sábado, julho 05, 2008

In Memoriam de Manuela Porto (1908-1950)


Manuela Cesarina Sena Porto (1908-1950)

Manuela Porto nasceu há cem anos, no dia 24 Abril de 1908, e teria sido da maior justiça lembrá-la no Congresso Feminista ocorrido há pouco*. Ela que foi uma paladina dos direitos das mulheres e abriu caminhos inóspitos tendo traduzido e divulgado autoras até então desconhecidas como Louisa May Alcott, Anne Bronte, Elizabeth Gaskell, Hazel Goodwin, Katherine Mansfield e sobretudo Virginia Woolf, sobre quem fez uma palestra em 6 de Janeiro de 1947, inserida na Exposição de Livros Escritos por Mulheres organizada pelo Conselho Nacional de Mulheres Portuguesas (CNMP), no salão da SNBA, evento que teve grande repercussão e haveria de levar à demissão de Maria Lamas do jornal O Século, onde dirigia o suplemento Modas e Bordados, e ao encerramento do Conselho Nacional de Mulheres Portuguesas, em 28 de Junho desse ano.


Virginia Woolf, O Problema da Mulher nas Letras, conferência na SNBA em 6.Jan.1947 que a Seara Nova editou.

Curiosamente, é no ano do seu centenário que o nome de Manuela Porto é finalmente resgatado do silêncio através de um trabalho académico notável (que espero seja editado) de Diana Dionísio, neta de Mário Dionísio, um amigo de MP e um dos poetas do Novo Cancioneiro que divulgou. Não deixa de ser sintomático que isso aconteça pela mão de uma jovem que, tal como MP, (filha do republicano, escritor e pedagogo César Porto) é herdeira de um património humanista político-cultural que forçosamente lhes moldaram o carácter. Neste trabalho, Diana Dionisio analisa sobretudo a vertente teatral em Manuela Porto, o que não é pouco, se considerarmos que a mesma após se afastar dos palcos nunca deixou de aos palcos e ao teatro estar ligada tendo fundado e dinamizado o Corpo Cénico do Grupo Dramático Lisbonense,  onde se revelou a actriz Gina Santos que faria carreira no Nacional. Muitos outros caminhos ficam em aberto mas, a partir de agora, tudo será mais fácil. Duro mesmo foi começar do zero absoluto, como a Diana começou. E eu sei bem do que falo.

Edificio na Rua Marcos Portugal, 22-24, (actual 22-A) onde funcionava o Grupo Dramático Lisbonense (GDL). As instalações seriam destruidas por um fogo em 1949 e o GDL acolhido temporariamente na Academia dos Amadores de Música onde apresentou alguns espectáculos.

Casada com o artista plástico Roberto de Araújo Pereira, Manuela Porto foi escritora, tradutora, crítica teatral, actriz, encenadora, declamadora, oposicionista e feminista. Ligada ao MUNAF (Movimento de Unidade Anti-Fascista), ao MUD (Movimento de Unidade Democrática) e à CEJAD (Comissão de Escritores, Jornalistas e Artistas Democráticos) teve um papel importantíssimo na divulgação dos nossos poetas desde os da Presença aos do Novo Cancioneiro, e foi graças a si que os portugueses conheceram Fernando Pessoa (1888-1935) pouco depois da sua morte, através de recitais  nos salões de O Século. Mulher extraordinária, muito para além do seu tempo, ela foi a arauta dos poetas, a que dizia poesia como quem vive e respira.



























Diário de Lisboa 15 Janeiro 1942 -  (uma das sessões no Salão de O Século)




Em entrevista a Diana Dionisio, em Janeiro de 2006, Luiz Francisco Rebello (1924-2011) recorda essas noites mágicas no salão de festas de O Século com Manuela Porto a dizer o longo poema Ode Marítima, de Alvaro de Campos, completamente de cor:

«coisa extraordinária - a declamação da Ode Marítima no salão de festas do Século. Ela era uma extraordinária declamadora de poesia (...) Parecia uma coisa impossível. Saber de cor a Ode Marítima... era uma hora, que diabo!... Dizer de cor a Ode marítima inteira parecia uma coisa extraordinária. Eu lembro-me no salão de festas do Século, fizeram-se uma série de coisas, uma série de conferências sobre teatro português. Ela dizia... era uma espécie de mímica com as mãos que esvoaçavam, era deslumbrante. Tinha um ar etéreo, o que contrastava até muito com a violência de certos passos da Ode Marítima. A ideia que eu tenho é de... uma noite de magia.»  


Manuela Porto viveu apenas 42 anos. Suicidou-se em 7 de Julho de 1950. Não era a primeira vez que o tentava mas foi desta que conseguiu. Os jornais noticiaram que "morrera em casa", mas não, os amigos ainda a levaram com vida para o Hospital de São José, acompanhada pelo médico e poeta Armindo Rodrigues que aí assistiu à sua morte na sequência de brutal overdose de barbitúricos. Mas para a censura não existiam suicídios, nem mortes violentas, nem doenças fatais. Era o país do "faz de conta". Na altura, exercia as funções de Secretária da Redacção da revista Eva. 

O poeta José Gomes Ferreira (1900-1985), seu companheiro de jornada, evoca-a na Vértice:

«Nada, ouviram? - nada conseguirá salvar do esquecimento de cova cheia a outra Manuela, a verdadeira Manuela do nosso convívio (...) que, no fim de contas, tudo valia para nós: a Manuela de todos os dias no Chiado, da Brasileira, às 6 horas da tarde, dos ensaios pacientes na Academia dos Amadores de Música, das reuniões aos domingos em volta do chocolate do João José Cochofel, dos jantares aconchegados na sua salinha defronte do Enterro de Mário Eloy; a Manuela do sorriso forçadamente quente (às vezes com tantos punhais nos recantos de sofrer); a Manuela que, como todas as mulheres superiores, possuia o segredo daquela intimidade misteriosa que, ao mesmo tempo, aproxima e afasta (e assim quem lhe descobria os defeitos?); a Manuela a ocultar, sob a leve afectação de uma máscara exageradamente feminina, o seu coração de jacobina varonil; a Manuela, amiga e Anjo da Fama dos poetas -  de todos! de todos! -  desde o Fernando Pessoa aos últimos escorraçados do neo-realismo... (pedras de todos os cantos! Insultos de todos os céus! ódios de todos os negrumes! E é por isso que estou com eles. A poesia é escândalo! A poesia é perigo!); a Manuela, ídolo insubstituível dessas trezentas pessoas heróicas que andam, de um lado para o outro, em Lisboa, a fingir cultura: -  a correr das dissonâncias da Sonata para o pescoço torcido da geral do São Carlos; da Exposição das Artes Plásticas para o último concerto de canções do Lopes Graça; da estreia do Auto da Índia no teatrinho do Grupo Dramático Lisbonense para o recital poético na Associação Feminina para a Paz... A Manuela que, quando me encontrava, pedia-me sempre, em cadência de súplica: "ó Zé Gomes: escreva-me uma peça!"»

(JGF, parte de um texto publicado na Vértice, vol X, nº 86, Outubro de 1950, numero inteiramente dedicado a MP)


Diario de Lisboa 5-06-1950
Muito provavelmente terá sido o sarau em conjunto com Maria Barroso aqui anunciado para 9 de Junho de 50 na Casa do Alentejo, a última participação pública de Manuela Porto. Com esta conferência de Maria Lamas, "A Paz e a Vida", no Museu João de  Deus, e mais tarde repetida no Porto, nos Fenianos, dava-se início à existência da Comissão Nacional de Paz com a eleição de uma comissão abrangente de personalidades que incluia, também, Manuela Porto.

José Gomes Ferreira, juntando-se a muitos outros poetas e escritores, vai dedicar-lhe este poema na Vértice, vol X, nº 86, Outubro de 1950, inteiramente dedicada a MP) .


Na morte de Manuela Porto

 

Devia morrer-se de outra maneira. 

Transformarmo-nos em fumo, por exemplo.

Ou em nuvens.

Quando nos sentíssemos cansados, fartos do mesmo sol

a fingir de novo todas as manhãs, convocaríamos

os amigos mais íntimos com um cartão de convite

para o ritual do Grande Desfazer: "Fulano de tal comunica

a V. Exa. que vai transformar-se em nuvem hoje

às 9 horas.  Traje de passeio".

E então, solenemente, com passos de reter tempo, fatos

escuros, olhos de lua de cerimónia, viríamos todos assistir

a despedida.

Apertos de mãos quentes. Ternura de calafrio. 

"Adeus! Adeus!"

E, pouco a pouco, devagarinho, sem sofrimento,

numa lassidão de arrancar raízes...

