quinta-feira, outubro 08, 2009

António Torrado: voto António Costa

Gorado o projecto de uma frente ampla, projecto em que me empenhei, havia que concentrar os esforços em António Costa, o único capaz de derrotar a frenética obsessão por túneis de um outro candidato. Se têm de mexer no subsolo de Lisboa que o façam para prolongar a rede do metropolitano ou descobrir petróleo (no Beato?). Lisboa é uma cidade suave, de mansos costumes, em que não há que estimular a vertigem do trânsito de outras capitais do mundo.

Afirmo sem passadismo que o seu encanto reside no sentimento de bairro que alguns espaços (Campo de Ourique, Benfica, Penha de França, etc.) ainda mantêm.

Acredito que António Costa, neste renovado mandato, terá mais tempo para dedicar a sua atenção às especificidades da cidade e devolver a alma de Lisboa aos que nela habitam.

António Torrado
Escritor

quarta-feira, outubro 07, 2009

Luis Miguel Cintra: voto António Costa

Apoio a candidatura de António Costa e da sua equipa porque, como tantas outras pessoas, não quero a repetição da incompetência, da ignorância e da irresponsabilidade a que já estivemos sujeitos na Câmara de Lisboa. Mas também porque me parece que é um bom candidato, e por certo o melhor de entre aqueles em quem podemos votar. Acredito que ele desejaria uma cidade não muito diferente daquela por que, de muitas maneiras diferentes e cada um com a sua, os dois lutamos e lutámos: uma cidade com verdadeira vida colectiva, livre, feliz, com serviços públicos a funcionarem bem, com a participação de cada um, casas para todos, menos desigualdades, mais imaginação, mais confiança e solidariedade. E não estou a fazer marketing, essa arte de fazer passar gato por lebre, de que, creio, não gostamos os dois. Posso dizer dele como de já poucos políticos: é um homem de Esquerda. Vejo que António Costa conhece a baixa política, como tem de ser, mas tem da política uma ideia mais nobre: estar honestamente e da maneira que é possível ao serviço da Cidade. Com sentido de humor e sem desespero nem trafulhice, perante o mar de problemas e de becos sem saída em que Lisboa se transformou. Com um sentido concreto da realidade que quase ninguém tem e com pouca preguiça. Não é um fala-barato. Gosta mais de trabalhar. Quando voltar a ser o nosso Presidente da Câmara, já com menos dos problemas herdados que tanto trabalho lhe deram a desfazer, só espero que o não prenda a teia burocrática e pseudo-democrática, que o seu jogo limpo o obriga a respeitar. “Seja bem-vindo quem vier por bem.” Já temos razões para acreditar que sim. Assim o deixe esta Cidade.
Luis Miguel Cintra
Actor/Encenador

Lidia Jorge: voto António Costa

LISBOA PARA ANTÓNIO COSTA

SOBRE VISÕES

Agora dizem que António Costa não é um visionário. Dizem que não sabe imaginar um espelho de águas profundas para o Terreiro do Paço, nem consegue projectar um funicular que una os cumes das colinas de Lisboa, como já foi sonho de alguns há mais de um século atrás. Dizem que tem problemas com a perfuração da cidade, que não estima a engenharia dos túneis, que não é capaz de pensar numa fila de torres biónicas a elevarem-se à beira do Tejo, como estão a pensar fazer no Dubai. Para além de dizerem que não é capaz de convencer os lisboetas a deixarem o carro em casa, não consegue encontrar o engenheiro mecânico certo para desenhar as bicicletas e os segawys adaptadas à morfologia do sobe-desce desta cidade, nem os pára-ventos ideais para fazer aplacar a ventania atlântica que nos impede a utilização de esplanadas. Dizem que ainda não foi capaz de imaginar uma Feira de Moda para animar o comércio da Avenida de Roma, nem sequer um Parque Lúdico de dimensão gigante, na zona de Algés. Etc, etc, dizem que António Costa não passa de um programador. Um pagador de contas. Pois parece que em vez dessas visões se propõe, sobretudo, tornar a cidade mais fluida, mais limpa, mais acolhedora, mais divertida, mais cosmopolita, mais amável, mais segura para os velhos que são muitos, e mais confortável para as crianças, que também começam a ser mais, e a quem falta escolas, creches, espaços de brincar ao mesmo tempo abertos e guardados. Isto é, propõe um confronto com a realidade, sem a aceitar mas sem a fazer explodir. Não é mau. Eu prefiro este programador.

