domingo, maio 29, 2011

Maria Helena Coimbra, uma Mulher determinante na minha vida

Julia Coutinho e M Helena Coimbra no dia 8 de Agosto 2008, naquele que seria o último encontro de ambas

No dia 27 de Março passado teve lugar uma Homenagem a Maria Helena Coimbra no Museu Escolar de Marrazes, que ela ajudou a nascer e implementar. Como sua aluna, afilhada e amiga, fui convidada a fazer uma intervenção. Deixo aqui o essencial do meu texto, tal como foi publicado no jornal Gazeta das Caldas. Foi uma honra poder dizer publicamente o quanto Maria Helena Coimbra foi importante na minha vida.


M HELENA COIMBRA, UMA MULHER DETERMINANTE NA MINHA VIDA


Tinha 14 anos quando me matriculei no curso nocturno da Escola Comercial de Caldas da Rainha. E assim conheci Maria Helena Coimbra, professora de Religião e Moral.

Parece que estou a vê-la: pequenina, um andar saltitante nos seus sapatos rasos, de «sola de ceilão», sorriso rasgado, voz de gaiata, e tão expressiva que parecia falar com o rosto todo. De uma energia contagiante, tinha o condão de nos aproximar de si, de nos fazer sentir como iguais. Uma proximidade feita de ternura e respeito. Com uma força de vontade enorme, os obstáculos não existiam porque, muito naturalmente, eram para ser superados. Era a nossa heroína. Queriamos ser como ela, desempoeirada, sem teias de aranha na cabeça nem macaquinhos na sótão. Uma mulher do seu tempo.

Estavamos na primeira metade dos anos sessenta e as aulas de Religião e Moral, eram tudo menos religião e moral. Eu já começara as minhas crises existenciais e os meus conflitos religiosos mas com as suas aulas aconteceu um apaziguamento. De tal maneira que ainda fui crismada e a Maria Helena foi minha madrinha. Não valeu de muito porque hoje sou ateia, mas a sua influência estendeu-se muito para além das questões da religião.

Vivia-se o Concílio Vaticano II e a Maria Helena trazia para as aulas a importância do Papa João XXIII que teve a coragem de convocar um concílio «tendo em conta os desvios, as exigências e as possibilidades» colocadas à Igreja e à sociedade, contra os que nos tempos modernos apenas viam «prevaricações e ruinas (…) em comparação com épocas passados (…) e se portavam como quem nada aprendeu da História, que é também mestra da vida», conforme o discurso de abertura.

Lembro de discutirmos o Decálogo da Serenidade que contém 10 sugestões de conduta para quem deseja a paz. Todas as frases começavam: «Só por hoje» e recordo especialmente uma que suscitou grande debate na aula e me impressionou particularmente: «só por hoje, dedicarei 10 minutos do meu tempo a uma boa leitura, recordando que, assim como o alimento é necessário para a vida do corpo, a boa leitura é necessária para a vida da alma».

Maria Helena desdramatizava tudo descomplicava tudo e fazia-nos acreditar que eram possíveis os nossos sonhos por improváveis que parecessem. A todo o momento nos incentivava, nos incutia força e determinação, muitas vezes dando exemplos e sugestões que eram rastilho para o que nos pareciam (im)possibilidades. Mais do que religião, ela ensinou aos seus alunos a camaradagem, a fraternidade, a solidariedade, o trabalho, a dignidade e o respeito. Ensinou-nos a pensar. A acreditar. Ensinou-nos a cidadania.

Para mim era um exemplo a seguir. E, por coincidência, tinha o mesmo nome da mãe que tão cedo eu perdera: Maria Helena.
Um dia falei-lhe particularmente. Contei-lhe de mim e dos meus projectos. Generosamente, levou-me para o Museu José Malhoa, que dirigia. Durante dois anos, actualizei a inventariação do acervo museológico. Ensinou-me a escrever à máquina e a fazer palavras cruzadas, uma descoberta que me deixou maravilhada.

Lembro-me que com o primeiro dinheiro recebido quis comprar um livro e a Maria Helena aconselhou-me o «Não Matem a Cotovia» de Harper Lee, um livro que acabava de sair e que tratava dos Direitos Humanos e dos preconceitos raciais nos Estados Unidos, problemática que pela primeira vez se me colocou. Perdia-me na biblioteca do museu. Imaginem uma jovem de 15 anos, curiosa e sedenta de saber, rodeada de livros e obras de arte! Foi uma imersão que marcou para sempre a minha vida. E se hoje sou licenciada em História da Arte e sigo investigação a ela o devo também. Porque me incutiu esse gosto e me incentivou a lutar por ele.

Em 1966 passei a viver em Lisboa e a Maria Helena também me seguiria três anos depois. Foram longos tempos sem nada sabermos uma da outra. Só há cerca de onze anos a reencontrei e foi emocionante voltar a ver a minha querida professora, madrinha e amiga. Tinha urgência em falar-lhe de mim, do meu percurso de vida, e de como fios invisíveis mas inquebrantáveis sempre nos haviam unido. Penso que lhe terei dado alguma alegria com isso.

