quinta-feira, agosto 06, 2009

Saúdo e subscrevo

Saúdo e subscrevo inteiramente o documento abaixo, da autoria de um grupo de amigos e ex-camaradas de partido, publicado no jornal Público.


Num momento político em que se verifica um preocupante avanço das forças mais à direita, considerámos ser possível e justificável uma alargada candidatura de esquerda a uma autarquia com a relevância política, social, económica e cultural de Lisboa. Infelizmente, tal desígnio não foi alcançado nos termos procurados, o que deploramos. Tal facto não retira, antes acrescenta significado político à decisão tomada pelo “Movimento Cidadãos Por Lisboa” ao aceitar integrar uma candidatura já existente, alargando-a politicamente numa perspectiva de participação cívica e cidadã, passando assim a ser uma entidade politicamente diferente e mais aberta que uma lista António Costa/PS. Independentemente da condenação da politica global do governo PS, e ao invés das opiniões e práticas de algumas forças partidárias, no nosso entender esta decisão tornou mais viável a necessária derrota da direita/PSD/CDS/Santana Lopes em Lisboa, razão pela qual entendemos positivo o resultado a que se chegou, porque esta perspectiva de unidade à esquerda, mesmo parcelar, assente em princípios programáticos, será uma via mais favorável para o futuro da gestão de Lisboa e também, num sentido mais amplo, de fortalecimento e enriquecimento da nossa vida democrática.

Lisboa, 28 de Julho de 2009

António Avelãs
António Licínio de Carvalho
António Manuel Garcia
Domingos Lopes
Fernando Vicente
José Manuel Mendes
José Tavares
Paulo Sucena

sexta-feira, julho 31, 2009

António Costa para a CML


CLAAC - Cidadãos Lisboetas apoiam António Costa, movimento de que sou um dos 120 fundadores, foi lançado no passado dia 14 de Julho, no Café Martinho da Arcada, e o Manifesto então apresentado encontra-se disponível para ser subscrito por todos.
Pode ainda consultar-se o blog dinamizado por Armandina Maia, em http://claac.blogspot.com/


Apoio António Costa na recandidatura à Câmara Municipal de Lisboa, pelo trabalho sério, honesto, competente e consistente que manteve nestes dois anos de mandato e porque o projecto de que dispõe para a cidade necessita de mais tempo para concretizar-se.
Aprecio a sua capacidade assertiva de trabalhar com os outros e de procurar consensos. É um homem dialogante, que se esforçou para que houvesse uma convergência de esquerda para as próximas eleições autárquicas, o que não aconteceu por absoluta recusa do BE e do PCP.
Saúdo Helena Roseta e o seu movimento de cidadãos por ter compreendido, a tempo, o quão importante é a unidade para o futuro de Lisboa e dos lisboetas.
Portanto, sem quaisquer dúvidas, votarei António Costa.
Vamos à luta!
Júlia Coutinho
PS. E agora, meus amigos, vou de férias...

segunda-feira, julho 27, 2009

Linhas de Mudança. Debate para a Alternativa.


Lançamento
Hoje, segunda-feira, dia 27 de Julho, pelas 18 horas.
Associação 25 de Abril
Rua da Misericórdia, 95
com a presença de Manuel Alegre.

segunda-feira, julho 20, 2009

Parabéns, Fernando Vieira de Sá

Nasceu
em Lisboa
no dia
20 Julho
1914




O meu amigo Fernando faz hoje 95 anos !

Como ele recorda... «num tempo em que ainda não existiam maternidades e as crianças nasciam em casa, pelas 3 horas da madrugada do dia 20 de Julho de 1914, nasci eu. Segundo dizia o meu pai, fazia imenso calor e, pelas janelas abertas da nossa casa, no Largo do Calvário, esquina com a Rua da Creche, (actual Rua José Dias Coelho), podia observar-se os salões animados da Promotora, em frente, onde se dançava a morna, dança muito em voga naquele tempo e que veio a ser exportada para Cabo Verde.»
Parabéns, Fernando!
Que continues a ser o Homem e o Amigo que és, por muitos e bons anos!

quarta-feira, junho 10, 2009

Oradour-sur-Glane, «aldeia-mártir»

Foi há 65 anos, na manhã de 10 de junho de 1944.

