quarta-feira, dezembro 23, 2009
sábado, dezembro 19, 2009
Feliz Natal

Tempo de Luzes
É um tempo coado
de azevinho.
Com odores de doce
e de memória
O colo da mãe
em desalinho.
A cor da ternura
na demora
É um tempo de luzes
e de linho.
Com sussurros
de cristal e de romã
Lonjura que nos traz
o som de um sino.
Onde o sonho se mistura
com a manhã
Maria Teresa Horta
Natal 2009
É um tempo coado
de azevinho.
Com odores de doce
e de memória
O colo da mãe
em desalinho.
A cor da ternura
na demora
É um tempo de luzes
e de linho.
Com sussurros
de cristal e de romã
Lonjura que nos traz
o som de um sino.
Onde o sonho se mistura
com a manhã
Maria Teresa Horta
Natal 2009
PS - obrigada, querida Teresa.
Não esquecemos: 19 Dezembro 1961
Na Morte do ZéPara quê cantar-te, Amigo, se o meu canto
não pode dar-te a vida, estremecida?
Para quê chorar-te, Amigo, se o meu pranto
é gota de uma dor tão sem medida?
Não choro nem canto. Apenas grito
como uma fera ferida em pleno peito.
Vingança, negro alento e pão maldito,
não são sustento nem leito.
Teu corpo ensanguentado jaz no solo,
a mágoa de perder-te é sem consolo.
E mais não posso, Irmão, que a voz se embarga.
É noite. O tempo é frio. A esperança amarga.
Carlos Aboim Inglez
Nota:
- José Dias Coelho, artista plástico e membro do PCP, foi assassinado pela PIDE no dia 19 de Dezembro de 1961. Carlos Aboim Inglez, seu camarada e amigo, casado com uma irmã do artista (Maria Adelaide), encontrava-se preso, em Peniche. Foi aí que soube da notícia e escreveu este poema, que veio a ser publicado no livro póstumo, Soma Pouca, edições Avante, 2003.
- Retrato da autoria de João Abel Manta, outro amigo íntimo de José Dias Coelho.
quarta-feira, dezembro 16, 2009
segunda-feira, dezembro 14, 2009
A crise da República e a Ditadura Militar
na Sala do antigo Tribunal Militar de Santa Clara.
Encontramo-nos por lá.
Não se brinca com facas
dia 15 Dezembro, pelas 18H30, no Espaço Chiado, em Lisboa.
Porque conheço a sua escrita, sei que vai ser um êxito.
Merecido.
terça-feira, dezembro 08, 2009
Agenda Feminista 2010
segunda-feira, dezembro 07, 2009
Ary dos Santos faria hoje 72 anos.
Meu Camarada e Amigo
Revejo tudo e redigo
meu camarada e amigo.
Meu irmão suando pão
sem casa mas com razão.
Revejo e redigo
meu camarada e amigo
As canções que trago prenhas
de ternura pelos outros
sem das minhas entranhas
como um rebanho de potros.
Tudo vai roendo a erva
daninha que me entrelaça:
canção não pode ser serva
homem não pode ser caça
e poesia tem de ser
como um cavalo que passa.
É por dentro desta selva
desta raiva deste grito
desta toada que vem
dos pulmões do infinito
que em todos vejo ninguem
revejo tudo e redigo:
Meu camarada e Amigo.
Sei bem das mós que moendo
pouco a pouco trituraram
os ossos que estão doendo
àqueles que não falaram.
Calculo até os moinhos
puxados a ódio e sal
que a par dos monstros marinhos
vão movendo Portugal
- mas um poeta só fala
por sofrimento total!
Por isso calo e saejo
eu que só tenho o que fiz
dando tudo mas à toa:
Amigos no Alentejo
alguns que estão em Paris
muitos que são de Lisboa.
Aonde me não revejo
é que eu sofro o meu país.
José Carlos Ary dos Santos, in «Resumo»
Nota:
este poema foi-me dedicado e lido publicamente no dia dos meus anos, 1 Dezembro, pela minha amiga e ex-camarada do PCP, Carla Patrício.
terça-feira, dezembro 01, 2009
Hoje é o meu dia
AMIZADE
Para a Júlia Coutinho
És a minha amiga
fogo e água
A luta e a ternura
a dar um laço
Cuidando solidária
em nó de afecto
És a minha amiga
força e frágil
Maria Teresa Horta
Nota: Um presente muito especial no dia em que assinalo a passagem do meu 62º anivesário e que me deixou sensibilizadíssima. Obrigada minha querida Teresa.
quarta-feira, novembro 11, 2009
Parabéns, Nuno Ramos !
| Nuno Ramos, escritor e artista plástico (n. 1960) |
O escritor e artista plástico Nuno Ramos acaba de ganhar o prémio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa, com o livro "Ó". E eu, orgulhosa de o ter como amigo, daqui lhe envio um enorme abraço.