Sempre considerei Maria Helena como a «minha madrinha». Se analisarmos a palavra madrinha veremos que é a junção da palavra «madre=mãe» com o sufixo «inha=pequenina». Ou seja «mãezinha». A minha conclusão é de que madrinha significa, simbolicamente, uma mãe pequena ou, metaforicamente, uma segunda mãe.

Por outro lado, a palavra madrinha também designa «aquela que protege, que guia» e aí nunca existiram dúvidas, ela foi a pessoa que orientou os meus primeiros passos de jovem adolescente e quem me ensinou a caminhar sozinha. Devo-lhe essa imensa força.

Maria Helena tinha grande sentido de humor e sabia rir de si própria, uma qualidade rara e muito inteligente. Dizia que as coisas sempre lhe tinham acontecido inesperadamente, sem as procurar. E tinha razão. Vejamos como foi dar aulas de Religião e Moral sem nunca ter dado catequese. Filha de um anticlerical, ela e a irmã, Graça, apenas foram baptizadas aos 19 anos, por decisão própria. Sem qualquer formação religiosa, foi o próprio pai quem as preparou para a cerimónia. É que o anticlerical Augusto Dias Coimbra, era igualmente um especialista em Direito Canónico e conhecia a Bíblia como ninguém, estando apto, por isso a instruir as filhas.

Mais tarde, é convidada para dar aulas de Religião e Moral, o que a deixou surpreendidíssima. Maria Helena estava à frente do Museu José Malhoa e começara a contactar o Patriarcado para se fundar um Museu de Arte Sacra nas Caldas. Mas as suas qualidades humanistas impressionaram o padre com quem falava habitualmente e foi ele que a convidou para dar aulas na escola comercial da cidade. Aceitou, tal como aceitava todos os desafios que envolvessem a juventude. A Igreja queria uma «reviravolta nas aulas de religião e moral» e tiveram-na com Maria Helena. Talvez por ser independente, aberta e sem preconceitos. Pena não terem existido muitas mais professoras como ela.

Não sendo conservadora, Maria Helena era muito apegada às memórias e às tradições familiares. Falava com prazer da sua infância e da casa cor-de-rosa dos avós maternos, na Figueira da Foz. Uma casa enorme, onde nasceu por ser tradição lá nascerem todos os primos, e onde foi muito feliz, sendo com tristeza que mais tarde assistiu à sua venda. Tal como a cama onde nasceu, uma cama de ferro antiga, mas que uma tia pouco apegada ao passado decidiu vender. Era muito ciosa das coisas afectivamente importantes e simbólicas e o desprendimento de alguns familiares deixava-a desolada.

Tinha um amor incondicional pela família e adorava o pai, com quem manteve uma relação fortíssima. As suas memórias mais remotas de carinho estavam associadas ao pai, ao contrário da irmã, mais ligada à mãe. O amor pela família ia até ao sacrifício pessoal, se preciso fosse, como aconteceu quando o pai teve o primeiro enfarte, aos 49 anos, e decidiu interromper os estudos e ir trabalhar para que a irmã pudesse continuar a estudar. Casou com o Jorge nos anos setenta mas nunca se separou da Graça, a irmã mais nova um ano, mas de quem se sentiu protectora até ao fim da vida.

Um mês antes de falecer passei um domingo com ela, o Jorge e a Graça. Seria a última vez que estaríamos juntas. Levei comigo o gravador e a máquina fotográfica e, durante a tarde, tivemos uma longa conversa onde recordou a infância, a família, os estudos, a ida para o Museu, as aulas na Escola Comercial, a vinda para o Museu de Arte Popular, em Lisboa. São três cassetes com a sua voz juvenil, por onde desfilam as memórias, os afectos e os desafectos de uma vida preenchida e com alguns escolhos à mistura.

Foi assim que fiquei a saber do Museu Escolar de Marrazes. Falávamos do seu amor pelo coleccionismo, pela museulogia, da preocupação que sempre teve de que não se perdessem as memórias históricas, e que a levou a guardar tudo quanto eram objectos e documentos familiares. A certa altura disse: «olha, por isso é que eu estou a dar as minhas coisas antigas da escola, livros antigos do meu pai, provas da 4ª classe da minha mãe, coisas do meu avô… Fui guardando, guardando e agora vai tudo para o Museu de Marrazes. Já lá fui levar uma parte. Sabes que sempre tive esta ideia de juntar as coisas, de as preservar.» Soube, assim, da existência do Museu Escolar de Marrazes e das preciosas contribuições que dera para que o mesmo fosse uma realidade.

Prezava muito a Liberdade, e uma das recordações que tenho do nosso último encontro é ouvi-la afirmar: «sempre gostei muito das Caldas [da Rainha] porque, desde miúda, as Caldas [da Rainha] eram um local de Liberdade para mim!».