(primeiro, os olhos... em seguida, os lábios... depois os cabelos...)
a carne, em vez de apodrecer, começaria a transfigurar-se
em fumo... tão leve... tão subtil... tão pólen...
como aquela nuvem além (vêem?) — nesta tarde de outono
ainda tocada por um vento de lábios azuis


(José Gomes Ferreira, 1900-1985)


Também amigos seus lançam um livro, inédito, em 1952 no segundo aniversário da sua morte:
  
Diario de Lisboa, 7 Julho 1952

Julia Coutinho

______________

Nota* - este texto foi escrito originalmente em 2008, ano em que se realizou o Congresso Feminista na Fundação Calouste Gulbenkian, organizado pela UMAR, e aqui referido. E veio a ser reescrito e acrescentado de documentos pela autora.
Julia Coutinho





sexta-feira, julho 04, 2008

Adolfo Casais Monteiro (1908-1972)



Adolfo Casais Monteiro (Porto 1908 - Brasil 1972)



Faria hoje 100 anos. Lembrar-se-ão disso as entidades culturais deste país? Saberão do homem que lutou desde os seus 17 anos contra a ditadura que nos amordaçou meio século? Adolfo Casais Monteiro fez da escrita uma arma no combate pela Liberdade e pela Democracia. Obrigado a exilar-se no Brasil na década de cinquenta, juntou-se às hostes oposicionistas que fizeram do jornal Portugal Democrático, em São Paulo, uma tribuna. Dessa pleiade de cidadãos audazes fizeram parte, entre outros, Vitor Ramos, Augusto Aragão, Carlos Maria Araujo, Fernando Lemos e Jorge de Sena. Destes, apenas Lemos e Sena viram Portugal libertado. Homem de cultura, poeta e fundador da revista Presença, teve no Brasil a carreira académica que aqui lhe foi negada. Foi casado com a escritora Alice Gomes, irmã de Soeiro Pereira Gomes, e tem um filho, João Paulo Monteiro, também ele fugido à repressão salazarista nos anos sessenta. Faleceu a 24 de Julho 1972.
De uma compilação de textos seus, saida em 1974, retiro um que nos fala dos artistas e das artes plásticas portuguesas ao mesmo tempo que denuncia os meandros da representação oficial portuguesa enviada à V Bienal de São Paulo, em 1959.


O SNI e os Artistas Portugueses

O fim da Segunda Guerra Mundial despertou em Portugal muitas esperanças, renovou coragens gastas de tanto bater a cabeça contra as paredes do túmulo do pensamento. Entre outras coisas, levou os artistas a tomar posições de independência que os puseram em franca oposição ao mecenato do Secretariado Nacional de Informação (SNI); até aí, as amizades pessoais de António Ferro, que sempre mantivera boas relações com os artistas, tinham-lhe dado uma vitória que o Estado Novo não alcançara em nenhum outro sector: ele pudera jogar com as suas exposições como uma prova de que pelo menos os artistas aceitavam estender a mão à ditadura. Com efeito, era em número reduzido os que entendiam haver também nas artes plásticas uma frente de batalha -- alegando que as suas opiniões pessoais não lhes proibiam fazer, inclusive, cartazes de propaganda. Um conheci eu que, ao mesmo tempo que os duma exposição anti-comunista do SNI, fizera selos do Socorro Vermelho...

Pois em 1946, graças sobretudo à presença de uma nova geração que não fora das relações de António Ferro ao tempo que este era «um dos do Orpheu», iniciou-se a ofensiva, começando a ser boicotadas as exposições oficiais. E foi feita a «I Exposição Geral de Artes Plásticas», que precipitou o fim dos «Salões de Arte Moderna» do SNI, e constituiu, ao mesmo tempo que uma afirmação de independência, moralmente falando, sinal de renovação estética.
Desde então reinou a desorientação nas atitudes oficiais, como se pode verificar aqui pelas divergências de critério quanto à participação portuguesa nas Bienais. Quando da primeira, os «mentores» ainda não tinham percebido que se tratava de arte moderna, e ficaram muito escandalizados por terem recusado a entrada a um académico chamado João Reis. Depois perceberam, e oscilaram entre intervir e não. Essa história está feita; vejamos o que sucedeu agora.

Em 1958, Salazar, logo em seguida à evidente derrota sofrida nas eleições, fez um apelo à juventude, e o SNI «descobriu» então os novos artistas portugueses, convidando-os para uma exposição colectiva em S. Francisco da Califórnia, acenando-lhes com uma exposição em Madrid, com um salão dos «Novíssimos» e... serem levados à Bienal. E, capciosamente, quis fingir-se de fora, para o que convidou dois dos mais considerados críticos de arte para «colaborarem» na organização ou no júri dessas manifestações. Mas o negócio saiu-lhes furado: não só os críticos independentes em questão recusaram dar-lhe a sua colaboração, como o fizeram também 28 dos artistas convidados. Correndo atrás de outros, para que a «fachada» não ficasse muito nua, sofreu mais recusas, e o resultado aí está: da representação portuguesa na V Bienal, somente dois artistas, Júlio Resende e Fernando Lanhas, estão à altura duma representação nacional. O resto é para encher. Valha-nos a presença de Amadeo de Sousa-Cardoso, o qual, tendo morrido em 1918, está, evidentemente, à margem da questão...

Não estão pois na Bienal, salvo as duas excepções que acabo de referir, os mais representativos valores da arte portuguesa contemporânea. Faltam lá Vespeira, Fernando Azevedo, Júlio Pomar, José Júlio, Joaquim Rodrigo, Albertina Mântua, António Charrua, Nikias Skapinakis, Sá Nogueira, Calvet da Costa, Querubim Lapa, Gonçalo Duarte, Menez Ribeiro da Fonseca, Santiago Areal, João Abel Manta, Bartolomeu Cid e Alice Jorge. E estes, com muitos outros, num total de cinquenta, constituíram o Salão dos Independentes, aberto em Junho, o qual, segundo as mais fidedignas informações, revelou um conjunto mito superior ao apresentado no tal Salão dos Novíssimos do SNI. Assim o reconheceu a crítica responsável, enquanto a assalariada os atacava, ou lhes fazia as acusações torpes do costume. Assim ficou novamente clara a separação da arte oficial e da arte independente, passando os representantes daquela a ser justificadamente conhecidos como os Dependentes... E destes saiu, logicamente, a representação oficial ora exposta na Bienal.

Como essa gente é vingativa, não admira que, ao mesmo tempo, a polícia tenha intervindo junto do Instituto para a Alta Cultura a fim de que fosse impedida a organização duma exposição de arte abstracta que a convite da Universidade de Santiago de Compostela, devia realizar-se naquela cidade da Galiza Pois não é lógico? – a maioria dos pintores que desta fariam parte era dos Independentes... Fica assim avisado o respeitável público de que, à sombra do grande e malogrado Amadeo de Sousa-Cardoso, não é uma representação da arte portuguesa que se acha na Bienal, mas uma representação do Secretariado Nacional da Informação. E não é mau saber-se que Nuno Siqueira, René Bértholo, Lourdes Castro, Eduardo Luís e António Quadros (ai, será o nosso Quadros do «independente» baluarte da «filosofia portuguesa», por nome «51»? Querem ver que é mesmo?!) foram os signatários de um manifesto em que se fazia a propaganda das realizações do SNI, manifesto distribuído em Lisboa pelos cuidados de um crítico assalariado do mesmo, pois os ditos artistas estavam em Paris, gozando merecidas bolsas. Ofensivo para os seus colegas Independentes, além de comprometer falsamente outros camaradas seus, o manifesto foi condenado por uma declaração assinada por uns 30 artistas.

Quer dizer que, em vez de reconhecer como única solução a que fora adoptada para a anterior Bienal (em relação à qual o SNI se limitara a trazer para cá os trabalhos escolhidos sem a menor intervenção oficial), voltamos à ditadura nas artes plásticas. Será burrice? Será apenas gosto pela prepotência? Seja o que for, mostra o perigo destas representações deixadas ao arbítrio de governos fascistas. É muito provável que, dos Independentes, muitos não tenham reagido sequer por motivos políticos, mas por recusarem ao SNI autoridade moral e estética que lhe desse o direito de escolher uma representação nacional da arte portuguesa. O pobre do Estado Novo não pretende já ter uma estética própria, como quando um ministro da Educação ao ver o catálogo da representação a não sei qual das Bienais, bradava, arrepelando-se todo, que «aquilo» nunca mais se repetiria. «Aquilo» era a arte moderna... Regenerado sob esse ponto de vista, não se decide o Estado Novo a deixar de meter o nariz, e depois a pata, em assuntos de arte, para mostrar a sua autoridade ... moral. Resignou-se a não ser bota de elástico, mas faz questão de ser policial.

A propósito: o autor destas linhas acaba de saber que está proibida a publicação de artigos seus em Portugal – tratem eles do que tratarem. É o que se prova pelas informações que me chegam, não deixam margem a dúvidas. O ódio ao «nome» é um princípio comum aos fascismos peninsulares. Ainda me lembro de que uma das primeiras «medidas» tomadas pelo Franquismo foi... barrar a tinta preta o nome dos eruditos não-fascistas que prefaciavam os volumes da famosa colecção erudita «Clássicos Castellanos». O prefácio, as notas, etc. lá estavam -- mas desaparecia o nome. Boa ideia: vou ser autor anónimo, em Portugal, ou pseudónimo! Pois se o mal está apenas no nome!

Adolfo Casais Monteiro

Nota: texto publicado no jornal Portugal Democrático, em São Paulo, Brasil, e reunido no livro O País do Absurdo, textos políticos, edição Republica, Lisboa, Dez.1974.



quarta-feira, julho 02, 2008

Esquerda e cultura: o futuro já não é o que era


Esquerda e cultura: o futuro já não é o que era
4 e 5 Julho 2008 :: Lisboa, Fábrica Braço de Prata
ENTRADA LIVRE até às 22:00
Jantares sujeitos a inscrição
Concertos – Teatro – Gastronomia – Conferências – Exposições

terça-feira, julho 01, 2008

Liberdade

Nos meus cadernos da escola
Na minha carteira nas árvores
Sobre a areia e sobre a neve
Escrevo o teu nome

Em todas as páginas lidas
Em todas as páginas em branco
Pedra sangue papel ou cinza
Escrevo o teu nome

Na selva e no deserto
Nos ninhos e nas giestas
Na memória da minha infância
Escrevo o teu nome

Em cada raio da aurora
Sobre o mar e sobre os barcos
Na montanha enlouquecida
Escrevo o teu nome

Na saúde recuperada
No perigo desaparecido
Na esperança sem lembranças
Escrevo o teu nome

E pelo poder de uma palavra
a minha vida recomeça
Eu renasci para conhecer-te
Para dizer o teu nome

Liberdade.

