terça-feira, maio 01, 2007
Meu irmão de Maio
sexta-feira, abril 27, 2007
Amor Militante
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| primeiro 1º de Maio em Liberdade, 1974 |
Amor Militante
Palavra nua. Força. Forca. Vento.
Anel de lava. Passo. Início. Meta.
Retrato e acto. Cacto. Água. Poço.
Laço que eu faço. Braço que arremessa.
Nome de caça. Casa. Sangue e osso.
Amor que sempre acaba. E recomeça.
Amor que sempre faço. Porque é isso
que faz falta fazer. Amor amante.
Amor que é um compasso. Um compromisso.
Amor que é toda a vida ou um instante
em que se vive e morre de olhar fixo
e coração ao alto. Militante.
Joaquim Pessoa
domingo, abril 22, 2007
Festejemos 33 anos de Liberdade - II
terça-feira, abril 17, 2007
Festejemos 33 anos de Liberdade

terça-feira, abril 10, 2007
Ontem terias feito 65 anos ...
ADRIANO
Não era só a voz o som a oitava
que ele queria sempre mais acima
nem sequer a palavra que nos dava
restituída ao tom de cada rima.
Era a tristeza dentro da alegria
era um fundo de festa na amargura
e a quase insuportável nostalgia
que trazia por dentro da ternura.
O corpo grande e a alma de menino
trazia no olhar aquele assombro
de quem queria caber e não cabia.
Os pés fora do berço e do destino
alguém o viu partir de viola ao ombro.
Era Outubro em Avintes. E chovia.
(Manuel Alegre)
sexta-feira, fevereiro 23, 2007
Há 20 anos que partiste
«Semeio palavras na música. Não tenho pretensões de dar a estas minhas deambulações pela música qualquer outro rótulo. Faço apenas canções. A canção insere-se sempre dentro de um processo. A sua eficácia depende do processo em que se insere. A sua importância depende da vastidão desse processo».
«Quando começamos a procurar alibis para justificar o nosso conformismo, então está tudo lixado»
sexta-feira, fevereiro 02, 2007
Eu Voto SIM
(…)
“Sou a favor da despenalização do aborto, nas condições e limites propostos no referendo, ou seja, desde que realizado por decisão da mulher, em estabelecimento de saúde, nas primeiras dez semanas de gravidez. Eis uma recapitualação das minhas razões.
1ª O que está em causa no referendo é decidir se o aborto nessas condições deve deixar de ser crime, como é hoje, sujeito a uma pena de prisão até 3 anos (art. 140.º do Código Penal). Por isso, é francamente enganador chamar ao referendo o “referendo do aborto” ou “sobre o aborto”, como muita gente diz. De facto, não se trata de saber a posição de cada um sobre o aborto (suponho que ninguém aplaude o aborto), mas sim de decidir se a mulher que não se conforma com uma gravidez indesejada, e resolve interrompê-la, deve ou não ser perseguida e julgada e punida com pena de prisão”
segunda-feira, janeiro 22, 2007
Quem votar SIM fica sem funeral religioso ...
quarta-feira, janeiro 17, 2007
O Crime de Amar de Mais

É a «justiça» que temos e os juízes (alguns juízes) que temos. Um homem foi ontem condenado em Torres Novas a seis anos de prisão por se recusar a entregar a um desconhecido, o pai biológico, uma menina de cinco anos de quem, abandonada pela mãe, esquecida pelo pai, ele e sua mulher cuidam desde os três meses de idade.
O pai biológico nunca quis saber da gravidez da mulher com quem tinha tido o que, entre risinhos, chama de «caso casual». Só viu a bebé duas vezes, de passagem, uma quando foi chamado a fazer testes de ADN, outra dois anos depois.
Agora, em vésperas de a criança fazer cinco anos, decidiu reclamá-la. E o tribunal, pura e simplesmente, mandou que ela lhe fosse entregue, apesar de os psicólogos dizerem que arrancá-la àqueles que ela considera seus pais e entregá-la a um desconhecido será «dilacerante».
Para evitar à filha adoptiva (o processo de adopção estava em curso) a dilacerante separação, Luis recusa-se a revelar o seu paradeiro. Resultado: seis anos de prisão.
Porque os juízes (alguns deles) já não fazem «justiça», são meros burocratas da lei.
E a lei de tais juízes tanto dá para condenar a uma multa de 720 euros um polícia que matou um homem a tiro como para mandar seis anos para a cadeia quem, como o Luís, comete o crime de amar de mais.