Como artista plástico, tivemo-lo em Lisboa o ano passado (meu post de 25/6/2008), onde apresentou, pela primeira vez, uma excelente exposição individual na Galeria Bernardo Marques, depois de há anos ter integrado uma colectiva na Fundação Calouste Gulbenkian, exposição que Rocha de Sousa distinguiu no Jornal de Letras.
Luso-descendente, Nuno Ramos é filho do português Vitor Ramos, que daqui fugiu à ditadura no início dos anos cinquenta e no Brasil casou, fez carreira académica brilhante, tendo sido fundador e dirigente do jornal Portugal Democrático, em São Paulo, e figura-chave da comunidade oposicionista. Vitor Ramos manteve uma constante militância antifascista e foi com enorme júbilo que assistiu à queda da ditadura no dia 25 de Abril (curiosamente o dia do seu 54º aniversário) mas um AVC fulminou-o quando se preparava para dar um salto a Lisboa e mostrar o seu país aos filhos, falecendo repentinamente de emoção (ou de felicidade, como diz o Nuno) no dia 3 de Maio de 1974. Não chegou a saborear o seu país libertado.
"A herança cultural mais preciosa é o próprio acto de ler. Vivemos tempos extraordinários e não podemos intimidar-nos com as mudanças" disse, quando ontem recebeu o prémio literário disputado entre brasileiros e portugueses, onde se contavam nomes como António Lobo Antunes, Inês Pedrosa, José Luis Peixoto e Gonçalo M. Tavares.
Formado em Filosofia, Nuno Ramos tem sido distinguido sobretudo como artista plástico, mas a sua enorme sensibilidade leva-o para outras formas de arte, passando pela pintura, desenho, escultura, cenografia e ensaio, sendo este o seu quarto livro. Antes publicara "Cujo", em 1993, "Balada", em 1995 e "O Pão do Corvo" em 2002. Considera-se um não alinhado, ou, como diz, um anti-artista de massas.
"111" foi a sua primeira exposição individual, em 1992, dedicada ao massacre dos presos políticos na Casa de Detenção de São Paulo, mais conhecida como Carandiru.
Em 2000 vence o concurso internacional para a construção de um monumento à Memória dos Desaparecidos durante a ditadura militar chilena.
Como pessoa, o Nuno Ramos é um ser humano extraordinário. Por mim, considero que este prémio que agora o distingue é um bocadinho português também.
Parabéns ao Nuno, à Sandra (mulher), à Dulce Helena (mãe) e a toda a família Ramos!
"A herança cultural mais preciosa é o próprio acto de ler. Vivemos tempos extraordinários e não podemos intimidar-nos com as mudanças" disse, quando ontem recebeu o prémio literário disputado entre brasileiros e portugueses, onde se contavam nomes como António Lobo Antunes, Inês Pedrosa, José Luis Peixoto e Gonçalo M. Tavares.
| edição brasileira |
| edição portuguesa, pela Cotovia |
Formado em Filosofia, Nuno Ramos tem sido distinguido sobretudo como artista plástico, mas a sua enorme sensibilidade leva-o para outras formas de arte, passando pela pintura, desenho, escultura, cenografia e ensaio, sendo este o seu quarto livro. Antes publicara "Cujo", em 1993, "Balada", em 1995 e "O Pão do Corvo" em 2002. Considera-se um não alinhado, ou, como diz, um anti-artista de massas.
"111" foi a sua primeira exposição individual, em 1992, dedicada ao massacre dos presos políticos na Casa de Detenção de São Paulo, mais conhecida como Carandiru.
Em 2000 vence o concurso internacional para a construção de um monumento à Memória dos Desaparecidos durante a ditadura militar chilena.
Como pessoa, o Nuno Ramos é um ser humano extraordinário. Por mim, considero que este prémio que agora o distingue é um bocadinho português também.
Parabéns ao Nuno, à Sandra (mulher), à Dulce Helena (mãe) e a toda a família Ramos!
julia coutinho
sexta-feira, outubro 30, 2009
quinta-feira, outubro 29, 2009
Francisco Castro Rodrigues: Um Cesto de Cerejas
Editado pela Casa da Achada - Centro Mário Dionísio, numa excelente organização (introdução e notas) de Eduarda Dionísio, estas conversas com Francisco Castro Rodrigues vêm colmatar uma grande lacuna e fazer luz em muitos factos ocorridos na Lisboa político-cultural dos anos quarenta e inicios de cinquenta do século passado.
Francisco Castro Rodrigues, que nasceu em Lisboa em 1920 e se formou em arquitectura na Escola de Belas-Artes de Lisboa, dá-nos conta das suas memórias enquanto estudante, dirigente do Sindicato dos Arquitectos Portugueses e da Sociedade Nacional de Belas-Artes, activista político ligado ao PCP e ao MUD Juvenil, a cuja comissão central pertenceu, bem como das prisões pela PIDE que o levou aos calabouços com Mário Soares, Júlio Pomar, Rui Grácio, António Abreu, José Carlos Gonçalves e muitos dirigentes e aderentes juvenis naquele fatídico 1947.