(Paul Éluard, trad. por Jorge de Sena)

domingo, junho 29, 2008

Apresento-vos o Miró

Faz em Outubro 10 anos e foi encontrado na rua recém-nascido, esfomeado e infestado de pulgas. O João trouxe-mo enroscadinho no bolso de dentro do casaco. Criei-o como a um bébé. Muito assustado, cheio de medos, durante muito tempo não conseguia sequer fazer-lhe festas que não se encolhesse ou tentasse fugir. Foi-me fácil perceber que o tentaram matar, talvez asfixiar, mas inexplicavelmente, sobrevivera.
Chamei-lhe Miró para honrar a memória do pintor surrealista que mais se aproximou do universo infantil. E porque logo respondeu à chamada. É um gato com muita personalidade, que não gosta de toda a gente, e pressente quem não gosta dele. Não é mau, apenas tem mau feitio. Quando não gosta de alguém, não passa cartão. Esconde-se ou coloca-se num campo neutro. E sempre que essa pessoa passa perto, faz questão de mandar um sopro. Mas um sopro inofensivo. Detesta o barulho do aspirador. E talvez por isso não gosta nada da empregada que vem cá a casa. Já lá vão 6 anos e a sra. Maria não consegue cativá-lo. Muito cauteloso, nunca come nada que não ronde e cheire primeiro. Mas também é muito afoito e coscuvilheiro. Sempre que ouve o elevador ou pessoas a falar nas escadas, desata a miar desalmadamente para que lhe abra a porta e o deixe ir ao patamar e como isso acontece raramente, deixa-me impaciente com tantos mios e correrias. Zanga-se, fica amuado. Deita abaixo tudo que encontra em cima da secretária. Provoca-me. Às vezes perco a paciência e fecho-o na casa-de-banho ou na varanda. Quando regressa faz-me montes de festinhas, lambidelas e marradinhas, muito desajeitadamente, como a pedir desculpa. Quando o deixo ir à escada fica deliciado. Espreita o elevador para ver as pessoas e depois esconde-se. Vai até à porta das vizinhas cheirar. Deita-se no chão e espreguiça-se de prazer. Por vezes sobe as escadas, ou então desce, mas depois assusta-se, sente-se em território desconhecido e começa a miar desesperado. Tenho que o ir buscar. É muito guloso e adora comer. Acho que aprendeu com a dona. Por isso não consigo pô-lo a dieta...
Adora a minha amiga Ângela e fica muito feliz quando ela nos visita e lhe dá miminhos. Conhece-a desde sempre e houve anos que foi connosco de férias para o Algarve, sem quaisquer problemas. Mas como é ela também quem nos leva no carro ao veterinário quando está doente e, antes, me ajuda a metê-lo na transportadora, tem uma reacção estranha durante uns tempos: sempre que a vê entrar esconde-se e não aparece sem que antes perceba se fomos ou não buscar a caixa transportadora... Há 2 anos esteve internado 10 dias, muito doente, quase à morte com uma grande infecção. Abriram-lhe a barriga mas não era daí. Por fim tiraram-lhe todos os dentes, completamente podres, e que afinal eram o foco infeccioso. Emagreceu muito, não comia, não reagia. Esteve a soro. Os medicos não acreditavam que resistisse. Passei tardes junto dele a fazer-lhe festinhas e a levar-lhe toda a catervada de comida de bébé para o aliciar. Foi uma vitória quando começou a lamber-me as mãos e assim ingerir alguma comida... e a pouco e pouco melhorou!
Como é um gato muito activo e com grandes carências afectivas, sofrendo por ficar sozinho, decidi dar-lhe uma mana há 5 anos, a Elis Regina. Esta, ladina e esperta, faz dele o que quer. E não sei como, porque é muito mais pequenina, consegue sempre tirá-lo dos locais onde ele dorme tranquilamente para lá ficar ela! E o pateta está sempre a dar-lhe beijinhos, a lambê-la...
Um dia destes apresento-vos a Elis.

sábado, junho 28, 2008

Há silêncios que gritam

Não se fala de amor em línguas mortas
Não se consegue a lua rastejando
Não tens amigos se fechares as portas
Não há cravos se os fores arrancando

Não se constrói a força abandonando
As armas conquistadas a vitória
Não se faz o futuro regressando
Ao buraco que temos na memória

Não se avivam as tardes de vermelho
Com demãos de betume e tinta preta
Não se acende a manhã com papéis velhos
Não se chega sem ir em linha recta

in Vasco da Costa Marques, Algumas Trovas de Haver o Mar e Um Post Scriptum, Campo das Letras, 2003, p.82

sexta-feira, junho 27, 2008

Bento de Jesus Caraça: nos 60 anos da sua morte


Bento de Jesus Caraça nasceu a 18.Abril.1901 e faleceu a 25.Junho.1948
Imagem do funeral a 27.Junho.1948
«As ilusões nunca são perdidas. Elas significam o que há de melhor na vida dos homens e dos povos. Perdidos são os cépticos que escondem sob uma ironia fácil a sua impotência para compreender e agir, perdidos são aqueles períodos da história em que os melhores, gastos e cansados, se retiram da luta, sem enxergarem no horizonte nada a que se entreguem, caída uma sombra uniforme sobre o pântano estéril da vida sem formas.»
Bento de Jesus Caraça in A Cultura Integral do Indivíduo-Problema Central do Nosso Tempo. Conferência proferida em 1933 na Padaria do Povo em Lisboa
Nota: Sou possuidora de uma carta inédita de Bento de Jesus Caraça, escrita no dia do início da Segunda Guerra Mundial, com referências ao acontecimento. Em breve a darei a conhecer.

quinta-feira, junho 26, 2008

Resposta do Prof. Vitor Serrão

Na sequência do post aqui colocado no dia 10 de Junho acerca da distinção dada ao professor Vitor Serrão, recebi esta resposta que quero partilhar com todos.
«A Júlia, investigadora das artes da resistência, é uma mulher de causas e é, ademais, uma pessoa generosa como poucas. Agradeço a sua atenção e as suas boas palavras, bem como aos muitos amigos, colegas, companheiros de causas, que se associaram e, como ela, lembraram o acto. De facto, ao ser colocado de certa forma ao lado do pintor renascentista Gregório Lopes, que recebeu o grau da Ordem de Sant'Iago em 1520 numa gratificação oficial dos cavaleiros espatários, eu só posso sentir-me gratificado por ser -- como modestíssimo admirador da obra desse genial artista português do século XVI -- agraciado com a mesma comenda tendo nas memórias uma tão forte companhia espiritual... Esta coisa das condecorações do 10 de Junho tem muito que se lhe diga. Não se devem pedir, não se podem recusar, têm de ser encaradas tão-só enquanto estímulo de percursos que envolvem muitas outras gentes, no meu caso os muitos colegas e militantes patrimonialistas, as gerações de alunos e os investigadores de História da Arte, os professores da área, os técnicos de restauro e de conservação, os museólogos, os agentes culturais, etc etc. É assim que sinto a 'comenda': vejo-a sobretudo como um estímulo para que a História da Arte, neste país em que tem sido algo subalternizada, assuma mais e melhor a sua autonomização, a sua força interventiva, a sua importância pedagógica e a sua dimensão social. Há mais de trinta anos que tem sido essa a minha prioridade: dar a conhecer, inventariar, proteger, salvaguardar os bens, revalorizar as obras de arte, revelar as memórias perdidas dos artistas. Tudo tem um sentido. Tudo faz sentido quando se tratam as obras de arte como coisas que, de tão complexas e imperecíveis, ganham justamente dimensão na simplicidade imediata com que podem ser olhadas, podem ser peças falantes, testemunhos trans-contemporâneos... Em nome do sentido, da memória das coisas-arte e dos fascínios perenes dos objectos-estéticos -- parcelas indissociáveis do viver colectivo e dos diálogos vivos, rebeldes, críticos, incisivos, dos homens com o seu mundo --, preocupa-me cada vez mais este permanente questionar de estradas em nome da dignidade e da beleza possiveis, uma dimensão de humanidade e de comunhão de formas e ideias, sempre renovadas através do nosso olhar crítico. Poderia dizer muito mais, mas estas notas chegam. Afinal de contas, num mundo em mutação, onde urge aspirar o sentido dos valores da cidadania, da fraternidade e do igualitarismo possível, a defesa da cultura, do ambiente e do património artístico são cada vez mais a prioridade da política. Um abraço grato à Júlia, por se ter lembrado e, a esse propósito, ter lembrado coisas que são muito mais importantes que as vãs mundanidades das efemérides.»
vitor serrão

Carlos Pato: a morte em Caxias há 58 anos

Carlos Pato (1920 - 1950)
Foi há 58 anos, no dia 26 de Junho de 1950. Carlos Pato - Carlos Alberto Rodrigues Pato - que a PIDE prendera um ano antes (28 Maio 1949), morria na prisão de Caxias em grande sofrimento por problemas cardíacos e falta de assistência médica, após ter sido torturado. Os companheiros da cela, em desespero, contaram à família como tinham pedido ajuda e ninguém os atendera. A Pide quis enterrá-lo discretamente. A família não deixou. E o enterro fez-se para Vila Franca de Xira por entre uma terra inteira que chorava de dor e de revolta. Tinha 29 anos. Era casado e deixou dois filhos bébés: a Maria Clara, que tinha 8 meses quando prenderam o pai, e o João Carlos que nasceu 5 meses depois do pai ter sido preso.
Irmão de Octávio Pato, era empregado bancário e prestigiado dirigente associativo, pertencendo desde muito jovem ao movimento Neo-Realista que à sombra de Redol e de Soeiro pela zona ribeirinha se implantara. E foi precisamente Alves Redol quem, um ano após a sua morte, prefaciou «Alguns Contos», um pequeno livro com três contos seus, que os amigos editaram. Aqui fica esse prefácio e a minha homenagem a uma vítima da PIDE que a História silenciou.