Tanto prefiro que até lhe vou lembrar aquele pedaço de poema do René Char que fala da sabedoria que se deve colocar a meio da contenda da vida para proporcionar equilíbrio entre os que não sonham nada e os que não fazem senão sonhar. Reproduzo as suas palavras que dizem, de forma lapidar aquilo que é preciso.

É preciso:

Fazer sonhar longamente aqueles
que não costumam ter sonhos
e fazer mergulhar na actualidade
aqueles em cujo espírito prevalecem
os jogos perdidos do sono.

Posto isto, resta-me desejar a António Costa que não nos defraude no sentido da medida e do equilíbrio, que não deixe a mão da sucata minar demasiado os negócios do futuro estado da cidade, que cumpra o programa de harmonia que propõe, e que possa terminar o seu mandato, deixando Lisboa melhor e o seu nome honrado. Para que tenha coragem e alegria, este é o abraço que lhe dou.


Lidia Jorge
Escritora

Helena Pato: voto António Costa

Vim da província para Lisboa, com os meus pais, no fim da guerra.
Desembarcámos na Estação de comboios do Poço do Bispo, deixámos ali a bagagem e subimos até ao Bairro da Encarnação em bicicletas que nos acompanharam desde a Bairrada. Foi esse o dia do meu primeiro encontro de amor com Lisboa. Depois, vieram os anos de oiro da juventude, das lutas, das paixões, das tasquinhas e do fado. Às saudades de Lisboa, sentidas no exílio ou em Caxias, seguiu-se Abril – a Cidade em festa a trazer-nos a esperança que acarinho e que guardo, muito guardadinha, até hoje. Com a idade, fui aprendendo, por aqui, a conhecer e a amar jardins, cantos e recantos, travessas e ruas, escadinhas e pátios, gente assim e gente assado – gente que, como eu, vem de outros lugares e se faz lisboeta. Ultimamente, sempre que, ao fim do dia, a luz ímpar de Lisboa desaparece e, da minha varanda, sou atraída pela linha do horizonte, vejo o céu a encher-se de vermelho e de negro, reparo que a vida começa a encurtar, e surpreendo-me por lhes querer cada vez mais – à vida e a esta querida cidade. Assim sendo, tinha de escolher alguém de muita confiança para nos governar o futuro. Para cuidar da minha terra do coração, com prazer, com dedicação e com sensibilidade. Para zelar com afecto pelos “sem terra” que aqui trabalham e habitam.

Na presidência da Câmara, é, pois, António Costa que quero – sei-o hoje, sem dúvidas. Determina-se no cumprimento de compromissos, honra a cultura de valores democráticos que herdou e, dir-se-ia que por lhe correr nas veias sangue geneticamente marcado por um pacifismo ancestral, revela um temperamento calmo e uma postura de diálogo. É arguto e gere admiravelmente a inteligência e os saberes que possui. Escolhi votar numa lista para o Executivo da Câmara Municipal de Lisboa que me merece toda a confiança, mas confesso que votarei sobretudo na liderança de um homem de palavra, que eleva os interesses da nossa cidade acima de interesses pessoais ou partidários – pude confirmá-lo recentemente, durante a caminhada que muitos de nós fizemos, (sem sucesso), com vista à convergência para uma união das esquerdas. Hoje, vejo em António Costa alguém com quem realmente me identifico nos princípios morais e de cidadania: vejo gente da minha gente. Lisboa merece competência, merece verdade, merece honestidade. Os lisboetas merecerão, certamente, o presidente que elegerem.

Helena Pato
Professora / Fundadora do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa

terça-feira, outubro 06, 2009

Pilar del Río: apoio António Costa

Um homem honesto, culto e responsável é a melhor garantia para o bom governo de Lisboa.

Um homem honesto, culto e responsável eleito pelos cidadãos é a melhor imagem que Lisboa pode oferecer ao país e ao mundo. Porque é honesto, culto e responsável governará com respeito e representará com dignidade: por estas razões quero que António Costa receba o apoio dos cidadãos e seja o próximo presidente da Câmara Municipal de Lisboa.