Castro Rodrigues viveu intensamente o antes e o após Segunda Guerra Mundial, as lutas para que os artistas plásticos oposicionistas tivessem onde expôr as suas obras, e conta-nos como conseguiram ganhar as eleições na SNBA, em 1946, correndo com as direcções caducas que ali se mantinham e revitalizando aquela instituição, nomeadamente com a organização das EGAP's (Exposições Gerais de Artes Plásticas) que duraram de 1946 a 1956.
Com uma memória prodigiosa, Castro Rodrigues faz juz à memória de homens como Mário Dionísio, colocando no seu devido lugar o protagonismo fundamental que este assumiu em toda a luta oposicionista até 1952, altura em que saíu do PCP.
Na verdade Mário Dionísio foi e é uma figura incontornável da cena cultural portuguesa, e, inquestionavelmente um homem-chave na emergência e consolidação dos movimentos politico-sociais de então, como o MUNAF, o MUD, a CEJAD e outros, devendo-se a ele, MD, a direcção da organização das EGAP´s, de forma discreta, como era da sua índole, mas com a força do carácter que também revestia. É dele, aliás, a introdução (não assinada) do catálogo da primeira EGAP, em Maio de 1946. E só veio a afastar-se das mesmas quando muitos dos artistas plásticos deixaram de cumprir o princípio da «obrigatoriedade de não pactuar com o regime», cedendo ao SNI na ida de alguns à Bienal de São Paulo em 1953.
Francisco Castro Rodrigues também se afastou do PCP (embora se mantivesse comunista) e foi viver para África, para o Lobito, em 1954, onde deixou obra e se manteve até meados dos anos oitenta.
Hoje vive nas Azenhas do Mar, ainda bastante atento e interveniente, como sempre, mas com dificuldades de locomoção que necessariamente o limitam.
Um livro imprescindível para investigadores, sobretudo quando se sabe que, inexplicavelmente, as actas das reuniões da direcção da SNBA, precisamente dos anos 40/50, desapareceram. Pelo menos é o que nos dizem. Porque há muitos anos que os investigadores não têm acesso à biblioteca e aos arquivos da SNBA.
Nota: Francisco Castro Rodrigues faleceu no dia 2 de maio de 2015, no Hospital de Santa Maria onde estava internado. Nascera em Lisboa a 1 de Outubro de 1920. Tinha 94 anos.
Nota: Francisco Castro Rodrigues faleceu no dia 2 de maio de 2015, no Hospital de Santa Maria onde estava internado. Nascera em Lisboa a 1 de Outubro de 1920. Tinha 94 anos.
sábado, outubro 24, 2009
Hoje: A Paleta e o Mundo

A Casa da Achada, Centro Mário Dionísio, vai iniciar, hoje, o Ciclo A Paleta e O Mundo, sendo esta primeira sessão organizada por Luis Miguel Cintra que lerá e debaterá um capítulo do livro com jovens criativos artísticos.
Eu vou lá estar.
sexta-feira, outubro 23, 2009
Jose Saramago e as polemicas que suscita
![]() |
| Jose Saramago (1922-2010) |
Gosto de José Saramago. Desde sempre. Desde que tomei contacto com a sua escrita, muito antes de ser conhecido como escritor, muito antes de ser Nobel da Literatura. Tenho todos os seus primeiros livros e apenas um assinado «Que farei com este livro?» e no qual ele simpaticamente colocou a dedicatória: «para a Julia Coutinho que sabe muito bem o que fazer com este livro». Foi numa Festa do Avante, em 1981, numa sessão de autógrafos onde estavam também o António Lobo Antunes, Fernando Lopes Graça, Alexandre Cabral, Armindo Rodrigues e Manuel da Fonseca, quase todos falecidos há muito. Lamentavelmente, não voltei a ter nova oportunidade. Agora é impossivel recolher autografos de Saramago, a não ser que se tenha muita sorte ou muita paciência para esperar horas infindáveis.
Admiro a sua escrita, tal como admiro a postura do cidadão José Saramago. Admiro a sua coragem por ter iniciado uma carreira aos 50 anos, em momento de desespero, quando estava desempregado. Admiro a sua perseverança, o seu trabalho árduo e contínuo. O assumir as origens humildes e o seu didactismo. Admiro a sua imensa cultura. Os seus credos e convicções e como se mantém fiel aos idearios de sempre. A lucidez que o leva a assumir posições que considera justas ainda que isso lhe custe dissabores. A coragem de seguir o seu próprio caminho. A independência que ainda agora o levou a apoiar publicamente António Costa para a Câmara Municipal de Lisboa, e que muitos não lhe perdoam. Tal como outros lhe não perdoam ter ganho o Nobel.