«Quiseram os teus amigos mais íntimos que palavras minhas acompanhassem a publicação de alguns contos que escreveste. E nunca a nossa maravilhosa língua, a língua do povo que tanto amavas, e por quem deste tudo o que de mais precioso tinhas para legar, a mesma com que os teus filhos hão-de contar de ti aquilo que mereces, nunca a nossa maravilhosa língua se tornou tão incapaz para exprimir aquilo que era preciso dizer-se neste primeiro aniversário da tua morte.

Vejo-te ainda... Vejo-te sempre! Compreensivo e digno, amoroso e forte, aberto às melhores promessas dos nossos dias, sensível à dor alheia, rebelde para as injustiças, e bom, sempre bom, com esse sorriso tão suave que era a imagem de ti próprio, que era o reflexo dum coração onde não cabia o ódio nem a cobardia... Vieste com a mesma simplicidade dos camponeses que idolatravas, dos camponeses que eram carne da tua carne, e de quem herdaste essa calma interior, e essa espantosa força interior, que faz de cada um deles um herói sem nome – e que faz de todos eles a grande certeza, onde se alicerçou a independência nacional, e donde surgirá a pátria livre que ambicionavas para todos nós. Nem esse maravilhoso heroísmo te faltou – o dos sacrifícios anónimos e dos sonhos guardados mas nunca esquecidos, que tu, mais do que eles ainda, quiseste tornar vida.

Vejo-te ainda... E sempre! Como um desses homens que traz o futuro no coração, e para quem o futuro não é essa coisa mesquinha do egoísmo individual – do meu ou mesmo do nosso – mas essa seara sublime de espigas sem dono que o mundo todo guardará para si... Como um desses homens que não mede a vida da humanidade pela sua vida, e que se lhe exigem a sua, para que a outra seja mais digna de ser vivida, a oferece sem hesitações, alheio a recompensas... Como um desses homens a quem o cientista deve o seu laboratório, o artista a sua obra, o escritor os seus livros, as mães o direito de criarem os filhos nos seus braços e de os entregarem, só depois, puros, belos e dinâmicos para as tarefas da paz...

Como um desses homens para quem os poetas escreveram os seus poemas... Um José Gomes Ferreira: Volta-te e olha para a terra // - a carne da tua sombra //de flores acesa //Céu para quê?// O céu é para os que esperam //E tu morreste por uma certeza!
Ou um Carlos de Oliveira: Mais vivo porque sofreste //A morte não veio, foi-se // A eternidade constrói-se // Na beleza com que viveste.
Ou ainda num epitáfio de Sidónio Muralha que mereces na tua campa: Largos versos irrompem do teu silêncio de granito //E tu vives inteiro em cada grito //Tu que foste maior que todas as poesias.

Foi para homens como tu que estes versos se cantaram. Que o não duvide ninguém!... Porque só quem viu uma população inteira a pedir, para si, o teu corpo, a caminhar, em silêncio, de braços agarrados numa muralha de dor, que também era esperança, entre lágrimas espontâneas, como se todos, até mesmo as crianças, fossem acompanhar um filho, poderá entender o que tu eras para todos nós... Só quem viu mulheres e meninos do povo levarem-te raminhos de flores silvestres, numa homenagem que nunca conheci igual, e os teus amigos, e os teus companheiros de trabalho, e uma população inteira, todos sofrendo essa separação, numa angústia que estava mais no nosso sangue do que nos rostos torturados por esses golpe, é que saberá compreender e testemunhar que chorámos um Homem. Um Homem de que nos cumpre honrar o exemplo de dignidade e a lição de coerência.

Daí o sentir frustradas as palavras que te dedico, porque elas são incapazes de exprimir o que tu mereces e o que te devo...

-- Devo-te muito do que há-de ser o futuro do meu filho; devemos-te todos, mesmo os que te quiseram mal, alguma coisa da felicidade que virá para os filhos de cada um... E por isso te chorámos, e por isso te lembraremos sempre, mais ainda nas horas de alegria do que nos momentos de amargura.»

Alves Redol


Carlos Alberto Rodrigues Pato nasceu a 21 de Dezembro de 1920, em São João dos Montes, Vila Franca de Xira, embora tenha sido registado apenas em Janeiro de 1921. Era filho de Maria Rodrigues Pato e de João Floriano Baptista Pato.

Era casado com Clotilde da Silva Henriques Pato com quem teve dois filhos: Maria Clara da Silva Pato e João Carlos da Silva Pato que, à data da sua morte, tinham 20 meses e 5 meses respectivamente. Tem 3 netos: Rita, Gonçalo Pato e Nuno Pato.

Residia na Rua Gomes Freire 15 - R/C em Vila Franca de Xira.

Era funcionário na delegação do Banco Nacional Ultramarino, em Vila Franca de Xira.

Era presidente do Ateneu Artístico Vilafranquense. 


julia coutinho

quarta-feira, junho 25, 2008

fodasefoice - exposição de Nuno Ramos

 


Nuno Ramos nasceu em São Paulo, no Brasil, em 1960. Filho do português Vitor Ramos,  que daqui fugiu a Salazar e no Brasil formou família e fez carreira académica, o Nuno é um artista plástico de grande personalidade e prestígio internacional, com uma carreira feita de muito trabalho e de alguns prémios também. Em Portugal é a primeira vez que expõe individualmente.
Poderão vê-lo na Galeria Bernardo Marques, Rua D. Pedro V, 81, em Lisboa, de terça a sábado, das 11:00 às 19:00. Saibam mais do Nuno aqui.

terça-feira, junho 24, 2008

Maria Judite de Carvalho (1921-1998)




Maria Judite de Carvalho (18-09-1921 - 18-01-1998) 


Sempre gostei de Maria Judite de Carvalho. Da sua escrita comum, quotidiana e arguta mas também perturbadora, dorida e solitária. De quem observa mas se quer invisível. Alguém que não quer importunar nem impor. Que se apaga e silencia. Um mundo pessoal e restrito. Mas que abarca a infinita dimensão do sofrimento humano. Ela própria a sua dor mais funda. Parece que nos deixou ontem, mas já passaram 10 anos. Num momento em que as mulheres se juntam para se questionarem, apeteceu-me lembrar esta mulher que não merece o silêncio a que a votaram. 
Ficam três poemas do livro póstumo «A flor que havia na água parada», editado pela Europa América.



Eu dantes tinha olhos verdes

Só agora reparei
Verdes, viam tudo verde
por que eram verdes, não sei. 

Sorriam àquela flor
Que havia na água parada
Verde flor, na verde água
da vida transfigurada.

Hoje olham e reconhecem
que há muito mais cores para ver.
Cor de flor, que logo esquecem 
Cor de charco a apodrecer.


*
 


Há hoje um cheiro a partir 
um cheiro a não estar aqui, 
um cheiro a mar verde-pálido, 
de algas soltas, sem raízes. 
Estou no cais mas não saí. 
Tenho um passaporte inválido 
para todos os países.


*

Somos do país do sim

o da tristeza em azul 
Tudo o que existe é assim 
neste sul. 
Mostramos o sol e o mar 
e vendemo-lo a quem tem, 
para podermos aguentar 
o que vem 
Ah país de fato preto 
meu país engravatado 
do grande amor em soneto 
da grande desgraça em fado.









Um presente para todos. Deliciem-se

Obrigada à minha amiga Ermelinda

segunda-feira, junho 23, 2008

Hoje, 19H - Livraria Assírio & Alvim

Hoje, 23 de Junho, 2ª feira, 19 H
um retrato de Emma Goldman
por Clara Queiroz
apresentado por Irene Pimentel

Livraria Assirio & Alvim
R Passos Manuel 67-B


«Se não puder dançar esta não é a minha revolução» (Emma Goldman)

sábado, junho 21, 2008

M Teresa Horta: a minha solidariedade

No caderno Inimigo Público de 6 de Junho, leio:
"De 26 a 28 de Junho vai realizar-se um Congresso Feminista na Fundação Gulbenkian, organizado pela União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), cujas organizadoras prometem não queimar soutiens, para contrariar o estereótipo. "Nós somos mulheres modernas. Vamos destruir o novo símbolo da sujeição da mulher à vontade masculina: os implantes de silicone. Mas como eles são resistentes ao calor, vamos explodir duas tetas falsas, como os taliban fizeram aos dois budas Bamyan", explicou Maria Teresa Horta, uma das feministas envolvidas no congresso. "E aconselhamos vivamente todas as mulheres a verem o filme 'Sexo e a Cidade' e a não comerem pipocas, mas testículos de porco salteados, como forma de mostrar o desprezo pela pseudo- superioridade masculina", concluiu."
Acho inadmissível que um jornal sério, como o Público, se esconda atrás de um suposto caderno humorístico para ridicularizar um acontecimento tão relevante como o próximo Congresso Feminista. Execrável ainda que, para atingir esses fins, salte por cima de toda a ética e vá buscar o nome de uma feminista de primeira linha como a Maria Teresa Horta, colocando na sua boca palavras que nunca proferiu. Como pode um orgão de comunicação social, que deveria informar, permitir-se achincalhar um acontecimento como o que vai ocorrer no proximo fim de semana? E como pode insultar Maria Teresa Horta, uma mulher a quem todas as mulheres portuguesas devem alguma coisa? Pode não se concordar com as suas posições, pode não se ter qualquer simpatia pelas suas ideias, mas o que não pode deixar de existir é a ética no trabalho jornalístico e o respeito que se deve a todas as pessoas. Como mulher, sinto-me igualmente insultada. Aqui deixo a minha solidariedade à Teresa.