Pilar del Rio
Presidenta da Fundação José Saramago


João Tordo: voto António Costa

Quando, em 2004, regressei de alguns anos a viver no estrangeiro, e me deparei com o estado em que se encontrava a cidade de Lisboa – onde eu nascera e crescera – percebi o que pode um só homem fazer (ou desfazer) pelo lugar que habitamos. Vi o que Ken Livingstone fez por Londres em explosão cosmopolita, e vi o que Bloomberg conseguiu fazer por uma Nova Iorque acabada de reabilitar. Vi, depois, o que a direita fez por Lisboa, transformando a cidade numa catástrofe urbana.

Quero aqui expressar o meu apoio a António Costa, um homem honesto, capaz, sério, com vontade de reafirmar os valores da cidade – cidadania, cosmopolitismo, integração – acima dos valores financeiros ou ideológicos, para que, de futuro, possamos sentir-nos orgulhosos do lugar em que vivemos.

João Tordo,
Escritor

Xana (Rádio Macau): Voto António Costa

Lisboa XXI
O que podemos hoje esperar das cidades em que vivemos? Ou em que espécie de cidades queremos viver? Por certo todos responderão que pretendem cidades modernizadas, que sejam o espelho de pessoas evoluídas e o palco de algum tipo de progresso. Mas estes conceitos de modernidade, evolução e progresso são um pau de dois bicos. E para não complicar podíamos resumi-los em dois tipos de tendências. O primeiro tem origem na ideia de progresso do séc. XIX e um outro, mais contemporâneo, que aponta para um processo evolutivo que, de algum modo, contraria o primeiro.

Isto é, se a primeira noção sublinha o desenvolvimento das industrias e actividade comercial sem mais, a segunda tendência pensa este mesmo desenvolvimento tendo em conta de que nas cidades vivem pessoas. Trata-se de incluir o princípio “qualidade de vida” no nosso modo de existir nos lugares em que residimos. A poluição excessiva de que todas as grandes cidades têm sido alvo ao longo das últimas décadas para não dizer séculos, contraria, ao limite, toda e qualquer tentativa e defesa da noção de progresso novecentista. Não são os carros, túneis, zonas desordenadas de comércio, destruição dos espaços livres e verdes, desinteresse pela preservação dos edifícios e total ausência de uma agenda cultural de vanguarda, que fazem a contemporaneidade de uma cidade e reflectem a sua evolução.

A minha visão de uma cidade do futuro também não é, no que se refere a Lisboa, a de uma cidade de cristal, dou-me bem com os “fantasmas” e também estes correm continuamente o risco de uma profunda desvalorização que não é senão a de um grande desrespeito por nós próprios.

Já que é necessário, dentro do sistema instituído, que alguém governe as cidades, parece-me que esse alguém, para a cidade de Lisboa, é António Costa. O único que me parece ter uma visão contemporânea e de futuro para uma cidade ancestral como é Lisboa.

E, por fim:
Deixar Lisboa e os lisboetas respirar.
Deixar Lisboa ser o que é ... uma cidade de Luz
.

Xana (Rádio Macau)

José Saramago: voto António Costa

O meu apoio a António Costa, que, estou certo, irá provocar críticas da esquerda e direita, tem uma explicação e assenta numa coerência. Pagaríamos caro o erro de deixar perder a Câmara Municipal de Lisboa em favor de uma personagem que de recomendável demonstrou não ter nada, quer na acção política, quer nos comportamentos pessoais. Dispenso-me de citar-lhe o nome. Há poucos meses declarei publicamente que apoiaria António Costa na sua candidatura à Câmara. Repito-o aqui. António Costa é, para mim, a melhor garantia de seriedade e de trabalho responsável. Não duvido de que uma maioria de eleitores lisboetas pensa o mesmo. A votar, portanto.
José Saramago
Escritor

segunda-feira, outubro 05, 2009

M Teresa Horta: voto António Costa


Lisboa é a minha cidade de nó e parto.

Minha cidade dos afectos, das paixões, dos poemas, das águas divididas entre Tejo e mar, na bordadura da Torre de Belém, a ver o longe.

Minha cidade feminina, com cintura de atadura e face de ser mulher, de suspiro e tessitura. Temperamento de capricho ora de manso vestida, ora rebelde e revolta.

Minha cidade de amores, de arroubo e de rubores, desde sempre dividida, em riso solto e despida no abrigo das colinas, melancolia e tumulto, de beleza sem sossego, com trança feita de ruas, travessas, ruelas, becos, de labirinto e lua.