Indignei-me com as atitudes discriminatórias de que foi vítima no consulado de Cavaco Silva e envergonhei-me com a incultura dos «nossos» homens da cultura daquele governo. Aceito o seu iberismo e achei natural que tenha decidido viver em Espanha, até porque é casado com uma espanhola e aquele país o trata exemplarmente, como ainda recentemente se verificou com a exposição: A Consistência dos Sonhos.
Apenas uma coisa não entendo em Saramago: a forma como retirou dos seus livros a dedicatória à sua companheira de muitos anos, a escritora Isabel da Nóbrega. Eu ainda tenho os livros «dedicados à Isabel», mas as novas edições subtrairam essas dedicatórias. Apagou-as. Sei que a Pilar é a «mulher da sua vida». Mas, para quê reescrever a História?
A propósito do seu último livro, Caim, e da onda de protestos que as suas afirmações sobre a Bíblia estão a desencadear, acho-os patéticos, falsos e puritanos. José Saramago tem todo o direito em se expressar livremente. A arte não pode nem deve ter limitações e muito menos o direito à liberdade de expressão conquistada com a revolução de Abril. E quanto ao videirinho que advoga a sua purga da nacionalidade, um dia só será lembrado pelos piores motivos, pelo ridículo da situação, como acontece com Sousa Lara. Aliás todo este processo faz-me lembrar o que se passou há uns anos com Salman Rushdie e Os Versículos Satânicos. Lembram-se como então nos indignámos?
José Saramago é português. Nunca abdicou da sua nacionalidade. Tem aqui família. Tem casa em Lisboa, vem regularmente a Lisboa, é fiel à editora portuguesa que o lançou, a Caminho, (quando outras lhe viraram as costas), mantém actividades culturais regulares no nosso país e paga integralmente os impostos ao Estado Português, a que muitos «bons portugueses» frequentemente se esquivam. José Saramago só prestigia Portugal.
Pessoalmente, ateia como sou, sinto-me agradecida por Saramago ter exprimido publicamente o que penso acerca da Bíblia e das religiões em geral: são uma farsa.
Julia Coutinho
Nota posterior: José Saramago faleceu em 18 de junho de 2010. As suas cinzas encontram-se divididas por Lanzarote, junto à casa onde viveu os últimos anos e por Lisboa, junto à Fundação José Saramago, que é dirigida pela viúva, Pilar del Rio.
E sim, acabei por ter um outro autógrafo do nosso Nobel, precisamente no último livro que lançou, em vida, Caim. Assisti ao lançamento, na Culturgest, e devo a Pilar o privilégio de uma dedicatória quando o escritor apenas assinava para não ser demasiado violento. Foi um fim de tarde memorável.
quinta-feira, outubro 15, 2009
In Memoriam de Ramiro Correia (1937-1977)
No dia em que faria 72 anos, gostaria de recordar este generoso «capitão de Abril», uma das peças fundamentais no xadrez da Revolução de 25 de Abril.
Membro da Comissão Coordenadora do Programa do MFA da Marinha, fez parte da Junta de Salvação Nacional a partir de 3 de Maio 74; membro da 5ª Divisão do Estado-Maior-General das Forças Armadas, que dirigiu, coordenador principal da Comissão Dinamizadora Central (Codice) e membro do Conselho da Revolução, a Ramiro Correia se deve essa grande iniciativa do MFA depois do 25 de Abril: a dinamização cultural junto do povo português, através das Campanhas de Dinamização Cultural e Esclarecimento Cívico do MFA por si idealizadas e postas em prática.
Participa na elaboração do Documento-Guia do Projecto da Aliança Povo-MFA, aprovado pela Assembleia do MFA em 8 de Julho de 1975. É autor ainda de «MFA-Dinamização Cultural e Acção Cívica», testemunho vivo da experiência das diversas campanhas, de como se procuraram adaptar aos condicionamentos locais, às populações e aos seus problemas. De como os artistas da nossa praça (cantores, pintores, musicos, actores) conseguiram levar a cultura a locais e populações que nunca antes tinham tido qualquer contacto a esse nível.
Depois de ter sido «expulso» do Conselho da Revolução por «redução de efectivos» e de lhe ter sido retirada a direcção da 5ª Divisão, foi desgraduado do posto de capitão-de-mar-e-guerra por uma portaria do Conselho da Revolução em 21 de Outubro. Cerca de um mês depois dá-se o 25 de Novembro e logo a seguir a Codice é extinta juntamente com as últimas campanhas de dinamização.
Perseguido pelo poder emergente do 25 de Novembro, e depois de uns meses durante os quais escreveu «MFA e Luta de Classes», Ramiro e a familia seguem para Maputo onde são colocados (ele e mulher, médicos) no Hospital Central. Como ele próprio disse na altura: «Moçambique aparece-me no horizonte como experiência de solidariedade internacional».
E foi ali, no dia 16 de Agosto de 1977, quando toda a família passeava na Baía do Bilene, que o barco se virou e todos morreram, excepto o filho mais velho, Ramiro Bernardino, que conseguiu nadar para terra.