sexta-feira, junho 20, 2008

Venham ao Restaurante Baía, no Seixal

A Lurdes e o Vitor Sarmento tomaram conta do Restaurante Baía (na magnífica baía do Seixal) e imprimiram-lhe os traços da sua personalidade. Quem lá fôr almoçar ou jantar encontrará no Baía uma comida excelente que fez com que já antes obtivesse alguns prémios gastronómicos, mas também almoços a preços mais económicos para quem por ali trabalha, a par de um ambiente óptimo para quem, à noite, gosta de jantar num ambiente de amigos e ao som da música popular portuguesa.
A cultura e a gastronomia de mãos dadas, com exposições temporárias dos nossos artistas plásticos. No momento encontra-se patente uma mostra do excelente fotógrafo Dionisio Leitão. Apareçam por lá.

quinta-feira, junho 19, 2008

Jose Dias Coelho (1923-1961)



Se fosse vivo, o escultor José Dias Coelho, faria hoje 85 anos.
Nasceu em Pinhel, em 19 de Junho de 1923 e foi morto por uma brigada da PIDE na antiga Rua da Creche (actual Rua Jose Dias Coelho) no dia 19 de Dezembro de 1961. Tinha 38 anos. 
Artista plástico, estudou na Escola de Belas-Artes de Lisboa, de onde foi expulso por um ano (daquela e de todas as escolas do país) em 1952, num processo escolar que envolveu 81 alunos por se terem solidarizado com o colega Antonio Alfredo, acusado de ter inscrito a palavra PAZ nas paredes da escola. 
Expôs nas EGAPs, Exposições Gerais de Artes Plásticas (1946-1956), na SNBA, e pertenceu, com muitos outros, à sua equipa organizadora. 
Grande activista do MUD Juvenil liderou a Comissão de Escola de Belas Artes e integrou a sua direcção universitária em 1947 quando o processo de luta estava ao rubro com a prisão consecutiva de todos os principais dirigentes. 
Militante do PCP desde 1942, ligado inicialmente às Juventudes Comunistas, passou à clandestinidade em 1955. 
Quando o mataram era o responsável pelo Sector Intelectual na Direcção do Comité Local de Lisboa.
 
João Abel Manta, um amigo de sempre, lembrou-o assim em 1974.
















quarta-feira, junho 18, 2008

Hoje, 18h30, Livraria Círculo das Letras

cristal da pele
poemas por dentro das mãos
de José Manuel Carreira Marques
com desenhos inéditos de Jorge Vieira
apresentação da obra por José Manuel Mendes
18.Junho, 18h30, Livraria Círculo das Letras
Rua Augusto Gil, 15 B

terça-feira, junho 17, 2008

Caldas da Rainha está quase de luto ...

Leio na Gazeta das Caldas e nem acredito. A Secla, essa fábrica mítica da minha infância, pioneira na inovação artística do design cerâmico e que deu emprego ao grosso dos homens e mulheres da minha terra, está condenada a fechar no final de Junho. Leio, mas recuso-me a crer. Não é possível que as entidades locais assistam a este descalabro e nada façam. Que o governo central igualmente lave as mãos. Que se deixe destruir um património cultural de referência local e nacional. E que se atire para o desemprego as inúmeras pessoas que ali trabalham, famílias inteiras em alguns casos, a maioria apenas conheceu aquele emprego.
Da Gazeta das Caldas de 13 Junho último:
«(...) um dos aspectos inovadores e mesmo revolucionários foi a existência [na Secla] de um atelier de criação, institucionalizado por um dos fundadores, Pinto Ribeiro (...) Por este atelier passaram algumas das figuras mais importantes da arte portuguesa, como Hansi Stael, Júlio Pomar, José Aurélio, Alice Jorge, António Quadros, Ian Hird, Ferreira da Silva, José Santa Bárbara e Miriam Câmara Leme.»

segunda-feira, junho 16, 2008

Convite

Para além da escrita . uma escrita feminina?
Dia 18 de Junho, 4ª feira, às 18H00,
no Auditório 1 da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas,
Avenida de Berna, 26-C, Torre B – em Lisboa

Faces de Eva – Estudos sobre a Mulher convidou os escritores, Prof. Doutores Teresa Rita Lopes, Nuno Júdice, Ana Luísa Amaral e Maria Lúcia Lepecki a participar numa sessão a propósito do tema:
Para além da escrita.uma escrita feminina?
Os quatro nomes referidos são os de grandes poetas, ensaístas e críticos literários. Qualquer dos oradores representa todo um universo capaz de nos mobilizar pela palavra, pela poesia que conferem à escrita. Escutar o que pensam sobre a escrita feminina, se a escrita tem género, contrariar o mainstream … tanto ainda a questionar. Perfis muito distintos, da pluralidade dos seus trabalhos e da força das suas convicções surgirá porventura a âncora para a discussão a ter lugar.

domingo, junho 15, 2008

Belas-Artes e Segredos Conventuais, um livro de Rocha de Sousa

João Rocha de Sousa (n, 1938)





Belas-Artes e Segredos Conventuais é o livro que tardava e que em boa hora Rocha de Sousa acaba de lançar. Não é ainda o livro da história do ensino artístico que precisamos, mas vem dar um contributo fundamental para que essa História, finalmente, se comece a fazer. Este é o livro que faltava sobre a realidade da Escola Superior de Belas Artes de Lisboa a partir da reforma de 57. Diz-nos dos contornos de um ensino obsoleto e desfasado, dominado por docentes no auge do anacronismo e onde não se vislumbrava sequer esboço de modernidade.

Foi escrito por quem sentiu a opressão como aluno e professor na velha escola de Lisboa e assistiu a reformas que nada reformaram. Que ali viveu o antes e o depois do 25 de Abril. Alguém que ama a Arte e o ensino artístico, e sabe que a Memória é a principal aliada da História.


livro editado pela Tartaruga, 2008



Palavras do autor ao JL de 4 do corrente:

«Desde os anos 50 à actualidade, o livro aborda os aspectos históricos concretos das várias reformas que houve na Belas-Artes, mas não com um carácter histórico ou de memorando. (...) é um romance que vai mostrando a vida do universo escolar numa altura particularmente estreita e amordaçada - o que era imposto pela própria direcção. É, sobretudo, uma memória, uma denúncia, e também uma nostalgia de certas coisas que se perderam no meio dos cercos feitos a cada um dos alunos. (...)»
(...)
«Fiz toda a minha carreira a partir de uma escola extremamente antiga e desactualizada para a época - que nos traumatizava por isso. Tínhamos que desempenhar os nossos talentos fora, em ateliers. (...) Enquanto professor, fui perseguido pelo director, numa altura em que tentei furar esse cerco da escola. (...) foi uma luta alucinante contra governos absolutamente autistas, para fazer ver que as artes são indispensáveis à formação e desenvolvimento do país.» (...)

Como apresenta Belas-Artes e Segredos Conventuais?

«Diria que o livro se refere, em parte, à realidade do ensino artístico português, que foi sendo transformado por algumas reformas, sempre atrasadas cerca de trinta anos. É preciso ter consciência dessa realidade, mesmo tendo já passado. Especialmente porque a maior parte dessas coisas se mantiveram e continuam a ser parte da natureza do país.»

Obrigada, prof. Rocha de Sousa.


julia coutinho









NOTA: O livro foi editado pela Tartaruga, e encontra-se à venda nos seguintes locais: Livraria Sá da Costa (Chiado), Livraria Ler (Campo de Ourique), Livraria da Faculdade de Belas-Artes, Galeria Valbom (av Conde Valbom 89-A) e em breve na Buchholz.
Mas basta ligarmos para a editora através do 919228593, fornecer os dados, e o livro chegará no dia seguinte, à cobrança, via CTT. Foi o que fiz.

sábado, junho 14, 2008

A minha homenagem a Mirita Casimiro (1914-1970)

Vasco Santana (1898-13.6.1958) faleceu quando Lisboa festejava o seu santo padroeiro e o país era atravessado pelo "furacão Humberto Delgado". Jorge Leitão Ramos evoca agora, passados 50 anos, o actor que reinou na comédia portuguesa sem contudo esquecer Mirita Casimiro (1914-1970) a actriz com quem formou, durante anos, uma dupla imbatível, e depois perseguiu. Aqui fica uma faceta menos conhecida e pouco agradável do grande actor português.