(Manuel António Pina, Jornal de Notícias de 17.01.2007)
domingo, janeiro 14, 2007
Poema da Maria Rita
é portuguesa
Maria Rita
Tem 18 anos
Maria Rita
é mulher
Maria Rita tem
um namorado
Maria Rita
fez sexo com o
namorado
Maria Rita
engravidou
Maria Rita
é parva
Maria Rita
logo que disse ao
namorado este cavou
Maria Rita
procurou resolver a questão
Maria Rita
encontrou uma senhora amiga
que lhe emprestou dinheiro
para fazer um aborto
Schssss ali naquela mulher de
confiança
Schssss não digas a ninguém
se não podes ir presa tu e ela também
Maria Rita não disse a ninguém
mas disse à mãe, e disse à tia, e disse
à irmã, também elas, todas elas,
tinham feito abortos,
Schssss não digam a ninguém
è que o senhor polícia pode bater
à porta.
Ana Vicente
in Por Uma Vida de Escolhas, editado pelo
Movimento Cidadania e Responsabilidade pelo SIM
quinta-feira, janeiro 11, 2007
Amadeu de Souza-Cardoso
terça-feira, janeiro 09, 2007
No começo de 2007
Lisboa tem suas barcas
agora lavradas de armas
Lisboa tem barcas novas
agora lavradas de homens
Barcas novas levam guerra
As armas não lavram terra
São de guerra as barcas novas
ao mar deitadas com homens
Barcas novas são mandadas
sobre o mar com suas armas
Não lavram terra com elas
Os homens que levam guerra
Nelas mandam meter
os homens com sua guerra
Ao mar mandaram as barcas
novas lavradas de armas
Em Lisboa sobre o mar
armas novas são mandadas
(Fiama Hasse Pais Brandão)
sexta-feira, dezembro 22, 2006
Festas Felizes

não te digo do natal coisa nenhuma
do natal enfeitado a sumaúma
que se arruma em cada ano nalgum canto
não te digo do natal em mar de espuma
esse efémero natal-coisa-nenhuma
quebradiço a ter-de-ser e sem encanto
não te digo do natal de coitadinhos
nem daquele de nós todos tão sozinhos
conformados sem ter sonhos nem espanto
não te digo do natal feito de prendas
num afecto leva-e-traz que me encomendas
e trocamos cada ano em qualquer canto
mas te digo um natal fio de seda
do casulo entretecido que te enreda
e te leva ao riso ao sonho em doce encanto
digo ainda do natal feito de enlaces
desfiando o casulo onde renasces
enlaçando cada ser por valer tanto
digo então um natal que desse fio
deslassado mundo fora como um rio
nos envolva a todos nós num acalanto
mais te digo do natal de um outro início
celebrando a nova esperança o solstício
recriado em nossa voz num novo canto.
Jorge Castro
terça-feira, dezembro 05, 2006
A vida é efémera .... acreditem.
Inicialmente o diagnóstico foi o de Pancreatite Aguda e ... pedra na vesícula, sendo que os médicos sempre valorizaram muito mais a infecção no pâncreas em detrimento da vesícula. E foi assim que me mantive semanas a dieta zero (sem poder ingerir água, sequer) apenas molhando os lábios. Quando as coisas pareceram melhorar enviaram-me para casa à espera de oportunidade melhor para a operaçáo à vesícula. Só que, passados dois dias, eu estava de novo internada. E agora com temperaturas altías quase constantes e cólicas dolorosíssimas!
Confesso: vi a morte rondar-me, pensei que tinham chegado os últimos momentos.
Finalmente decidiram operar-me. E ainda bem que o fizeram porque a vesícula (um pequeno saco que temos na base do fígado) estava de tal forma infectada que uma peritonite era inevitável e, obviamente, uma septicémia tomaria conta de mim. Aconteceu na madrugada de 25 para 26 de Novembro. O pós-operatório foi mauzito com temperaturas altas e dores constantes.
Apesar de tudo, no dia 1 de Dezembro, dia do meu aniversário, quiseram oferecer-me um enorme presente e mandar-me para casa. Regressei com os pontos e um dreno.
E cá vou sobrevivendo e reagindo. Com imensas dores, com imenso mau-estar, por enquanto. Mas salva pelo excelente SNS que temos.
Valem-me os AMIGOS que não me abandonam.
Obrigada ao meu vizinho Mário que cuidou (como sempre) com todo o carinho e toda a dedicação dos meus dois meninos de quatro patas: o Miró e a Elis Regina.