No dia 12 de Outubro de 1977 os corpos de Ramiro, Isabel e Nuno chegam a Lisboa e ficam em câmara ardente na capela de S. Roque, no Ministério da Marinha, no antigo Arsenal. Em recolhimento, ladeando as urnas, entre os avós e restantes familiares e amigos, o pequeno Ramiro Bernardino, de 9 anos, recordava incrédulo «... a minha mãe pode ser que esteja aí, porque a vi a boiar, mas o meu pai e o meu irmão não estão... Quando o meu pai me mandou embora para terra ele vinha a nadar com o meu irmão às costas. Às vezes olhava para trás e via o meu irmão agarrado ao pescoço do meu pai...»
No dia 13 de Outubro, cerca das 17,30 horas, o cortejo fúnebre seguiu a pé direito ao Alto de São João, parando em Alfama que o viu nascer, e, por entre uma multidão que engrossava e fundia no mesmo pesar militares e civis, cantava-se «Grândola Vila Morena», «A Portuguesa» e gritava-se «MFA». «MFA», «MFA».
Mário Soares, então primeiro-ministro do I Governo Constitucional, não compareceu nem se fez representar. Portugal, a nível institucional, esteve ausente nas cerimónias fúnebres deste militar de Abril. O que levou Manuel de Azevedo a escrever no Diário de Lisboa de 15:
«Caro amigo: eu estive no funeral de Ramiro Correia e vi as lágrimas correr. Eu vi as lágrimas correr dos olhos do povo. Eu vi as lágrimas. Caro amigo: eu estive no funeral do capitão de Abril morto num acidente nos mares de Moçambique (...)
Caro amigo; eu estive no funeral do ex-conselheiro da Revolução e não o vi a si. E dói-me, dói-nos a todos os antifascistas que continuam a sê-lo, que você lá não estivesse. E contudo Ramiro Correia era um homem dos homens de Abril a quem você deve poder ter sido primeiro-ministro do primeiro Governo Constitucional. E contudo você esteve no funeral do cardeal Cerejeira, o companheiro e mentor de Salazar.
Não basta, no dia 5 de Outubro, dar vivas à República, e ao 25 de Abril. É preciso viver-se no dia a dia a Revolução de Abril.»
Manuel Begonha, no elogio fúnebre:
«Era um homem que desprezava a vaidade. Tolerante, era ao mesmo tempo, implacável para quem, responsavelmente, tentasse perpetuar o estado de aviltação do povo português. Era, aliás, um homem simples e cativante, de uma estatura intelectual e humana invulgares. Ramiro Correia morreu, mas o seu espírito, o seu exemplo, a sua obra, continuarão a iluminar as noites do nosso desencanto»
Fernando Piteira Santos:
Membro da Comissão Coordenadora do Programa do MFA da Marinha, fez parte da Junta de Salvação Nacional a partir de 3 de Maio 74; membro da 5ª Divisão do Estado-Maior-General das Forças Armadas, que dirigiu, coordenador principal da Comissão Dinamizadora Central (Codice) e membro do Conselho da Revolução, a Ramiro Correia se deve essa grande iniciativa do MFA depois do 25 de Abril: a dinamização cultural junto do povo português, através das Campanhas de Dinamização Cultural e Esclarecimento Cívico do MFA por si idealizadas e postas em prática.
Participa na elaboração do Documento-Guia do Projecto da Aliança Povo-MFA, aprovado pela Assembleia do MFA em 8 de Julho de 1975. É autor ainda de «MFA-Dinamização Cultural e Acção Cívica», testemunho vivo da experiência das diversas campanhas, de como se procuraram adaptar aos condicionamentos locais, às populações e aos seus problemas. De como os artistas da nossa praça (cantores, pintores, musicos, actores) conseguiram levar a cultura a locais e populações que nunca antes tinham tido qualquer contacto a esse nível.
Depois de ter sido «expulso» do Conselho da Revolução por «redução de efectivos» e de lhe ter sido retirada a direcção da 5ª Divisão, foi desgraduado do posto de capitão-de-mar-e-guerra por uma portaria do Conselho da Revolução em 21 de Outubro. Cerca de um mês depois dá-se o 25 de Novembro e logo a seguir a Codice é extinta juntamente com as últimas campanhas de dinamização.
Perseguido pelo poder emergente do 25 de Novembro, e depois de uns meses durante os quais escreveu «MFA e Luta de Classes», Ramiro e a familia seguem para Maputo onde são colocados (ele e mulher, médicos) no Hospital Central. Como ele próprio disse na altura: «Moçambique aparece-me no horizonte como experiência de solidariedade internacional».
E foi ali, no dia 16 de Agosto de 1977, quando toda a família passeava na Baía do Bilene, que o barco se virou e todos morreram, excepto o filho mais velho, Ramiro Bernardino, que conseguiu nadar para terra.