"O homem das mulheres
A faceta de conquistador de Vasco Santana ficou lendária. Lendários ficaram também os amores mais duradouros, como os que teve com as actrizes Arminda Martins (com quem teria o futuro actor Henrique Santana), Aldina de Sousa (que viria a morrer em pleno sucesso de «O Meu Menino», em 1930, e foi mãe do segundo filho de Vasco, José Manuel) e, sobretudo, Mirita Casimiro.
No pequeno meio teatral lisboeta, Vasco terá conhecido a azougada beirã que descera de Viseu a Lisboa para se tornar uma das mais amadas actrizes do seu tempo, logo em 1934, quando se estreou na revista «Viva a Folia!». Em Maio de 1936 pisam pela primeira vez o palco, numa festa artística de Lucília Simões, fazem mais alguns trabalhos e, em 1937, estão juntos à cabeça do cartaz da revista «Olaré Quem Brinca». Entre os dois gerara-se uma paixão tumultuosa que toda a Lisboa havia de saber e seguir. Chegariam a casar (em 14 de Agosto de 1941), mas o mais importante foi a dupla que encabeçou êxito atrás de êxito, nessa primeira metade dos anos 40 em que a Europa estava em guerra, por aqui se vivia a neutralidade que Salazar assegurara e Lisboa, por uma vez, se tornava cidade cosmopolita, com o seu corrupio de refugiados, alguns deles célebres - e com direito, até, a figurar como miragem da liberdade no célebre «Casablanca».
Mirita Casimiro e Vasco Santana estiveram no Olimpo do teatro até 1946 - a grande girândola foi a revista «Alto Lá com o Charuto», meses e meses em cartaz no Variedades. Mas a paixão feneceu, o casamento desmoronou-se com escândalo, e Mirita iria penar em produções de segunda linha, já que o poder de Vasco Santana no teatro português era então suficiente para praticamente a banir da ribalta. E foi o que fez - uma faceta menos divertida do actor bonacheirão. 
Mirita Casimiro partiria para o Brasil no final da década, e a sua carreira nunca mais se recompôs." 
(Jorge Leitão Ramos in Actual, Expresso 13.6.2008)



Mirita Casimiro em Maria Papoila, o filme de Leitão de Barros, de 1937

no livro ‘Quando os Vascos eram Santanas’, Beatriz Costa traçou-lhe o retrato numa frase lapidar: "Mirita foi a maior de todas nós, embora a menos feliz

Ler mais em: http://www.cmjornal.pt/mais-cm/domingo/detalhe/sem_saudades_na_lembranca_disse_adeus
Mirita Casimiro, de seu nome Maria Zulmira Casimiro de Almeida, nasceu em Espinho quando a familia ali passava férias, em 10 Outubro 1914, mas sempre se considerou viseense já que de Viseu era toda a família e em Viseu foi criada. Era neta do grande cavaleiro tauromáquico Manuel Casimiro de Almeida, sendo também o pai e os irmãos ligados à chamada festa brava.

Cansada de ser discriminada e boicotada em Portugal pelos principais empresários de revista, Mirita Casimiro parte para o Brasil em 1956 já com o segundo marido, o jornalista João Jacinto, e uma filha de ambos. Regressou apenas em 1964, seis anos após Vasco Santana ter falecido.

A partir de 65 trabalhou com o TEC, Teatro Experimental de Cascais, vila onde residia, e com eles fez peças como A Casa de Bernarda Alba, de Garcia Lorca,  Mar, de Miguel Torga, sendo de destacar o êxito de A Maluquinha de Arroios de André Brun que esteve um ano em cena.

Porém, em 1968 sofreu um grande desastre de viação com a actriz a ter de ser desencarcerada com graves traumatismos que a deixaram desfigurada e impossibilitada de voltar aos palcos. Entrou, então, numa espiral depressiva. Doente e cada vez mais isolada, sem o acolhimento ou reconhecimento esperados, acabou por suicidar-se com ingestão de comprimidos em 25 de Março de 1970. Foi sepultada em Viseu. Tinha 55 anos.

Beatriz Costa, que a conheceu bem, dedicou-lhe as seguintes palavras no livro de memórias Quando os Vascos eram Santanas:  «Mirita foi a maior de todas nós, embora a menos feliz».

no livro ‘Quando os Vascos eram Santanas’, Beatriz Costa traçou-lhe o retrato numa frase lapidar: "Mirita foi a maior de todas nós, embora a menos feliz."

Ler mais em: http://www.cmjornal.pt/mais-cm/domingo/detalhe/sem_saudades_na_lembranca_disse_adeus
no livro ‘Quando os Vascos eram Santanas’, Beatriz Costa traçou-lhe o retrato numa frase lapidar: "Mirita foi a maior de todas nós, embora a menos feliz."

Ler mais em: http://www.cmjornal.pt/mais-cm/domingo/detalhe/sem_saudades_na_lembranca_disse_adeus
no livro ‘Quando os Vascos eram Santanas’, Beatriz Costa traçou-lhe o retrato numa frase lapidar: "Mirita foi a maior de todas nós, embora a menos feliz."

Ler mais em: http://www.cmjornal.pt/mais-cm/domingo/detalhe/sem_saudades_na_lembranca_disse_adeus
Julia Coutinho

sexta-feira, junho 13, 2008

Façamos da Memória uma bandeira

Hoje é sexta-feira 13. Não, não sou supersticiosa. Tal como sou ateia, sou avessa a superstições. Gosto do 13 e era preto o meu primeiro gato. À parte o facto de hoje ser feriado municipal em Lisboa, por via do santo casamenteiro, quem eu quero mesmo aqui lembrar são dois homens singulares que no mesmo dia, em 2005, um em Lisboa e outro no Porto, nos deixaram fisicamente: Álvaro Cunhal (1913-2005) e Eugénio de Andrade (1923-2005). Um político e outro poeta, com percursos de vida diferenciados, mas ambos amantes da arte e admirando-se mutuamente, entregaram-se aos valores em que acreditavam, tendo-nos legado um património político, cívico e cultural sem paralelo. Todos os portugueses são subsidiários da sua obra e do seu exemplo. Que a nossa Memória colectiva saiba merecê-los.
Rotina
Passamos pelas coisas sem as ver, //
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,//se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,//vamos caindo ao chão, apodrecidos.
Eugenio de Andrade

quarta-feira, junho 11, 2008

Vasco Gonçalves, o militar que o povo mais amou

General Vasco Gonçalves (1922-2005)



Foi no dia 11 de Junho de 2005 que faleceu o general Vasco Gonçalves.

"Não morreu mais um de nós, morreu o militar que o povo mais amou, pois orientou sempre a sua vida na luta pelos mais desfavorecidos, pelos soldados e pelo seu povo, como dizia"
- palavras do militar de Abril, coronel Nuno Pinto Soares.

O povo simples e mais desprotegido amou-o. Para todos nós ele era o "Companheiro Vasco". Muitos portugueses tiveram férias pela primeira vez, outros, habitação e assim sucessivamente.

Jovem que era, também eu lhe sou devedora por ter podido concretizar o desejo de alugar casa própria, mercê da Lei do Arrendamento que promulgou e que, entre outras medidas, congelou as rendas até à reorganização do sector e proibiu a especulação do sub-arrendamento, um procedimento corrente. Desde 73 que pagava balúrdios por um pequeno apartamento sub-alugado. Graças a estas medidas pude negociar directamente com a senhoria e passar o contrato para meu nome, ficando a pagar um terço da renda que pagava à senhoria fictícia. Aos pobres estava a ser devolvida a dignidade.

Foi perseguido. Foi caluniado. Foi apelidado de louco.

Acredito que a História um dia lhe fará, finalmente, Justiça.

julia coutinho




terça-feira, junho 10, 2008

Parabéns, Vitor Serrão

Hoje, 10 de Junho de 2008, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, foi agraciado com a Comenda da Ordem de Santiago da Espada, Vítor Manuel Guimarães Veríssimo Serrão, professor catedrático da Faculdade de Letras de Lisboa. Um grande Investigador a quem a História da Arte Portuguesa, em especial dos séc. XV a XVIII, muito deve.

Pioneiro das questões do Património, ao seu esforço metódico e militante se deve muito ou quase tudo do que existe estudado e inventariado neste campo. Um grande Mestre que tive a honra de ainda ter como professor no meu último ano de faculdade. Um grande Humanista para quem os valores da amizade e da solidariedade são práticas de vida. Homem discreto e avesso aos holofotes das lisonjas públicas, porventura mais reconhecido lá fora do que cá dentro, sempre a mim me pareceu que aos nossos governantes lhes era indiferente o trabalho realizado nesta área. Como se a Arte fosse o parente pobre da cultura. E, no entanto, desde que o Prof. Vitor Serrão tomou conta do Instituto de História da Arte da Faculdade de Letras de Lisboa, assistiu-se a uma dinâmica qualitativa que ninguém hoje pode ignorar. A ele se deve, entre outras iniciativas relevantes, o lançamento da revista ARTIS e a criação do Mestrado em Estudos do Património.

Sempre me perguntei como era possível agraciarem-se anualmente as mais diversas personalidades de todos os quadrantes sócio-politicos, da cultura e até do entretenimento e desvalorizar-se a nossa História da Arte. Como podem os nossos governantes da cultura ignorar a forma séria, disciplinada, honesta e persistente como a arte vem sendo estudada, inventariada, sistematizada, ensinada e reflectida por Vitor Serrão?

Com esta distinção da parte do Estado começa a fazer-se justiça. “A arte é tão importante que pode legitimar as mais horríveis ideologias”, diz ele numa entrevista recente. Sugiro que a leiam.

quinta-feira, junho 05, 2008

A lucidez da distância

Da entrevista de Maria de Medeiros ao JL de 4 de Junho:

Como se vê Portugal aí de fora?

"Encheu-me de orgulho a adaptação do Ensaio sobre a Cegueira, por Fernando Meirelles. (...) É importante que o mundo se aproprie dos nossos artistas, que os trate e os interprete. O filme de Saura, sobre os fados, emocionou-me muitíssimo. O Portugal que vale é o que está aberto ao mundo, se deixa apropriar. Não aquele fechado sobre si mesmo, com nostalgias absurdas. Como se pode ter nostalgia de tempos negros e opressivos? Quando vou a Portugal choca-me a catadupa de livros, séries e produtos à volta de Salazar. Parece-me um absurdo. Nos outros países não há uma nostalgia assim de um ditador. Romantiza-se um período, ocultando o horror da tortura e da guerra."