Lisboa é a minha cidade de beleza e luz.

Minha cidade de céu azul-profundo, fiada pelas mulheres, desde sempre tecedeiras da vida, da vastidão, da persistência teimosa, igualdade e compaixão.

Cidade de rosa e cravo, postos no rubro coração da liberdade.

Portanto, para cuidar desta minha cidade, quero alguém em quem acredite e me garanta saber fazê-lo. Por isso, dou o meu voto a António Costa, de quem sei a honestidade, a ombridade e a honradez.

E o seu grande amor por Lisboa.

Maria Teresa Horta
Escritora

domingo, outubro 04, 2009

Mercedes Sosa (1935-2009)


«Eu diria que não é apenas a Argentina que perde, é o mundo inteiro, especialmente a América Latina e a América do Sul. Mercedes Sosa não definiu a solidariedade apenas com a música, mas definiu a solidariedade global com o ser humano, para cantar o melhor do ser humano e promover melhorias para ele»
Ricardo Cravo Albin, musicólogo

Recordemo-la em Gracias a La Vida

http://www.youtube.com/watch?v=WyOJ-A5iv5I

quinta-feira, outubro 01, 2009

Lisboa Unida com Antonio Costa

MISCELÂNEA DOS POETAS À CIDADE DE LISBOA

Mário Cesariny, Sophia, E. de Andrade, Jorge de Sena, Álvaro de Campos, João Maia, Alexandre O’Neill, Ary dos Santos, M.S. Lourenço, David Mourão-Ferreira, Ruy Cinatti, Manuel Alegre, António Gedeão, António Botto, Cesário Verde, Fausto Bordalo Dias, António Nobre


Agarro a madrugada

E entro em Lisboa cego com a névoa da manhã

Esta névoa sobre a cidade, o rio,
Esta névoa onde começa a luz de Lisboa,
Rosa e limão sobre o Tejo, esta luz de água

O Tejo esplende entre navios
Lisboa é boa e matinal;
Flutuam barcos, casarios
Na mesma onda musical.

Acordar da cidade de Lisboa, mais tarde do que as outras,
Acordar da rua do Ouro
Acordar do Rossio, às portas dos cafés,

ver nascer o Sol desse Castelo
Que domina Lisboa no mais belo
E surpreendente quadro de beleza!

Lisboa, a mais gentil, a portuguesa
E nobre capital de um povo grande
No sofrimento e na resignação,

que manhã cedo acorda e canta

Há uma hora, há uma hora certa
que um milhão de pessoas está a sair para a rua.
Há uma hora, desde as sete e meia horas da manhã
Em Lisboa, a sair para o meio da rua.
gente feliz, gente infeliz, um banqueiro, alfaiates, telefonistas,
varinas, caixeiros, desempregados,
uns com os outros, uns dentro dos outros
tossicando, sorrindo, abrindo os sobretudos, descendo aos mictórios
para apanhar eléctricos,
gente atrasada em relação ao barco para o Barreiro
Há uma hora, isto: Lisboa e muito mais.

Digo:
Lisboa
Quando atravesso - vinda do sul - o rio
E a cidade a que chego abre-se como se do meu nome nascesse

Imensa, troglodita, ambiciosa

Abre-se e ergue-se em sua extensão nocturna
Em seu longo luzir de azul e rio
Em seu corpo amontoado de colinas -

Alguém diz com lentidão:
“Lisboa, sabes...”
Eu sei. É uma rapariga
Descalça e leve

Teus seios são as colinas

Teu rosto de sol e de Tejo

Um vento súbito e claro
Nos cabelos
Algumas rugas finas

É varina, usa chinela

Mora num beco de Alfama
Mora num’água furtada
E chamam-lhe a madrugada
E chamam-lhe a madrugada

Tem movimentos de gata
Tem algas na cabeleira
Seu nome próprio, Maria.
Seu apelido, Lisboa.
Lisboa com seu nome de ser e de não-ser
Com seus meandros de espanto insónia e lata

menina e moça,
amada Cidade
mulher da minha vida

Lisboa menina
Da luz que meus olhos vêem tão pura

Cidade a ponto luz bordada

Lisboa, meu berço, tu que me conheces...

