezembro, dia do meu aniversário, quiseram oferecer-me um enorme presente e mandar-me para casa. Regressei com os pontos e um dreno.
E cá vou sobrevivendo e reagindo. Com imensas dores, com imenso mau-estar, por enquanto. Mas  salva pelo excelente SNS que temos. 

Valem-me os AMIGOS que não me abandonam. 

Obrigada ao meu vizinho Mário que cuidou (como sempre) com todo o carinho e toda a dedicação dos meus dois meninos de quatro patas: o Miró e a Elis Regina.

Obrigada, à querida ANGELA que nunca me abandonou. Amiga, tu és mais que amiga mais que  irmã. Tu és a IMPRESCINDÍDEL, aquela pessoa que, incondicionalmente, está sempre presente. Aceitando-me como sou, amando-me como sou. E nunca me abandonando.
Não tenho palavras para dizer-te o quanto te amo.
Mas tu sabes.

Vou agora descansar e recuperar para casa dos meus amigos Albergaria, a minha «família de acolhimento», os AMIGOS com quem sempre posso contar.

Um beijo para TODOS vocês !

segunda-feira, outubro 23, 2006

Vasco Gonçalves e as Campanhas de Dinamização Cultural e Acção Cívica do MFA





Passados seis meses do 25 de Abril de 1974, na vigência do III Governo Provisório chefiado por Vasco Gonçalves, é apresentado no Palácio Foz em Lisboa, o Programa de Dinamização Cultural que iria ser coordenado pela Comissão Dinamizadora Central (CODICE), estrutura da 5ª Divisão do Estado-Maior General das Forças Armadas, em colaboração com a Direcção-Geral da Cultura e Espectáculos.

Para o então Primeiro-Ministro, um dos principais objectivos desta iniciativa «era levar os militares, o MFA, às populações e apoiá-las no desenvolvimento, na tomadas de consciência dos problemas que elas tinham. [...] Pretendíamos, sobretudo, transformar as ideias de fundo dessas populações. Não pretendíamos transformar essas populações em socialistas ou em comunistas. Queríamos transformá-las em gente democrática, gente aberta a analisar as situações e arrancá-las de toda aquela carga de fascismo que durante 48 anos tinha pesado sobre elas».

A par destes objectivos, Vasco Gonçalves defendia, também, que as Campanhas tiveram um importante papel na democratização e dinamização das Forças Armadas, sublinhando o facto de os militares que as protagonizaram regressarem «mais politizados» devido ao contacto com as diferentes realidades que procuravam transformar. Nesse sentido, e numa perspectiva cara à Primeira República, Vasco Gonçalves evocou, numa sessão de esclarecimento realizada no Sabugo (Sintra) em Fevereiro de 1975, a figura do «militar-educador». Este deveria aprender com aqueles que procurava educar, com aqueles que procurava ensinar, com aqueles que procurava ajudar. Na sua óptica, a expressão que melhor caracterizava a Dinamização Cultural era o «trabalho quotidiano» porque as Campanhas constituíam uma aprendizagem mútua, um processo de conhecimento do país que a revolução surpreendeu.

Para Vasco Gonçalves o grande impulsionador das Campanhas de Dinamização Cultural e Acção Cívica do MFA fora Ramiro Correia, o «comandante-médico que até fazia versos [...] um idealista no bom sentido do termo». Na génese desta iniciativa, salientava a importância da Acção Psico-social utilizada na guerra colonial, assegurando que «muitos militares vieram influenciados com isso e consideravam-se em condições de desenvolver uma acção desse nível dentro do nosso próprio país, com os seus compatriotas».

[...] a relação entre os militares e a população adquiriu novos contornos com a transição democrática e, para Vasco Gonçalves, as Campanhas de Dinamização Cultural e Acção Cívica do MFA seriam uma ferramenta axial no fortalecimento desta relação, eternizada na expressão aliança Povo-MFA a qual condensava os ideais da facção progressista do MFA «que eram sobretudo os da libertação da nossa pátria, do nosso povo, da realização das aspirações básicas». Utilizava o termo «missão» para aludir às Campanhas, afirmando serem estas «um trabalho gigantesco para as nossas possibilidades», referindo-se à insuficiência de meios técnicos e humanos que dispuseram para a concretização desta proposta da agenda revolucionária. «Foi uma das nossas debilidades fundamentais» - afirmava.

Num dos muitos cartazes que desenhou [...] João Abel Manta pareceu representar a «esperança e a confiança» que Vasco Gonçalves depositava nesta iniciativa ao atribuir-lhe uma centralidade no célebre cartaz MFA-Vasco-Povo. Povo-Vasco-MFA (1975), onde surge ladeado por duas figuras híbridas meio soldado, meio povo, reforçadas pela frase «Força, Força Companheiro Vasco / Nós Seremos a Muralha de Aço». E foi da seguinte forma que Vasco Gonçalves se referiu a este cartaz: «O cartaz é muito terno, eu era o companheiro Vasco, mas para certo sector da população, não para o país».