Absurdo e pouco ético, dizemos nós. As editoras descobriram a galinha dos ovos de oiro. Quem escreve, também. E os leitores vão sendo intoxicados.

terça-feira, junho 03, 2008

O cravanço das maquinas encravadas

Ainda me lembro da pesada máquina de escrever mecânica onde me iniciei na escrita e da alegria quando comprei uma portátil. No início dos anos setenta troquei-a por uma eléctrica e sentia-me voar. Os toques nas teclas seguiam ao ritmo do pensamento. Hoje a electrónica invadiu as nossos vidas e já não prescindimos das milhentas máquinas e maquinetas automatizadas que nos impingem. Dos PC´s e da parafernália de acessórios. Dos telemóveis de várias gerações e afins. Consumistas compulsivos, trocamos estes objectos pelos modelos actualizados ou com design mais vistoso que o mercado nos oferece. Tornámo-nos electro-dependentes.
Também na via pública hoje dispomos de alguns serviços automáticos. Junto da minha casa tenho um posto dos CTT que me vende as franquias postais. Uma maquina para venda de preservativos à entrada da farmácia do meu prédio. Para já não falar nas caixas do multibanco.
Acontece que há dias meti cinco euros na maquina dos CTT e fiquei sem o dinheiro e sem os selos. Encravou, simplesmente. Telefonei. Fiz queixa. Recebi, passados dias, uma carta com um pedido de desculpas e... cinco euros em selos do correio! Pasmei. Afinal a burocracia já não é o que era. Há coisas que funcionam, e o serviço de Apoio aos Clientes dos CTT, funciona mesmo.
Poderei dizer o mesmo da CP ? Hoje precisei de viajar na linha de Cascais e tive que servir-me das máquinas automáticas para compra dos bilhetes. Com a pressa marquei para o fim da linha, Cascais (queria Parede). Tinha a pagar 1,65 euros. Coloquei 2 euros na ranhura. Recebi o bilhete e, em vez do troco, a mensagem "esta caixa está momentaneamente impedida de dar trocos" !
No regresso comprei bilhete nas máquinas de São Pedro. Marquei para o Cais do Sodré e constatei, estupefacta, que o valor pedido era o mesmo: 1,65 euros, correspondente ao transporte desde o início ao final da linha! Senti-me roubada. Tamanha desfaçatez no assalto ao bolso dos utentes causa indignação. Bem pode chamar-se o "cravanço" das máquinas encravadas.

MENSAGEM de Fernando Pessoa

Hoje - 3 de Junho - 18:30 H
Casa Fernando Pessoa

(clicar na foto)

sexta-feira, maio 30, 2008

Cartas a uma Ditadura

Se ainda não viu ... Não Perca !
"Documentário de Inês Medeiros que revisita a memória dos anos do salazarismo através do olhar e testemunho de várias mulheres, de diversos extractos sociais, que, em 1958, foram convidadas a manifestar o seu apoio a Salazar, em cartas laudatórias (...) aquando da campanha do General Humberto Delgado. Desde as mais fervorosas defensoras do ditador até às mais comedidas ou simples, em quem a propaganda surtia outro tipo de efeito, "Cartas a uma Ditadura" desmonta o regime e as suas estratégias de perpetuação."
Cinema Londres
Sessões: 14h15, 16h, 18h, 20h, 22h, 00h15

quinta-feira, maio 29, 2008

Quem se lembra do poeta?

Pedro Oom (1926-1974)
Foi pintor e poeta neo-realista, ligou-se depois aos surrealistas Cesariny, Mário Henrique Leiria e António Maria Lisboa.
A sua obra ficou dispersa, sendo reunida postumamente em livro. Morreu em Lisboa, em Abril de 1974. De emoção.


Pode-se escrever
Pode-se escrever sem ortografia
Pode-se escrever sem sintaxe
Pode-se escrever sem português
Pode-se escrever numa língua sem saber essa língua
Pode-se escrever sem saber escrever
Pode-se pegar na caneta sem haver escrita
Pode-se pegar na escrita sem haver caneta
Pode-se pegar na caneta sem haver caneta
Pode-se escrever sem caneta
Pode-se sem caneta escrever caneta
Pode-se sem escrever escrever plume
Pode-se escrever sem escrever
Pode-se escrever sem sabermos nada
Pode-se escrever nada sem sabermos
Pode-se escrever sabermos sem nada
Pode-se escrever nada
Pode-se escrever com nada
Pode-se escrever sem nada
Pode-se não escrever
Pedro Oom
Actuação Escrita
Lisboa, & Etc., 1980

assunto encerrado

Recebi ontem um telefonema muito correcto da parte do provedor da sonae, a quem apresentara queixa da Clix. Hoje escreveram. Lamentam. Apresentam desculpas. Facilitam a cedência da linha à nova operadora. Não vou pagar nada.
Gostei da atitude. Da frontalidade da resposta. Aqui fica o aviso: dirijam-se ao provedor sempre que vos acontecerem fenomenos idênticos. Eu só lamento não o ter feito mais cedo. Teria evitado um mês de conflitos e arrelias com os inevitáveis transtornos para a minha vida pessoal e profissional. Mas a verdade é que também não estava informada. Devo essa dica a minha amiga Tereza Afonso. Obrigada, amiga!

quarta-feira, maio 28, 2008

Centenário de Ian Fleming - Hoje no Estoril

Ian Fleming nasceu há 100 anos.
O acontecimento vai ser comemorado hoje, dia 28 de Maio, pelas 21 horas, no Estoril, no Espaço Memória dos Exílios (Marginal - 1º andar da antiga Estação dos CTT), com uma conferência sobre a vida e a obra do criador de James Bond, o mítico Agente 007, proferida por José António Barreiros, que também está a ultimar um livro sobre o mesmo assunto, a sair muito em breve.

terça-feira, maio 27, 2008

Ainda a mudança de operadora

A questão da mudança de operadora adsl ainda não terminou e quase roça a rasqueirice.
Faz amanhã um mês que a Clix me deixou silenciada à força. Dia 12 desisti. Desde o dia 14 tenho net e telefone de outra operadora.
Pois há dias recebi uma carta atenciosissima da Clix dando-me as boas-vindas e informando que desde o dia 16 sou sua cliente, com todos os direitos e deveres. Imagino que isto queira dizer que estão a facturar-me.
E hoje, dia 27, via ctt, chegou o kit com o modem para a linha adsl!
Um mês depois de me terem desviado a linha e deixado muda...
Foi comigo. De contrário teria dificuldade em acreditar.

violência doméstica é crime

Passam hoje oito anos que a Lei consagrou a violência doméstica como um crime público. E eu quero lembrar aqui, a minha mãe - Maria Helena Coutinho -, vítima paradigmática da mais atroz violência, numa curtíssima vida.
  • Nasceu de uma mãe-criança e foi estigmatizada por um "pai incógnito".
  • Casou por obrigação porque "eu" vinha a caminho.
  • Sofreu violências físicas e psicológicas de um marido que não quis.
  • Morreu de um aborto clandestino.
Foi no dia 1 de Maio de 1952. Em Caldas da Rainha. Tinha 24 anos. Deixou três crianças, a mais velha com 4 anos, eu.
Jurei que a minha vida seria diferente. Que lutaria por ela e por todas as Mulheres que, como ela, foram imoladas neste longo caminho pela emancipação e instauração dos Direitos Humanos. Por todas as Mulheres que, com a aprovação da Lei da Violência Doméstica e, depois, com a Lei do Aborto começaram, finalmente, a ser justiçadas no nosso país.
Através da minha mãe aqui fica a minha homenagem às "Mulheres do Meu País" (como diria Maria Lamas) num momento em que se prepara um Congresso Feminista, 80 anos depois do primeiro, organizado em 1928 pelas corajosas Mulheres da I República.

domingo, maio 25, 2008

Resgatar a Memória

Há tempos numa palestra ouvi que os astros influenciam a nossa vida e muitos dos nossos empreendimentos estão potenciados desde que nascemos. Alguns seres transportam mesmo uma espécie de missão para a qual frequentemente se sentem compelidos e que abraçam ou não. Sinto-me tentada a acreditar.
O meu amigo João Manuel Firmino lançou agora O Crime dos Velhos da Camarra, onde resgata a memória do bisavô, João Baptista Firmino, um livre-pensador, republicano, maçon e carbonário que, na transicção do século XIX para o século XX é acusado, injustamente, de um crime, no Barreiro, e acaba por morrer na Cadeia do Limoeiro, precisamente quando a análise das provas o ilibavam. Um crime sinistro, num tempo de grandes convulsões politico-sociais e que ficou impune.
Para escrever este livro, o João passou os ultimos anos retirado do mundo. Tirou licença sabática e prejudicou a carreira. Deixou de ter tempos livres. Afastou-se dos amigos. A família teve que aceitar a sua ausência. Passou a viver entre arquivos, bibliotecas, livros e documentos. Só descansou quando finalmente o livro foi editado e posto em circulação. Fui ouvi-lo no dia 18. Fazia anos que morrera, de vergonha e sofrimento, 0 bisavô, esse homem que agora resgatara finalmente do silêncio de mais de um século. Missão cumprida.