No dia 12 de Outubro de 1977 os corpos de Ramiro, Isabel e Nuno chegam a Lisboa e ficam em câmara ardente na capela de S. Roque, no Ministério da Marinha, no antigo Arsenal. Em recolhimento, ladeando as urnas, entre os avós e restantes familiares e amigos, o pequeno Ramiro Bernardino, de 9 anos, recordava incrédulo «... a minha mãe pode ser que esteja aí, porque a vi a boiar, mas o meu pai e o meu irmão não estão... Quando o meu pai me mandou embora para terra ele vinha a nadar com o meu irmão às costas. Às vezes olhava para trás e via o meu irmão agarrado ao pescoço do meu pai...»
No dia 13 de Outubro, cerca das 17,30 horas, o cortejo fúnebre seguiu a pé direito ao Alto de São João, parando em Alfama que o viu nascer, e, por entre uma multidão que engrossava e fundia no mesmo pesar militares e civis, cantava-se «Grândola Vila Morena», «A Portuguesa» e gritava-se «MFA». «MFA», «MFA».
Mário Soares, então primeiro-ministro do I Governo Constitucional, não compareceu nem se fez representar. Portugal, a nível institucional, esteve ausente nas cerimónias fúnebres deste militar de Abril. O que levou Manuel de Azevedo a escrever no Diário de Lisboa de 15:
«Caro amigo: eu estive no funeral de Ramiro Correia e vi as lágrimas correr. Eu vi as lágrimas correr dos olhos do povo. Eu vi as lágrimas. Caro amigo: eu estive no funeral do capitão de Abril morto num acidente nos mares de Moçambique (...)
Caro amigo; eu estive no funeral do ex-conselheiro da Revolução e não o vi a si. E dói-me, dói-nos a todos os antifascistas que continuam a sê-lo, que você lá não estivesse. E contudo Ramiro Correia era um homem dos homens de Abril a quem você deve poder ter sido primeiro-ministro do primeiro Governo Constitucional. E contudo você esteve no funeral do cardeal Cerejeira, o companheiro e mentor de Salazar.
Não basta, no dia 5 de Outubro, dar vivas à República, e ao 25 de Abril. É preciso viver-se no dia a dia a Revolução de Abril.»
Manuel Begonha, no elogio fúnebre:
«Era um homem que desprezava a vaidade. Tolerante, era ao mesmo tempo, implacável para quem, responsavelmente, tentasse perpetuar o estado de aviltação do povo português. Era, aliás, um homem simples e cativante, de uma estatura intelectual e humana invulgares. Ramiro Correia morreu, mas o seu espírito, o seu exemplo, a sua obra, continuarão a iluminar as noites do nosso desencanto»
Fernando Piteira Santos:
«Homens como Ramiro Correia são sementes do Futuro»
João Varela Gomes:
João Varela Gomes:
«No retrato que nos fica de Ramiro Correia não há a mais pequena mancha de traiçoeira ambiguidade, o mais ligeiro tremor de vacilação. Fita-nos de frente, com um olhar cristalino de água, o sorrir prevenido e levemente amargurado do revolucionário lúcido e experimentado. Despedimo-nos do nosso companheiro, irmão tão breve que foi.
(...) O teu exemplo, esse permanecerá herança do Povo Português, dos Povos do Mundo, legado precioso e fecundo de um HERÓI DO NOSSO TEMPO. E nós nomearemos o tempo, como tu nos exortas a fechar o teu livro.»
(...) O teu exemplo, esse permanecerá herança do Povo Português, dos Povos do Mundo, legado precioso e fecundo de um HERÓI DO NOSSO TEMPO. E nós nomearemos o tempo, como tu nos exortas a fechar o teu livro.»
Martins Guerreiro:
«Ramiro Correia deixou-nos uma proposta e uma experiência. Cabe-nos agora extrair os ensinamentos dessa experiência e aceitar essa proposta: contribuir para a transformação da qualidade de vida do povo português, afirmando a sua cultura e capacidade. No seu legado contam-se as sementes bastantes para que a Revolução Cultural e a das mentalidades se tornem uma realidade. Algumas dessas sementes estão já a germinar, e novas plantas crescem no terreno fértil do Povo. Depende de todos nós fazê-las florir.»
Ramiro Pedroso Correia nasceu a 15 de Outubro de 1937 na Rua do Salvador 18-1º, em Alfama, mas cedo os pais, Bernardino Correia e Fernanda Rosa Pedroso Correia, mudaram para a Rua Sousa Viterbo, 23-2º Dto, ao Alto de São João, onde decorreram a infância e a adolescência do jovem Ramiro.
Faz o 7º ano no Liceu Gil Vicente, sendo um grande activista desportivo. Frequenta o 1º ano de Medicina em Lisboa, passa depois para Coimbra, e termina o curso em Lisboa, em 1966, já depois de casado com a também médica Isabel Lacximy, com quem tem dois filhos: Ramiro Bernardino e Nuno Ramiro.