Havia no meu tempo um rio chamado Tejo

Cidade da minha infância pavorosamente perdida...
Cidade triste e alegre
Outra vez te revejo
Outra vez te revejo - Lisboa e Tejo e tudo -

Ó Tejo nunca inaugurado

Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflecte!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
evoco, então, as crónicas navais:

As armas, pá.
E os barões, pá.
Assinalados, pá.

Mouros, baixéis, heróis, tudo ressuscitado!
Luta Camões no Sul, salvando um livro a nado!
Singram soberbas naus que eu não verei jamais!

enxárcias, gurupés, papafigos, traquetes,
mastros, lemes, escotas, brandais e mastaréus.

âncoras, adriça, cabos-mastro
Que solicitam mar e desafio.

Viagens e naufrágios nos mares do cio

meu país de marinheiros!...
o meu país das Naus, de esquadras e de frotas!

Eh marinheiros, gajeiros! eh tripulantes, pilotos!
Navegadores, mareantes, marujos, aventureiros!

Homens que erguestes padrões, que destes nomes a cabos!
Ó ai meu bem!
Homens que negociastes pela primeira vez com pretos!
Como baila o bailador
Que primeiro vendestes escravos de novas terras!
Ó meu amor
Que destes o primeiro espasmo europeu às negras atónitas!
E a caravela também!
Que trouxestes ouro, missanga, madeiras cheirosas, setas,
Ó bonitinha!
De encostas explodindo em verde vegetação!
que é das penas,
Homens que saqueastes tranquilas populações africanas
que é das mágoas
Que fizestes fugir com o ruído de canhões essas raças,
Sendo nós como a sardinha
Que matastes, roubastes, torturastes, ganhastes
a voar por cima das águas
Os prémios da Novidade de quem, de cabeça baixa
ó é tão lindo
Arremete contra o mistério de novos mares!

E de novo, Lisboa, te remancho,
numa deriva de quem tudo olha
de viés:

o fim da tarde inspira-me; e incomoda!

Nas nossas ruas, ao anoitecer,
Há tal soturnidade, há tal melancolia,
Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia
Despertam um desejo absurdo de sofrer.

dói-me o Tejo vazio dói-me a miséria
apunhalada na garganta.

Regresso à cidade como à liberdade

Eu sou o homem da cidade.

Que fazemos, Lisboa, os dois, aqui,
na terra onde nasceste e eu nasci?


(André Gago integra a Comissão de Honra da recandidatura de António Costa ao cargo de Presidente da Câmara Municipal de Lisboa; preparou esta Miscelânea dos Poetas à Cidade de Lisboa que declamou ontem, 30 de Setembro, no Coliseu dos Recreios de Lisboa, num espectáculo integrado na campanha eleitoral)

segunda-feira, setembro 28, 2009

TODOS POR LISBOA

Artistas das mais variadas tendências e géneros musicais, apoiantes da candidatura UNIR LISBOA, realizam um grandioso concerto:
«Todos por Lisboa»
Coliseu dos Recreios
30 de Setembro, Quarta-Feira, 21h30
Entrada Grátis
Elenco:
Alexandre Frazão, André Cabaço, André Gago, André Teodósio, Ângelo Torres, António Jorge Gonçalves, António Pires, António Rosado, Bala, Bernardo Sassetti, Cacique 97, Camané, Carlos do Carmo, Carlos Martins, Ciganos d'Ouro, Cristina Branco, Diogo Dória, Faith Gospel Choir, Gabriela Canavilhas, Graça Lobo, Inês de Medeiros, João Gil, João Grosso, José Cid, José Wallenstein, Júlio Isidro, Kalú (Xutos), Kimi Djabate, Laura Soveral, Lucia Sigalho, Luis Represas, Mafalda Arnauth, Manuel Marques, Manuel Paulo, Margarida Vila-Nova, Maria do Céu Guerra, Mário Laginha, Nancy Vieira, Natasha Marjanovic, Nelson Cascais, Nigga Poison, Pedro Jóia, Sérgio Godinho, Vitor de Sousa, Zé Pedro (Xutos)
os bilhetes podem ser levantados na sede da candidatura:
Rua São Pedro de Alcântara, 81
Telf. 21 3407280
Maria João Correia - 966300852
José Dias Ferreira - 912243304
António Costa a Presidente!

quarta-feira, agosto 12, 2009

Parabéns, Teresa!