Os tanques de soldados alemães (Divisão SS Das Reich, do general Lammerding) chegam a Oradour-sur-Glane, perto de Limoges, uma aldeia pacífica com 1200 habitantes.

Separam mulheres e crianças e metem estas na igreja, incendiando-a. Apenas uma mulher, Margarite Rouffanche, consegue escapar deste inferno, atirando-se de uma janela partida e refugiando-se no campo.
Os homens são divididos e levados para diversos palheiros que são incendiados também. No final pilharam a aldeia, incendiaram-na e chacinaram quem encontraram.
Em Oradour-sur-Glane foram massacradas 664 pessoas nesse dia, tendo a barbárie atingido o apogeu.
Depois da guerra, o general de Gaulle decidiu que a aldeia não fosse reconstruída, mas que se tornasse num memorial à dôr da França durante a ocupação. A reconstrução do novo burgo da comunidade de Oradour-sur-Glane foi prevista noutro local desde julho 1944.
Em 1999, a aldeia foi considerada «aldeia mártir» pelo presidente Jacques Chirac. Desde então o «Centro de memória» une as ruínas ao novo burgo, graças a uma exposição permanente cobrindo todo o contexto.
Oradour-sur-Glane tornou-se, na Europa Ocidental, o símbolo da barbárie nazi.





quinta-feira, maio 21, 2009

... nunca mais

nunca mais
deixes sangrar no coração
esse violino de punhais
a que chamam solidão.

transforma-o noutro violino de astro fundo
-- para que a tua canção
chegue à nossa pele
e aqueça o mundo...
(embora te gele)

José Gomes Ferreira in Poeta Militante

sexta-feira, maio 01, 2009

minha mãe

Nome: Maria Helena.
Idade: 19 anos.
Única foto que possuo.
Era o dia do casamento.
Nasceria eu,
dois meses depois.
Seguir-se-iam
trabalhos, maus-tratos,
privações, torturas,
abusos.
Pelo caminho
três filhos
e alguns abortos.
Clandestinos.
Foi um deles que a levou
no dia 1 de Maio de 1952
Tinha 23 anos.
ausência que me dói.
ainda.

1º de Maio

gravura de José Dias Coelho, 1961

1ª DE MAIO

Tanto vermelho
e fulgor
tanta avidez desarmada

Tanta bandeira de amor
tanta esperança
desatada

Tanto sonho
e tanto ardor
dando nós na esperança alada

Tanta luta
sem rancor
com a liberdade emboscada


Maria Teresa Horta


Lisboa, 1º de Maio de 2009

Note: poema inédito


quinta-feira, abril 30, 2009

foi assim ...

«No tempo que antecedeu a revolução, olhando as coisas pela superfície, a sociedade parecia imóvel, a gente amorfa e amedrontada. Éramos um povo triste, marcado pelas necessidades, sem direitos políticos, humilhados e excluídos em boa parte do usufruto dos bens materiais e culturais.
E nos treze anos do fim começaram a chegar os caixões e os mutilados da guerra enquanto milhão e meio de
portugueses, na flor da idade, desertava e fugia.
Mas mesmo nos tempos mais sombrios, nunca faltou a esperança aos que mais se expuseram no combate, mesmo quando ingenuamente acreditavam, nas palavras de Engels, evocadas por Gramsci, que traziam no bolso, sem grande esforço das meninges, toda a história e toda a sabedoria filosófica e política, concentradas em fórmulas breves.

Não se pode viver plenamente sem projecto, sem esperança, sem solidariedade. E aquela confiança, mesmo ingénua, que mais não fosse a ideia tirada da natureza, de que à noite se seguiria naturalmente a manhã, fazia milagres, temperava o aço, usando uma expressão do tempo.

Na madrugada de 25 de Abril de 1974 a liberdade bateu-nos bruscamente na cara despertando uma força e uma alegria irreprimíveis. Capitães, soldados e povo atingiam mortalmente a ditadura. A emoção atingiu o auge no Terreiro do Paço, no Largo do Carmo, depois em Caxias, na Rua António Maria Cardoso. E no dia primeiro de Maio um milhão de portugueses em festa sufragava a aliança revolucionária Povo-MFA. As liberdades mais espantosas inundavam sem licença as ruas e as praças.