Obrigada, à querida ANGELA que nunca me abandonou. Amiga, tu és mais que amiga mais que irmã. Tu és a IMPRESCINDÍDEL, aquela pessoa que, incondicionalmente, está sempre presente. Aceitando-me como sou, amando-me como sou. E nunca me abandonando.
Não tenho palavras para dizer-te o quanto te amo.
Mas tu sabes.
Vou agora descansar e recuperar para casa dos meus amigos Albergaria, a minha «família de acolhimento», os AMIGOS com quem sempre posso contar.
Um beijo para TODOS vocês !
segunda-feira, outubro 23, 2006
Vasco Gonçalves e as Campanhas de Dinamização Cultural e Acção Cívica do MFA
Para o então Primeiro-Ministro, um dos principais objectivos desta iniciativa «era levar os militares, o MFA, às populações e apoiá-las no desenvolvimento, na tomadas de consciência dos problemas que elas tinham. [...] Pretendíamos, sobretudo, transformar as ideias de fundo dessas populações. Não pretendíamos transformar essas populações em socialistas ou em comunistas. Queríamos transformá-las em gente democrática, gente aberta a analisar as situações e arrancá-las de toda aquela carga de fascismo que durante 48 anos tinha pesado sobre elas».
A par destes objectivos, Vasco Gonçalves defendia, também, que as Campanhas tiveram um importante papel na democratização e dinamização das Forças Armadas, sublinhando o facto de os militares que as protagonizaram regressarem «mais politizados» devido ao contacto com as diferentes realidades que procuravam transformar. Nesse sentido, e numa perspectiva cara à Primeira República, Vasco Gonçalves evocou, numa sessão de esclarecimento realizada no Sabugo (Sintra) em Fevereiro de 1975, a figura do «militar-educador». Este deveria aprender com aqueles que procurava educar, com aqueles que procurava ensinar, com aqueles que procurava ajudar. Na sua óptica, a expressão que melhor caracterizava a Dinamização Cultural era o «trabalho quotidiano» porque as Campanhas constituíam uma aprendizagem mútua, um processo de conhecimento do país que a revolução surpreendeu.
Para Vasco Gonçalves o grande impulsionador das Campanhas de Dinamização Cultural e Acção Cívica do MFA fora Ramiro Correia, o «comandante-médico que até fazia versos [...] um idealista no bom sentido do termo». Na génese desta iniciativa, salientava a importância da Acção Psico-social utilizada na guerra colonial, assegurando que «muitos militares vieram influenciados com isso e consideravam-se em condições de desenvolver uma acção desse nível dentro do nosso próprio país, com os seus compatriotas».
[...] a relação entre os militares e a população adquiriu novos contornos com a transição democrática e, para Vasco Gonçalves, as Campanhas de Dinamização Cultural e Acção Cívica do MFA seriam uma ferramenta axial no fortalecimento desta relação, eternizada na expressão aliança Povo-MFA a qual condensava os ideais da facção progressista do MFA «que eram sobretudo os da libertação da nossa pátria, do nosso povo, da realização das aspirações básicas». Utilizava o termo «missão» para aludir às Campanhas, afirmando serem estas «um trabalho gigantesco para as nossas possibilidades», referindo-se à insuficiência de meios técnicos e humanos que dispuseram para a concretização desta proposta da agenda revolucionária. «Foi uma das nossas debilidades fundamentais» - afirmava.
Num dos muitos cartazes que desenhou [...] João Abel Manta pareceu representar a «esperança e a confiança» que Vasco Gonçalves depositava nesta iniciativa ao atribuir-lhe uma centralidade no célebre cartaz MFA-Vasco-Povo. Povo-Vasco-MFA (1975), onde surge ladeado por duas figuras híbridas meio soldado, meio povo, reforçadas pela frase «Força, Força Companheiro Vasco / Nós Seremos a Muralha de Aço». E foi da seguinte forma que Vasco Gonçalves se referiu a este cartaz: «O cartaz é muito terno, eu era o companheiro Vasco, mas para certo sector da população, não para o país».
Fonte: Texto de Sónia Vespeira de Almeida, com base em entrevista a Vasco Gonçalves (2002) no âmbito da sua tese de doutoramento em Antropologia; inserido no folheto comemorativo da homenagem a Vasco Gonçalves, realizada na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa, em 21 de Outubro de 2006.
quinta-feira, outubro 19, 2006
Homenagem ao General Vasco Gonçalves (1922-2005)
Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa
Alameda da Universidade
Um grupo de cidadãs e cidadãos civis e militares, amantes da Liberdade e da Democracia, constituiu-se em Comissão Promotora de homenagem ao antigo Primeiro-Ministro de Portugal nos II, III, IV e V Governos Provisórios.