Maria Teresa Horta é uma mulher que frequentemente suscita ódios ou paixões, mas nunca indiferença.
Talvez porque a sua escrita nos obriga a encarar os tabus que o erotismo e a sexualidade ainda mantém. Agride os falsos moralistas. Agita as consciências. Obriga a pensar.
Mas, sobretudo, não lhe perdoam ser Mulher.
porque num homem seria «natural»... mas numa mulher, é incómodo. Portugal sempre lidou mal com isso.

O Brasil desde há muito lhe reconhece o valor e, mais uma vez, vai homenageá-la no IV Seminário Internacional Mulher e Literatura, a realizar nos dias 2 a 4 de Setembro, em Natal no Rio Grande do Norte. Nessa mesma altura será lançado o seu livro «Poemas do Brasil», da Editora Brasiliense, de São Paulo.
Apresentará a comunicação: «Literatura, o primeiro sentido das coisas». Mais informação sobre o seminário poderá ser aqui consultado.
Maria Teresa Horta foi ainda convidada para participar no XXII Congresso da Associação Brasileira dos Professores de Literatura Portuguesa (ABRAPLIP) que terá lugar de 13 a 18 de Setembro, em São Salvador, Bahia, organizado pelo Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia, em parceria com outras instituições de ensino universitário da Bahia, e onde apresentará uma comunicação sobre a escrita feminina.
Já em Setembro de 2007 Maria Teresa Horta tivera a seu cargo a abertura dos trabalhos do anterior Congresso da ABRAPLIP, de periodicidade bienal.
Parabéns, Teresa!

segunda-feira, agosto 10, 2009

Para Memória Futura

Raúl e Leonor

Esta foto retrata um dos últimos momentos públicos de Raúl Solnado, no dia 13 de Julho, no Jardim de São Pedro de Alcântara, no lançamento da candidatura de António Costa à Câmara Municipal de Lisboa, de quem era mandatário para os séniores, tal como o fora já em 2007.




sábado, agosto 08, 2009

In Memoriam de Raul Solnado (1929-2009)





Raul Solnado
1929-2009










Há muito que o sabia doente. Mas a notícia da sua morte, abrupta, teve o impacto de uma pedra em peito nú. O coração débil do Raúl não resistiu a mais uma crise. Parou. Tal como ameaçara muitas vezes. Só que desta vez, para sempre. Foi hoje, às 10H50, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Faria 80 anos em 19 de Outubro.

A sua faceta de actor de cariz popular não mais será esquecida e felizmente que existem inúmeros e variados registos a mantê-lo presente. Por mim recordá-lo-ei sempre no primeiro programa absolutamente inovador da televisão portuguesa, o Zip-Zip, que em 1969 lançou com Fialho Gouveia e Carlos Cruz. Foi uma pedrada no charco da (in)comodidade em que viviamos e, por isso mesmo, terminou em Dezembro desse ano. As emissões/gravações, ao vivo, eram realizadas à segunda-feira, no Teatro Villaret (que Solnado fizera erguer) e lembro-me que o meu grupo, todos na casa dos vinte, tinha uma «mesa reservada» num café do Parque Mayer para não perder pitada. Ainda hoje mantenho um vinil com um apanhado dessas gravações. Uma relíquia. E quem não se lembra do seu papel no filme Dom Roberto, de Ernesto de Sousa, em 1961, ao lado de Glicinia Quartim? E na Balada da Praia dos Cães de Fonseca e Costa? Em teatro vi-o pela última vez no «Magnífico Reitor» de Freitas do Amaral.

Mas de Raul Solnado retenho, sobretudo, a sua postura de cidadão. O seu nome ficará para sempre ligado à Casa do Artista, de que foi um dos principais obreiros. O sonho de uma instituição de apoio à «família artística» vinha de há muito, desde a Primeira República, atravessou gerações e era ciclicamente mencionado por um ou outro artista mais consciencioso, chegando-se a lançar reptos para uma posivel organização e a solicitarem-se apoios públicos através dos jornais. Já nos anos sessenta, Fernando Namora ao receber um prémio, declarou que parte desse pecúlio reverteria para um fundo com vista à construção da futura casa dos artistas. Mas foi Raul Solnado e Armando Cortês que deram consistência a esse velho sonho. Depois de muito labor era inaugurada, em 1999, a Casa do Artista, em Carnide, que alberga toda a família das artes, conferindo-lhe calor e dignidade na recta final da vida. Raúl Solnado era o seu director e ali comparecia diariamente.