Na resposta ao golpe do 11 de Março, a revolução avançou para a Reforma Agrária e a estatização dos bancos, dos seguros e outras empresas.

No dia 25 de Novembro as armas travaram a radicalização do sonho. Multidões choravam nas ruas.»

(António Borges Coelho, nos 31 anos do 25 de Abril)


Nota: cartaz do designer Alexandre Castro


terça-feira, abril 28, 2009

Ciclo de Conferências: as Mulheres e a 1ª República


4ª feira, 29 de Abril, pelas 18H30
«Vivências e Sobrevivências: A Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas»
por
João Esteves e Isabel Lousada

segunda-feira, abril 27, 2009

sexta-feira, abril 24, 2009

25 de ABRIL














gravura de Cipriano Dourado


É a festa a força
a liberdade
o riso aberto à flor da face

Sentir o coração
que se rutila
continuar ainda a apressar-se

É o dia onde fomos
para a rua
e este de pegar na sua haste

A fazer-nos lembrar
que ainda hoje
está por construir a igualdade


Maria Teresa Horta


PS. Obrigada à MTH por mais uma vez ter dado voz à minha/nossa voz.


quinta-feira, abril 23, 2009

LIBERDADE, monumento à Revolução de Abril

inaugura no dia 25 de Abril, às 14 h
no Jardim Amália, cruzamento da Av Marquês Fronteira com a R Castilho (cimo do Parq Eduardo VII)

Este monumento assinala os 25 anos da Associação 25 de Abril. Foi concebido por um grupo de jovens escultores do Curso de Escultura da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Os seus autores procuram deste modo evocar e reafirmar de forma permanente os valores fundamentais da Revolução de Abril, trazendo à sua defesa e preservação as gerações nascidas depois de 1974.

O envolvimento de um grupo de artistas plásticos, nascidos depois de 1974, num projecto colectivo de intervenção artística no espaço urbano, aparece-nos como uma das formas mais singulares de assinalar esta data. Para o sucesso desta empresa, importa destacar que, no cerne deste projecto esteve a partilha de experiências de vida entre a geração de artistas e militares que fizeram nascer a Revolução e um grupo de jovens artistas que se propõem evocá-la. Realizaram-se mesas redondas na Sede da A25A como preparação dos encontros de discussão colectiva na preparação da proposta de monumento.

Com este projecto procuramos: reafirmar de forma permanente e evocativa os valores nos quais se alicerça a existência da Associação 25 Abril; desenvolver novos processos de envolvimento dos artistas na construção do objecto comemorativo; chamar ao exercício da comemoração gerações que nasceram depois de 74, e encontrar os meios adequados para a transmissão do depositário de memórias necessário ao acto evocativo; implementar novas abordagens criativas ao exercício da escultura evocativa.

Esta intervenção define-se pelo seu carácter público. É pensado e construído a partir das relações que se estabelecem entre o objecto, o espaço que o envolve e as pessoas que o usam. Deste modo, a escultura não é pensada como um elemento imposto ao lugar, mas como criação de um lugar pelo usufruto da obra. Pensar o “monumento” desta perspectiva, é trabalhar com as memórias que nascem do passado e que se reforçam no presente. A Liberdade é reconstruída todos os dias, e os lugares de forte carácter evocativos são espaços de reflexão.

A palavra LIBERDADE é gravada pelas formas geométricas do seu vazio, no solo da cidade. No plano de proximidade da obra no lugar a palavra não é percebida. É necessário afastarmo-nos do solo para entender o significado da grafia que se estende no chão; estas marcas são elementos em betão branco sobrelevados do solo. São plataformas de usos diversos, à escala do corpo humano. Na sua envolvente plantam-se amendoeiras que provoquem sombras sobre o conjunto.

Participam os seguintes artistas: Direcção de Projecto Sérgio Vicente, Coordenação José Aurélio, com Ana Moreira, Bruno Cidra, Edgar Pires, Nuno Esteves, Ricardo Mendonça e Sara Padrão.

Promotores: Associação 25 Abril, Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, Câmara Municipal de Lisboa.