sábado, maio 24, 2008

O nóvel Museu do Oriente

Inaugurou no passado dia 8 de Maio, por iniciativa da Fundação Oriente. Fica em Alcântara, no enfiamento do viaduto que vem da Infante Santo e atravessa a marginal. Aproveitou um edifício típico da arquitectura estadonovista dos anos quarenta, concebido pelo Arq. João Simões em 1939, com belíssimos painéis fronteiros em baixo-relevo do escultor Barata Feyo. Concebido para armazém-frigorífico portuário, estava há muito abandonado. Foi agora recuperado, modernizado e adaptado para Museu pelos Arqts. João Luis Carrilho da Graça e Rui Francisco, tendo estes respeitado o essencial da traça primitiva.
Excelentes instalações. Com grande amplitude e cinco pisos, três são dedicados às exposições (2 permanentes e 1 temporárias). Dispõe de restaurante no último piso, um excelente auditório e uma zona de reuniões, enquanto nos inferiores funcionam a loja e livraria, o centro de cocumentação e uma cafetaria.
Só não gostei da decoração e iluminação das exposições. Salas muito escuras (predomínio do negro) e com pouquíssima visibilidade. Talvez tenham enveredado pelo que tecnicamente melhor serve os objectivos de conservação mas, esteticamente, não resulta. Também a temperatura estava baixa em demasia. Desagradável. E por que não gravam as letras nas portas em vez do papel autocolante que evidenciam?
Quanto aos conteúdos nada temos a dizer. São francamente bons. De repente somos transportados para o meio de culturas e ambiências longínquas e estranhas mas que se vão interpenetrando até nos chegarem a soar familiares. Sobretudo se iniciarmos a visita pelo segundo piso em sentido descendente.
Sugiro que vão até lá. Vale a pena.

quarta-feira, maio 21, 2008

Bartolomeu Cid dos Santos (1931-2008)

Faleceu hoje. Em Londres, cidade onde viveu a partir de 1961, convidado que foi para ensinar na Slade School of Fine Arts, precisamente onde antes (1956-58) se especializara em Gravura com Anthony Gross.
Tive o privilégio de conhecê-lo em 2001 por intermédio de Sá Nogueira tendo-me recebido algumas vezes no atelier da casa que tinha na zona histórica de Sintra. Um atelier repleto de obras de arte e livros e com gavetas atulhadas de gravuras, esquissos e fotografias, sempre com música clássica por fundo, e onde me foi dizendo do tempo de estudante da Escola de Belas Artes de Lisboa, nos inicios de cinquenta, dos colegas e amigos e das lutas que empreenderam pela dignificação do ensino e pela legalização da Associação de Estudantes. Do MUD Juvenil e das reuniões e convívios que promoveu no enorme casarão onde residia, na António Augusto de Aguiar, na ausência dos pais. Das lutas politicas aquando da reunião da NATO em Lisboa, em 1952, e como na sequência disso foi instaurado um inquérito a 81 alunos da ESBAL, onde se incluía, terminando com a expulsão de alguns deles. Das gravuras que criavam para venda e angariação de fundos. Dos bailes e convívios culturais na SNBA com o mesmo fim. De como se discutia arte e política e se odiava Salazar. Das tertúlias que se fomentavam nos cafés com destaque para o Café Chiado onde as Belas-Artes assentava arraiais. Dos espectáculos vistos do galinheiro do São Carlos. Dos bailados da Margarida de Abreu. Do Coro do Lopes Graça, da Sonata e dos recitais de poesia na Academia dos Amadores de Música e na SNBA. Das Gerais de Artes Plásticas, na SNBA. De como a velha Casa dos Artistas passou a ser o ponto de encontro para todos os artistas oposicionistas. E também de como se abrigavam clandestinos e se fomentavam cadeias de apoios vários naqueles tempos sombrios. Das amizades, das cumplicidades, das solidariedades e de como em conjunto aprendiam a Vida.
Ofereceu-me o catálogo autografado daquela que foi a sua primeira exposição individual, em 1959, na SNBA, quando ainda assinava Bartolomeu Cid.
A ele devo a revelação e a discussão do artigo de António Vale (pseudónimo de Alvaro Cunhal) sobre Forma e Conteúdo, publicado na Vértice em 1954.
Um dia levou-me ao primeiro andar da casa de Sintra, abriu uma das enormes gavetas atulhadas e tirou de lá dois linólios, duas pequenas relíquias editadas pelo MUD Juvenil de Belas-Artes, em 1952. Comprara-as então. Não estão assinadas, por precaução conspirativa, e nenhum de nós conseguiu descortinar a autoria. Sugeri que as doasse ao Museu do Neo-Realismo. Anuiu de imediato. Mas, que ia primeiro mandar restaurá-las. Mais tarde haveria de escrever-me e repetir sempre que nos encontravamos: "já lá tenho as gravuras para dar ao Museu do Neo-Realismo!" Creio que ainda lá continuam... em Sintra.
Congratulou-se com o catálogo que escrevi sobre José Dias Coelho, editado pela CM de Pinhel em 2003, o camarada e amigo que o iniciou nas lutas politicas. Escreveu-me: "que eu saiba, esta é a primeira achega à obra do Zé Coelho. Parece-me no entanto (...) que a escolha das obras podia ter sido melhor. Também o design deveria ser melhor, muito melhor...". Tinha inteira razão.
Vi-o pela última vez em Maio do ano passado quando inaugurou uma exposição na Galeria Ratton, à Academia das Ciências. Uma exposição lindíssima onde explorava o sagrado (laico) e o profano. Achei-o muito cansado. Mas feliz, rodeado de amigos, alguns seus colegas quando estudantes no velho convento de São Francisco: Leonor Sena da Silva, Júlio Moreira, Augusto Sobral, José de Almada, Vasco Croft de Moura, João Vieira e outros.
Falámo-nos pelo 25 de Abril. Não podia ir ao jantar "Em Abril Esperanças Mil". Ia a guiar, como sempre dividido entre a casa de Sintra e a de Tavira, essa terra onde tinha o espaço privilegiado de trabalho e onde planeava terminar os dias, abrindo à comunidade um Atelier de Desenho!
Morreu em Londres. Mas vai regressar aqui e as cinzas serão lançadas no rio que banha a amada Tavira. Que saudades eu sinto desta ínclita geração que o tempo, inexorável, teima em fazer desaparecer. E como fazem falta pessoas como o Bartolomeu!

domingo, maio 18, 2008

Guerrilha das operadoras ADSL

Juro que não foi intencional esta minha ausência.
Explico-me. Vi-me obrigada a mudar de operadora arrependida já de ter aderido à Tele2 que, a troco de mensalidade menos onerosa, me deixara enredada em problemas técnicos e sem serviços de apoio ao cliente.
Firmei contrato com a Clix em Janeiro passado. Na altura tiveram o cuidado de enviar um estafeta a minha casa para recolherem a minha assinatura no contrato. Apesar de prometerem uma mudança rápida, um silêncio absoluto manteve-se durante quatro meses.
Subitamente, no dia 29 de Abril, sem quaisquer explicações, cortam-me a linha adsl e deixam-me sem net! Vésperas de feriado... fim de semana prolongado. Reclamo e dizem que mandaram por correio o kit da Clix com o modem... quando chegar é só meter o cd e configurar ... Passam dias, volto a reclamar e dizem que afinal não mandaram mas que tenho duas opções: ou espero que enviem por correio e demora uns 5 dias úteis, ou posso ir comprar a qualquer loja da especialidade !! Exijo que mo coloquem em casa.
E as desculpas repetem-se, sempre diferenciadas. Nunca consegui falar com o responsavel dos serviços de Apoio ao Cliente, ou sequer com a secretária.
Até que no dia 12 desisto e decido apresentar queixa à Anacom.
No mesmo dia adiro aos serviços da Sapo que, como sabem, pertence à rede PT. A 14 tinha um tecnico cá em casa para mudar a linha telefonica. Nesse mesmo dia passei a ter telefone e net.
Entretanto, no dia 16 recebi uma sms da Clix felicitando-me por ter aderido aos seus serviços !!!
Quanto ao kit com o respectivo modem nunca apareceu.

segunda-feira, abril 28, 2008

Vale a pena ver

Do João Callixto, um amigo do tempo em que ambos fizemos parte de uma lista para a direcção da Associação de Estudantes da Faculdade de Letras, a célebre Lista E, que nos anos noventa venceu por três vezes consecutivas as eleições para aquele orgão associativo (um dia escreverei sobre isso) recebi o link para um filme extraordinário que merece a maior reflexão e divulgação possíveis.
Sugiro que percam uns minutinhos e vejam o como e o porquê das coisas, como tudo acontece e, ainda, como nada se deve ao acaso.

http://video.google.com/videoplay?docid=-3412294239230716755&hl=en

Reflexões em torno de María Zambrano

30 Abril - 4ª feira - 18,30 horas

Casa Fernando Pessoa

R Coelho Rocha, 16


Zília Osório de Castro (presidente do grupo Faces de Eva - Estudos Sobre a Mulher ), António Cabrita, a quem cabe a apresentação, Isabel Lousada e Maria João Cabrita também responsáveis pela edição, são os nomes presentes na mesa que assinala, no próximo dia 30 de Abril, pelas 18h30, na Casa Fernando Pessoa, a publicação do mais recente número da revista Faces de Eva, dedicado à filósofa espanhola Maria Zambrano.
Reflexões em torno de María Zambrano reúne uma dezena de textos que, a montante, cresceram sobre a realização de um Encontro Ibérico, de título homónimo, realizado no Instituto Cervantes, a 22 de Novembro de 2007, e que com o apoio do Pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa vieram à luz. No seu todo incide sobre o universo de ideias zambraniano, cobrindo a pluralidade de sujeitos enfatizados pela filósofa – da estética à poética, passando pela fenomenologia; da mística à ética e à política – dando-nos conta de uma história que se encontra por fazer ou por contar.