Fonte: Texto de Sónia Vespeira de Almeida, com base em entrevista a Vasco Gonçalves (2002) no âmbito da sua tese de doutoramento em Antropologia; inserido no folheto comemorativo da homenagem a Vasco Gonçalves, realizada na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa, em 21 de Outubro de 2006.

quinta-feira, outubro 19, 2006

Homenagem ao General Vasco Gonçalves (1922-2005)



Sábado, 21 de Outubro de 2006, às 15h30

Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa

Alameda da Universidade




Um grupo de cidadãs e cidadãos civis e militares, amantes da Liberdade e da Democracia, constituiu-se em Comissão Promotora de homenagem ao antigo Primeiro-Ministro de Portugal nos II, III, IV e V Governos Provisórios.

A passagem do primeiro aniversário da morte do General Vasco Gonçalves é o momento oportuno para reflectirmos sobre a sua figura ímpar, a sua dimensão ética, moral e política, o seu exemplo de dedicação ao País e aos portugueses, a sua simplicidade e transparência e sobretudo a sua luta por uma sociedade mais justa e mais fraterna.

Recordemos o homem íntegro, o cidadão excepcional, o militar corajoso e o político totalmente dedicado à causa dos trabalhadores e dos mais desfavorecidos.


Momento Cultural com:

Fausto Neves (pianista)


Manuel Freire

Maria do Céu Guerra

Coral dos Mineiros de Aljustrel

Coral Catarinas de Baleizão

Coro da Academia dos Amadores


Intervenções de:

Prof. Doutor Barata Moura

Coronel Vicente da Silva

Dr Vasco Gonçalves Laranjeira (neto do General)





terça-feira, agosto 29, 2006

Amesterdão



"Uma só Anne Frank comove-nos mais que as inúmeras pessoas que sofreram como ela, mas cujas imagens permanecem ocultas. E assim terá que continuar: se pudessemos compartilhar os sofrimentos de todos, ser-nos-ía impossível continuar a viver" (Primo Levi, escritor e sobrevivente de Auschwitz)

Passei uns dias em Amesterdão e fiquei fascinada.
com a luminosidade e paisagem citadinas
o muito verde e as muitas flores
os canais e as alamedas circundantes
o predomínio da bicicleta como meio de transporte.
a animação nas ruas
a arte e a cultura ao nosso alcance
(os 400 anos de Reambrandt são lembrados por todo o lado...)
as pessoas
a sua alegria, tolerância e civismo.
a liberdade
mas também as regras para vivê-la
sem prejudicar o outro.
Os museus.
(a emoção de olhar Van Gogh,
Reambrandt, Vermeer...)
a preocupação para que o passado esteja presente
e a Memória prevaleça.

Deixo-vos com a Casa de Anne Frank que me comoveu profundamente

com o Van Gogh Museum

e com a pintura flamenga do Rijks Museum

quinta-feira, agosto 17, 2006

In Memoriam de Regina Abreu



Morreste-me
e o sol fugiu
de repente

Morreste-me
e a dor é um estilete
a retalhar

Morreste-me
e o frio invade
e gela

Morreste-me
e abriste um sulco
sem fim.


Para a minha amiga REGINA ABREU.

Uma grande LUTADORA ANTIFASCISTA.
Uma grande MULHER.
Uma grande AMIGA.

domingo, agosto 06, 2006

Para Memória Futura



Tomás Xavier de Figueiredo
(1930-1994)


Canção Cinco e Dez

Às cinco e dez da madrugada tudo é já claro.
À lucidez do escuro junta-se o Sol que nasce.
Não adianta ver quando ver é fazer
O fazer precisa que muitos vejam
E leva isso sempre o tempo que leva.
E diz-se então o mesmo muitas vezes
De modos cada vez mais próximos de coisas mais distantes
Pois se busca o nexo que tornará simples o que é claro.
Mas nada se adianta o tempo
Se é preciso esperar:
Só se pode ir rindo.
Mas Senhores, já agora,
Se desta loucura em que me afundo
Mas eu sei,
E que da vossa é feita,
Mas fingis não saber
Fingindo sempre que é doutros que se fala,
Alguma ideia vos der jeito,
Fazei favor de a usar
Sem pagar royalties nem direitos:
As ideias são livres e anónimas como a água e o ar.
E se vos desagradam
Usai o remédio do tempo
E fazei por esquecer,
Porque não quero dar conselhos a ninguém
E gostaria apenas que me pagassem em moeda igual.
Deixai-me sossegado
E ficai sossegados
Pois nenhum de nós dura muito tempo.
Os erros são o estrume da história
Mas a água e o ar são o lugar das flores e dos frutos
E o estrume só é útil na terra.
Perdoai aos que vos enganaram
Para que vos perdoem aqueles que vós próprios enganastes.
Os que se seguem nada têm a ver com os nossos enganos mútuos
E poderão voltar a usar as nossas palavras certas
Do tempo em que estavam exactas.
Mas só quando estivermos já esquecidos,
Pois é esse o preço da cegueira voluntária.


(in Rumo a Cacilhas, Sempre!, 1991, p. 123)