Apoio: SECIL

Localização: Jardim Amália Rodrigues, cruzamento entre a Rua Marquês de Fronteira e Rua Castilho, em Lisboa.

Inauguração: dia 25 de Abril de 2009, pelas 14 horas

a) direcção da Associação 25 de Abril

segunda-feira, abril 20, 2009

Jantar 35º aniversário do 25 de Abril


ASSOCIAÇÃO 25 DE ABRIL

O jantar convívio do 35.º aniversário do 25 de Abril, organizado pela Associação A25A, será nas instalações da antiga Escola Prática de Cavalaria, em Santarém, local de onde sairam as tropas de Salgueiro Maia

Dia: 24 de Abril de 2009 pa
Hora: 19h30 (convém chegar um pouco antes…)
Preço: € 5,00
Autocarros, a partir de Lisboa, ao preço de € 10,00, viagem de ida e volta.
com partidas da porta principal do Jardim Zoológico (1º às 17h, último às 18 h)
A partir das 23h00, realizar-se-á um espectáculo evocativo do 25 de Abril, que se espera seja grandioso, realizado pelos mesmos responsáveis dos espectáculos feitos na Expo98, em Lisboa.

INSCRIÇÕES: a25a.sec@25abril.org
ou telf. 21 324 14 20
referindo se precisam de transporte

Vai ser um jantar memorável, num local histórico!

terça-feira, abril 14, 2009

Convergência de Esquerda para Lisboa


Foi ontem lançado no Palácio Galveias, o Apelo para que haja uma Convergência da Esquerda para as eleições à CM Lisboa.
Aqui fica o texto do Apelo que desde ontem se encontra online e pode ser assinado por todos que amam Lisboa e a querem bem governada.
Para assinar, cliquem na imagem aqui ao lado.

Texto do Apelo:

A recente passagem de executivos liderados por forças de direita, na Câmara de Lisboa representou um sério retrocesso na governação da autarquia, cujas consequências foram sofridas pelos lisboetas e que delas guardam uma memória bem presente culminada pela realização de eleições intercalares em Junho de 2007.
A constante prevalência dos interesses particulares sobre os interesses gerais, o clima de suspeição que isso gerou, o endividamento sistemático das finanças municipais, a sucessão de projectos desajustados e megalómanos, antevistos para a cidade durante os mandatos anteriores, irão obrigar a autarquia, no imediato, a um esforço financeiro, a uma reestruturação mais racional e à reconversão de um planeamento urbanístico em moldes mais equilibrados e participativos, que não desrespeite nem o carácter da cidade, a sua memória histórica, ou tampouco ponha em risco o seu equilíbrio ambiental, concebido à margem de finalidades meramente especulativas e, merecedor, por via disso, de um amplo apoio dos cidadãos ao governo da sua cidade.

Por essa razão, para as eleições que este ano se vão realizar na autarquia de Lisboa, os abaixo-assinados reclamam de todas as organizações de esquerda – partidos, movimentos, associações – uma convergência de esforços e de programa que permita a eleição de uma equipa que dê garantias de rigor, transparência, responsabilidade e empenho no desenvolvimento equilibrado da cidade.