Em finais de 1966, já depois de formado, ingressa na Marinha com o posto de segundo-tenente na classe dos médicos navais, tendo estagiado na Escola Naval e no Hospital de Marinha. Mais tarde parte para Moçambique a bordo da fragata Álvares Cabral. É promovido a primeiro-tenente em Janeiro de 1970. Desembarca em Angola, em Março de 1971, e presta serviço como médico em Santo António do Zaire.
Faz o 7º ano no Liceu Gil Vicente, sendo um grande activista desportivo. Frequenta o 1º ano de Medicina em Lisboa, passa depois para Coimbra, e termina o curso em Lisboa, em 1966, já depois de casado com a também médica Isabel Lacximy, com quem tem dois filhos: Ramiro Bernardino e Nuno Ramiro.
Em finais de 1966, já depois de formado, ingressa na Marinha com o posto de segundo-tenente na classe dos médicos navais, tendo estagiado na Escola Naval e no Hospital de Marinha. Mais tarde parte para Moçambique a bordo da fragata Álvares Cabral. É promovido a primeiro-tenente em Janeiro de 1970. Desembarca em Angola, em Março de 1971, e presta serviço como médico em Santo António do Zaire.
Publicou, em 1973, um livro de poesia «Na Clivagem do Tempo».
«A ponte é estreita
rapazinho negro
Mas dá bem para nós dois
lado a lado.
(...)
A ponte não é estreita
E há-de ligar-nos no Futuro»
Aderiu ao Movimento dos Capitães no inicio de 1974.
Julia Coutinho
«A ponte é estreita
rapazinho negro
Mas dá bem para nós dois
lado a lado.
(...)
A ponte não é estreita
E há-de ligar-nos no Futuro»
Aderiu ao Movimento dos Capitães no inicio de 1974.
Julia Coutinho
Bibliografia:
Ramiro Correia, Soldado de Abril, por Eduardo Miragaia, Joaquim Vieira e Manuel Vieira, editado por FRASE - Cooperativa Editora, SCRL, s/d
quarta-feira, outubro 14, 2009
Obrigada a todos
Carissimos amigos,Os resultados do passado dia 11 deram a vitória, por maioria absoluta, ao Dr António Costa para presidir à Câmara Municipal de Lisboa. Conseguimos UNIR LISBOA em torno do nosso candidato. Todos estamos de parabéns!
Foi o culminar de um longo processo que começou em Abril com o lançamento do movimento do Apelo a uma Convergência de Esquerda para Lisboa, passou depois pelo movimento Claac - Cidadãos Lisboetas apoiam Antonio Costa, e, finalmente, pelos Serviços de Candidatura da lista UNIR LISBOA.
Gorados que foram os objectivos iniciais de levar os partidos da esquerda (CDU e BE) a entenderem-se com o PS e apresentarem uma lista única, foi possível, graças ao carácter humanista e dialogante de António Costa transformar a candidatura UNIR LISBOA num projecto alargado de unidade com os movimentos Cidadãos por Lisboa, de Helena Roseta, e Lisboa é Muita Gente, de José Sá Fernandes.
Para além disso, muitos foram os independentes de esquerda que se juntaram para UNIR LISBOA, tendo-se conseguido uma dinâmica que extravasou todas as fronteiras partidárias, tal como evidencia a Comissão de Honra da candidatura e António Costa fez questão de sublinhar na noite da grande vitória.
Foi um erro os partidos da esquerda não se terem unido para uma candidatura e um programa comuns. Um erro que nos podia ter sido fatal, correndo-se o risco de entregar a CML ao candidato da direita. Felizmente o eleitorado lisboeta, numa atitude de grande maturidade política votou ao arrepio das posições partidárias tendo penalizado fortemente a CDU e, sobretudo, o BE.
Os cidadãos lisboetas têm memória (boas memórias) da coligação que governou Lisboa de 1989 a 2001 e do muito que a mesma permitiu realizar para o bem comum. Queriam e querem que os partidos se entendam porque, acima de qualquer partidarismo, precisam de quem trabalhe e lhes resolva os problemas. Os lisboetas conhecem António Costa, um homem que também esteve ligado à antiga Coligação e optaram, conscientemente, por dar-lhe a estabilidade necessária para governar a cidade.
Por mim, quero agradecer a todos que, directa ou indirectamente, me/nos acompanharam neste processo que agora chega ao fim. Todos fomos peças fundamentais para a vitória final.
Obrigada a todos! Foi uma honra trabalhar convosco.
Por fim, lembrar aqui dois amigos e colaboradores desde a primeira hora, ambos membros fundadores do movimento do Apelo à Convergência de Esquerda que, infelizmente, nos deixaram a meio do caminho: Raul Solnado (Mandatário para os Séniores) e João Vieira (da Comissão de Honra).
Sempre ao vosso dispôr.
Viva Lisboa!
Julia Coutinho
segunda-feira, outubro 12, 2009
domingo, outubro 11, 2009
Parabéns, Martins Guerreiro !