Tive o prazer de o conhecer pessoalmente em Abril deste ano quando lhe dirigi o convite para ser um dos primeiros 208 proponentes do Apelo à Convergência de Esquerda para as Eleições na CMLisboa, repto que aceitou de imediato, consciente de que teriamos pela frente um quadro político difícil que só a unidade das forças de esquerda poderia ultrapassar.

Ainda lembro da surpresa e da humildade quando o convidei para a mesa da sessão de lançamento do nosso Manifesto: «mas não tem ninguém melhor que eu... é que existem pessoas com mais peso político ...» e eu a responder-lhe «mas nós queremo-lo a si...» E foi. Chegou sózinho ao Palácio das Galveias, às 18 horas, do dia 13 de Abril de 2009. Participou na mesa e, em resposta aos jornalistas, não se coibiu de afirmar que considerava António Costa um homem honesto e competente para, naturalmente encabeçar uma lista alargada de esquerda à Câmara Municipal de Lisboa. E frisou ainda: «para ser português é preciso ter muita competência».

Deu-nos sempre todo o apoio. Lamentavelmente nunca poude comparecer nas reuniões porque estas se realizaram aos sábados e, precisamente aos sábados, o Raúl dava aulas de teatro na Casa do Artista. Mas telefonava sempre a justificar-se e a informar-se do que ia acontecendo. Acompanhou passo a passo o evoluir do movimento, as conversas que tivemos (e não tivemos) com os diversos partidos políticos, as assinaturas e apoios que iamos recolhendo, as alianças que não conseguiamos. Como fazia questão de dizer, o mais importante foi a dinâmica conseguida pelo movimento no alertar da sociedade civil para a situação que temos pela frente com as próximas eleições autárquicas para Lisboa, e da unidade que precisamos de estabelecer para as vencermos.

Quando em 14 de Julho foi lançado o CLAAC Solnado esteve presente no Martinho da Arcada. Tal como tinha estado na véspera, dia 13, no Jardim de São Pedro de Alcântara, no lançamento público da candidatura. Tive a sorte de ficar a seu lado e dele receber uma dica para telefonar a Simone de Oliveira a quem «ainda não conseguira convencer...» tendo-se regozijado, passados dias, quando lhe transmiti que já tinhamos a Simone connosco.

A última vez que falámos por telefone disse entusiasmado: «a candidatura está muito bem lançada!» É verdade, meu amigo. E no próximo dia 11 de Outubro estarás connosco para celebrar a vitória, que é tua também. Estarás sempre presente.

A toda a família, os meus sentimentos. Para a Leonor, um beijo muito especial.

O corpo estará a partir das 20 horas de hoje, sábado, no Palácio das Galveias. O funeral terá lugar amanhã, domingo, pelas 18 horas, para o cemitério dos Olivais.

E agora «façam o favor de ser felizes!» como diria o Raúl.

quinta-feira, agosto 06, 2009

Saúdo e subscrevo

Saúdo e subscrevo inteiramente o documento abaixo, da autoria de um grupo de amigos e ex-camaradas de partido, publicado no jornal Público.


Num momento político em que se verifica um preocupante avanço das forças mais à direita, considerámos ser possível e justificável uma alargada candidatura de esquerda a uma autarquia com a relevância política, social, económica e cultural de Lisboa. Infelizmente, tal desígnio não foi alcançado nos termos procurados, o que deploramos. Tal facto não retira, antes acrescenta significado político à decisão tomada pelo “Movimento Cidadãos Por Lisboa” ao aceitar integrar uma candidatura já existente, alargando-a politicamente numa perspectiva de participação cívica e cidadã, passando assim a ser uma entidade politicamente diferente e mais aberta que uma lista António Costa/PS. Independentemente da condenação da politica global do governo PS, e ao invés das opiniões e práticas de algumas forças partidárias, no nosso entender esta decisão tornou mais viável a necessária derrota da direita/PSD/CDS/Santana Lopes em Lisboa, razão pela qual entendemos positivo o resultado a que se chegou, porque esta perspectiva de unidade à esquerda, mesmo parcelar, assente em princípios programáticos, será uma via mais favorável para o futuro da gestão de Lisboa e também, num sentido mais amplo, de fortalecimento e enriquecimento da nossa vida democrática.