A passagem do primeiro aniversário da morte do General Vasco Gonçalves é o momento oportuno para reflectirmos sobre a sua figura ímpar, a sua dimensão ética, moral e política, o seu exemplo de dedicação ao País e aos portugueses, a sua simplicidade e transparência e sobretudo a sua luta por uma sociedade mais justa e mais fraterna.
Recordemos o homem íntegro, o cidadão excepcional, o militar corajoso e o político totalmente dedicado à causa dos trabalhadores e dos mais desfavorecidos.
Momento Cultural com:
Fausto Neves (pianista)
Manuel Freire
Maria do Céu Guerra
Coral dos Mineiros de Aljustrel
Coral Catarinas de Baleizão
Coro da Academia dos Amadores
Intervenções de:
Prof. Doutor Barata Moura
Coronel Vicente da Silva
Dr Vasco Gonçalves Laranjeira (neto do General)
segunda-feira, outubro 16, 2006
terça-feira, agosto 29, 2006
Amesterdão

"Uma só Anne Frank comove-nos mais que as inúmeras pessoas que sofreram como ela, mas cujas imagens permanecem ocultas. E assim terá que continuar: se pudessemos compartilhar os sofrimentos de todos, ser-nos-ía impossível continuar a viver" (Primo Levi, escritor e sobrevivente de Auschwitz)
Passei uns dias em Amesterdão e fiquei fascinada.
com a luminosidade e paisagem citadinas
o muito verde e as muitas flores
os canais e as alamedas circundantes
o predomínio da bicicleta como meio de transporte.
a animação nas ruas
a arte e a cultura ao nosso alcance
(os 400 anos de Reambrandt são lembrados por todo o lado...)
as pessoas
a sua alegria, tolerância e civismo.
a liberdade
mas também as regras para vivê-la
sem prejudicar o outro.
Os museus.
(a emoção de olhar Van Gogh,
Reambrandt, Vermeer...)
a preocupação para que o passado esteja presente
e a Memória prevaleça.
Deixo-vos com a Casa de Anne Frank que me comoveu profundamente
com o Van Gogh Museum
e com a pintura flamenga do Rijks Museum
quinta-feira, agosto 17, 2006
In Memoriam de Regina Abreu

e o sol fugiu
de repente
Morreste-me
e a dor é um estilete
a retalhar
Morreste-me
e o frio invade
e gela
Morreste-me
e abriste um sulco
sem fim.
Para a minha amiga REGINA ABREU.
Uma grande LUTADORA ANTIFASCISTA.
Uma grande MULHER.
Uma grande AMIGA.
domingo, agosto 06, 2006
Para Memória Futura

Tomás Xavier de Figueiredo
(1930-1994)
Canção Cinco e Dez
Às cinco e dez da madrugada tudo é já claro.
À lucidez do escuro junta-se o Sol que nasce.
Não adianta ver quando ver é fazer
O fazer precisa que muitos vejam
E leva isso sempre o tempo que leva.
E diz-se então o mesmo muitas vezes
De modos cada vez mais próximos de coisas mais distantes
Pois se busca o nexo que tornará simples o que é claro.
Mas nada se adianta o tempo
Se é preciso esperar:
Só se pode ir rindo.
Mas Senhores, já agora,
Se desta loucura em que me afundo
Mas eu sei,
E que da vossa é feita,
Mas fingis não saber
Fingindo sempre que é doutros que se fala,
Alguma ideia vos der jeito,
Fazei favor de a usar
Sem pagar royalties nem direitos:
As ideias são livres e anónimas como a água e o ar.
E se vos desagradam
Usai o remédio do tempo
E fazei por esquecer,
Porque não quero dar conselhos a ninguém
E gostaria apenas que me pagassem em moeda igual.
Deixai-me sossegado
E ficai sossegados
Pois nenhum de nós dura muito tempo.
Os erros são o estrume da história
Mas a água e o ar são o lugar das flores e dos frutos
E o estrume só é útil na terra.
Perdoai aos que vos enganaram
Para que vos perdoem aqueles que vós próprios enganastes.
Os que se seguem nada têm a ver com os nossos enganos mútuos
E poderão voltar a usar as nossas palavras certas
Do tempo em que estavam exactas.
Mas só quando estivermos já esquecidos,
Pois é esse o preço da cegueira voluntária.
(in Rumo a Cacilhas, Sempre!, 1991, p. 123)
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