Há seres que nos transcendem. Seres imensos, «maiores que o pensamento» maiores que o seu tempo. Seres generosos que abraçam ideais e por elas pelejam. Seres solidários que lançam e criam pontes e diálogos. Seres verticais e incapazes de trair ou renegar. Lutadores que deixam rastro e sementeira por onde passam. Que respeitam o adversário e desconhecem a deslealdade. Que honram os Amigos e a Amizade. Que ficam para sempre.
O «capitão de Abril» Martins Guerreiro é um Homem assim. E eu, que o conheci melhor em 2005 no âmbito do movimento cívico Não Apaguem a Memória, de que ambos fomos membros fundadores, sinto-me particularmente privilegiada por ter trabalhado com ele, e, sobretudo por tê-lo como Amigo. Homem profundamente humano e íntegro o seu contacto engrandece os que com ele privam.
Nasceu a 11 de Outubro de 1940.
Parabéns, Amigo! Que possamos comemorar muitas mais vezes. E que este ano essa comemoração tenha um sabor diferente ...
sexta-feira, outubro 09, 2009
Luis de Barros: voto António Costa

Rigor contra o aventureirismo. Política enquanto serviço público, contra a politiquice de casos mal contados e acusações infundadas. Concepções urbanísticas que sirvam os munícipes, todos os munícipes, e não coisas, que só servem alguns. Seriedade contra frivolidade.
Assim oponho, convictamente, António Costa a Santana Lopes. O primeiro era uma criança invulgarmente culta e inteligente quando o conheci, nos anos setenta, ao lado da mãe, a jornalista Maria Antónia Palla, nas férias em Albufeira. Não voltei, desde então, a estar com ele. Mas acompanhei, com pessoal curiosidade, o seu percurso político. O que me permite, confiadamente, defini-lo como defini.
Ao segundo, nunca conheci pessoalmente. Mas, por dever profissional, segui atentamente o seu trajecto. O que, infelizmente, não me permitiu ter dele outra opinião senão a que expus.
Os outros candidatos da esquerda só contam para beneficiar Santana. São lamentáveis os rumos a que conduz a cegueira sectária.
Em tempos ainda de crise, a nossa Lisboa exige mais do que nunca uma gestão responsável. Estou certo de que só António Costa está apto a responder a esse desafio.
Luis de Barros
Jornalista
Assim oponho, convictamente, António Costa a Santana Lopes. O primeiro era uma criança invulgarmente culta e inteligente quando o conheci, nos anos setenta, ao lado da mãe, a jornalista Maria Antónia Palla, nas férias em Albufeira. Não voltei, desde então, a estar com ele. Mas acompanhei, com pessoal curiosidade, o seu percurso político. O que me permite, confiadamente, defini-lo como defini.
Ao segundo, nunca conheci pessoalmente. Mas, por dever profissional, segui atentamente o seu trajecto. O que, infelizmente, não me permitiu ter dele outra opinião senão a que expus.
Os outros candidatos da esquerda só contam para beneficiar Santana. São lamentáveis os rumos a que conduz a cegueira sectária.
Em tempos ainda de crise, a nossa Lisboa exige mais do que nunca uma gestão responsável. Estou certo de que só António Costa está apto a responder a esse desafio.
Luis de Barros
Jornalista
São Jose Lapa: voto Antonio Costa
Décadas de imobilismo, de laxismo, de pseudo burocracia raiando a corrupção tornaram Lisboa numa cidade muito semelhante a "uma instalação de um artista pós-moderno", uma cidade bombardeada: prédios fechados, lojas fechadas e lojas fechadas, escombros, buracos e buracos, água a correr desperdiçando-se... e esta luz magnífica a tornar tudo ainda mais visível.
Apoio António Costa, na esperança de ver Mães a poder passear os seus Filhos, sem terem obstáculos nos passeios onde os mais Velhos apoiados nas suas frágeis pernas e bengalas tantas vezes caem...
Apoio António Costa ESPERANDO QUE A CIDADE NÃO EXPULSE OS MAIS NOVOS EM DEMANDA DE RENDAS MAIS BARATAS NAS PERIFERIAS...
Apoio António Costa, na esperança que a construção de imóveis dê lugar à RECONSTRUÇÃO, que não se destruam os interiores (deixando as fachadas pateticamente fragilizadas e depois "maquilhadas") e se utilizem tantos e tantos novos materiais à disposição para a redefinição dos seus interiores assim reabilitados...
Apoio António Costa para que dos bairros desta nossa Lisboa, as pequenas lojas não continuem a desaparecer: mercearias, drogarias, padarias, lugares de fruta.
Sem elas, os velhos que não têm transporte próprio para acorrer aos hipermercados estiolam na sua difícil existência.
Apoio ANTÓNIO COSTA.
São José Lapa
Actriz / Encenadora
Subscrever:
Mensagens (Atom)