Lisboa, 28 de Julho de 2009

António Avelãs
António Licínio de Carvalho
António Manuel Garcia
Domingos Lopes
Fernando Vicente
José Manuel Mendes
José Tavares
Paulo Sucena

sexta-feira, julho 31, 2009

António Costa para a CML


CLAAC - Cidadãos Lisboetas apoiam António Costa, movimento de que sou um dos 120 fundadores, foi lançado no passado dia 14 de Julho, no Café Martinho da Arcada, e o Manifesto então apresentado encontra-se disponível para ser subscrito por todos.
Pode ainda consultar-se o blog dinamizado por Armandina Maia, em http://claac.blogspot.com/


Apoio António Costa na recandidatura à Câmara Municipal de Lisboa, pelo trabalho sério, honesto, competente e consistente que manteve nestes dois anos de mandato e porque o projecto de que dispõe para a cidade necessita de mais tempo para concretizar-se.
Aprecio a sua capacidade assertiva de trabalhar com os outros e de procurar consensos. É um homem dialogante, que se esforçou para que houvesse uma convergência de esquerda para as próximas eleições autárquicas, o que não aconteceu por absoluta recusa do BE e do PCP.
Saúdo Helena Roseta e o seu movimento de cidadãos por ter compreendido, a tempo, o quão importante é a unidade para o futuro de Lisboa e dos lisboetas.
Portanto, sem quaisquer dúvidas, votarei António Costa.
Vamos à luta!
Júlia Coutinho
PS. E agora, meus amigos, vou de férias...

segunda-feira, julho 27, 2009

Linhas de Mudança. Debate para a Alternativa.


Lançamento
Hoje, segunda-feira, dia 27 de Julho, pelas 18 horas.
Associação 25 de Abril
Rua da Misericórdia, 95
com a presença de Manuel Alegre.

segunda-feira, julho 20, 2009

Parabéns, Fernando Vieira de Sá

Nasceu
em Lisboa
no dia
20 Julho
1914




O meu amigo Fernando faz hoje 95 anos !

Como ele recorda... «num tempo em que ainda não existiam maternidades e as crianças nasciam em casa, pelas 3 horas da madrugada do dia 20 de Julho de 1914, nasci eu. Segundo dizia o meu pai, fazia imenso calor e, pelas janelas abertas da nossa casa, no Largo do Calvário, esquina com a Rua da Creche, (actual Rua José Dias Coelho), podia observar-se os salões animados da Promotora, em frente, onde se dançava a morna, dança muito em voga naquele tempo e que veio a ser exportada para Cabo Verde.»
Parabéns, Fernando!
Que continues a ser o Homem e o Amigo que és, por muitos e bons anos!

quarta-feira, junho 10, 2009

Oradour-sur-Glane, «aldeia-mártir»

Foi há 65 anos, na manhã de 10 de junho de 1944.

Os tanques de soldados alemães (Divisão SS Das Reich, do general Lammerding) chegam a Oradour-sur-Glane, perto de Limoges, uma aldeia pacífica com 1200 habitantes.

Separam mulheres e crianças e metem estas na igreja, incendiando-a. Apenas uma mulher, Margarite Rouffanche, consegue escapar deste inferno, atirando-se de uma janela partida e refugiando-se no campo.
Os homens são divididos e levados para diversos palheiros que são incendiados também. No final pilharam a aldeia, incendiaram-na e chacinaram quem encontraram.
Em Oradour-sur-Glane foram massacradas 664 pessoas nesse dia, tendo a barbárie atingido o apogeu.
Depois da guerra, o general de Gaulle decidiu que a aldeia não fosse reconstruída, mas que se tornasse num memorial à dôr da França durante a ocupação. A reconstrução do novo burgo da comunidade de Oradour-sur-Glane foi prevista noutro local desde julho 1944.
Em 1999, a aldeia foi considerada «aldeia mártir» pelo presidente Jacques Chirac. Desde então o «Centro de memória» une as ruínas ao novo burgo, graças a uma exposição permanente cobrindo todo o contexto.
Oradour-sur-Glane tornou-se, na Europa Ocidental, o símbolo da barbárie nazi.