terça-feira, março 10, 2009

Poesia Reunida de M Teresa Horta


Foi
hoje
às 18,30
na
Casa
Fernando
Pessoa


Foi pelo final da tarde de hoje que nos encontrámos todos/as na «casa do poeta» (que a Inês, outra mulher de excelência dirige) para estarmos com a Teresa e a sua poesia, agora reunida e editada num único volume de 850 páginas, pela Dom Quixote, com prefácio de Maria João Reynaud e apresentada por Fernando J.B. Martinho.
Casa a abarrotar de amigos/as e admiradores/as da poetisa (um termo que muitos não gostam vá lá saber-se porquê) mas onde predominavam as mulheres que sabem bem o quanto devem à autora e à sua obra.
Maria Teresa Horta começou a publicar em 1960 e a sua poesia foi, desde sempre, como muitos testemunharam hoje, um «facho a arder» na vida de muitas mulheres portuguesas. Ela foi a voz das vozes silenciadas que não podiam, ou não sabiam, como gritar a revolta asfixiada e a sexualidade reprimida. Foi a arauta de uma revolução sexual feminina que tardava a chegar a este país pardacento.
Hoje ouvimos falar da originalidade da sua poesia, do seu erotismo e feminismo assumidos e nunca traídos, mas também do seu pioneirismo como dirigente cineclubista e até jornalistica, tendo desenvolvido um trabalho de extrema importância em a página cultural de A Capital, como bem salientou Fernando J. B. Martinho.
Ouvimos por fim alguns poemas ditos por si. Sempre precisos, essenciais. Tecidos pela palavra burilada e sensível da Teresa.
Poesia Reunida, como a autora defende, é um testemunho da sua vida para os outros. Uma dávida generosa cobrindo uma lacuna há muito sentida. Os seus livros encontram-se esgotados. As novas gerações precisam ler e conhecer Maria Teresa Horta. A sua poesia é necessária. Ainda e sempre.
Parabéns à Dom Quixote.
Obrigada, Teresa.

segunda-feira, março 09, 2009

Amazonas





(Sem Título,
de
Fernando
José
Francisco)






Onde estão as amazonas
as feiticeiras perdidas
Deana no ardor da caça?

Dentro de si dividida

As lobas nos seus covis
as raposas sorrateiras
as gazelas as leoas

Na vigilância matreira

Contra o silêncio da selva
ou a queixa sofredora
o sangue, a seita, ou a seiva

No trajecto da cerviz

Onde estão as guerrilheiras
as sílfides no voo fechado
Théroigne de Méricour?

De punhal embainhado

A querer desdobrar a Luz
da revolução o começo
com o seu passo alado

E o seu desassossego

Entre o sonho e a voz alva
tão forte e destemida
que é calada sem apreço

Entre a quimera e o esteio

Onde estão as poetisas
bravias em devaneio
pelo avesso da rima

Onde se entorna o poema?

Dançando no fio das letras
no gume da faca ou sino
a preverem o futuro

E a tecerem o destino

Buscando no veio dos versos
os recessos e os limites
os lumes e as lianas

E no desejo arbitrário

A mulher a querer ser chama
em busca do feminino
no masculino contrário



M Teresa Horta

(inédito)

domingo, março 08, 2009

Albina Fernandes e todas as Mulheres

(Soissous, 5.1.1928 - Lisboa, 5.10.1970)
«são as mulheres como tu / que podem transformar o mundo» Joaquim Pessoa

Presa em 15.12.1961 com o companheiro Octávio Pato, recolheu à cadeia de Caxias com os pequeninos Isabel e Rui, tendo desencadeado uma luta com os agentes da Pide para que as crianças fossem entregues, na sua presença, aos avós paternos. Ameaçada de lhe tirarem os filhos para serem entregues numa instituição, dado os pais não serem casados e os registos estarem irregulares devido à situação de clandestinidade que viviam, Albina Fernandes deitava as crianças na única cama da cela enquanto se estendia no chão frio, sem qualquer agasalho, segurando nas suas as mãos dos meninos. Só a 10.1.1962 lhe foi autorizada a entrega das crianças aos avós.
A foto testemunha o insólito de uma presa política que, mesmo para a fotografia da praxe, recusa largar o seu bébé.
Albina e Octávio viriam a casar na cadeia em 1963. Saida em liberdade condicional em 1969, veria a pena do companheiro ser indefinidamente prorrogada. E o seu sistema nervoso, extremamente debilitado por oito anos de prisão e muitos mais de clandestinidade não resistiu à angústia de uma vida constantemente adiada. Simbolicamente ou não, enforcou-se no dia 5 de Outubro de 1970.
Neste 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, a minha homenagem a todas as Mulheres do meu país, sobretudo àquelas que, como Albina Fernandes, foram injustamente ficando pelo caminho, não chegando a viver os alvores da Liberdade por que tanto lutaram.



quarta-feira, março 04, 2009

Crianças abusadas: realidade que vem de longe


Foto de D. Sharon Pruitt


8 de Setembro [1911]

Um médico conta-me hoje este facto horrível: quase todas as crianças pobres, de dez anos para cima, que dão entrada nos hospitais ou hospícios de Lisboa, vão desfloradas.

Raúl Brandão, Memórias, vol. II, p.126