Maria Helena Coimbra teria feito 86 anos no passado dia 25 de Março. Partiu demasiado cedo para os que a amavam e para o muito que ainda poderia dar-nos. Pessoas como ela sempre disponíveis para os outros, lúcidas, activas e repletas de sabedoria, não deveriam partir… ou deveriam-no apenas quando o seu exemplo e o seu saber proliferassem e passassem de mão em mão, de boca em boca. Para que o mundo se tornasse melhor. Porque são pessoas assim, especiais, que fazem a vida acontecer.

Deixo-vos com um poema que fiz aquando da sua morte, em 24 de Setembro de 2008:

«Contigo / acreditei / nas minhas asas / e voei. / Ensinaste-me / o tropeçar/ o cair / o magoar. / Mas sempre / sempre / o (re)erguer. / Foste a pessoa exacta / no momento incerto. / Como posso dizer-te adeus?»


Julia Coutinho

domingo, abril 17, 2011

25 de Abril, Sempre!






LIBERDADE




Não podemos

deixar

que a liberdade seja



tornada em amargor

ou sonho apenas

feito de memória-luz, fragor



O cravo uma metáfora

que se esgueira.

Vinte e Cinco de Abril à beira-Tejo



Perigando e oscilante

a desfolharem-na,

da sua utopia, enquanto dela



sabemos de salvar e tanto

querer, por quem sempre

lutou para ser lume



Em tumulto de asa

quando voa, bela

redentora e visionária



A transformar

o mundo

e já mudando



Rútila

audaz

e passionária





Maria Teresa Horta


Lisboa, 25 de Abril de 2011




Não nos roubem a LIBERDADE






Joaquim Pessoa (Barreiro, 1948) é um poeta há muito arredado do nosso convívio. Não se edita, não se lê, não se escuta. Das gerações mais novas, quem o conhece? talvez quem o segue no Facebook. Mas ficará na História como um dos autores mais interventivos de Abril. Pouco importa que alguns eruditos o considerem «poeta menor». Para mim e para muitos outros Joaquim Pessoa será sempre a voz do Amor-Combate dos tempos do PREC.



AS PALAVRAS DO MEU CANTO

Palavras que não morrem. Nunca morrem
se um homem as disser sempre de frente.
Palavras que não morrem. Nunca morrem
porque são a razão de quem as sente.

Palavras. Todas elas do meu povo.
Amigas. Companheiras. Namoradas.
E são o canto antigo. O canto novo
de quem não as quer ver amordaçadas.

Palavras que são vento. E tempestade.
Palavras que são sol. E são abrigo.
Verdade. Amor. Poema. Liberdade.
E a palavra maior: palavra Amigo.

Palavras que são arcos. E são setas.
Com elas se defende uma canção.
As palavras são as armas que os poetas
devem fazer passar de mão em mão.

Camões lutou com elas. E por elas.
Junqueiro perfilou-as. E Cesário
abriu todas as portas e janelas
e veio à rua escrever como um operário.

As palavras do sangue. Essas palavras
que são a tua foice. O meu poema.
Palavras de suor quando tu lavras.
De alegria se escrevo e vale a pena.

Palavras que te dizem: estou aqui.
Palavras que me doem. E que eu canto.
Palavras com raiz no meu país
e que já me doeram. Nas não tanto.

Palavras que não gosto de dizê-las
assim feridas. E tu amor não digas!
Palavras encarnadas. Estou a vê-las
em Maio que é o mês das raparigas.

São palavras de fogo. Mas não ardem.
Palavras simples. Do meu cantar de agora.
São palavras. Amigas que não partem.
E ficando resistem à demora.

Palavras que não morrem. Nunca morrem.
E são a minha voz. A minha gente.
Palavras que não morrem. Nunca morrem
se um homem as disser sempre de frente.


Joaquim Pessoa, in Amor Combate, p.107

domingo, março 27, 2011

Maria Helena Coimbra: uma justa homenagem



Maria Helena Coimbra foi minha professora, minha madrinha e minha amiga.
Foi a pessoa que guiou os meus primeiros passos na adolescência.
Devo-lhe muito do que sou.
Muito mais do que possa dizer.
Era um Ser excepcional.
Amanhã vai ser homenageada pelo Museu que ajudou a construir, o Museu Escolar de Marrazes, e eu lá estarei para a recordar.
Um privilégio que muito me honra.


sábado, março 19, 2011

Ciclo de Conferências: A República das Mulheres


A encerrar um ciclo dedicado à Mulher, todas as 4ªs feiras de Março
Na próxima 4ª feira, dia 23 de Março, pelas 19 horas, na Biblioteca-Museu Republica e Resistência, Espaço Grandela, Estrada de Benfica, 419.

  • São José Almeida: Lésbicas no Estado Novo
  • Júlia Coutinho: Artistas Plásticas na Oposição a Salazar
Gostava de vos ver por lá




sábado, fevereiro 05, 2011

Parabéns, Tereza Arriaga!

Tereza Arriaga (Lisboa, 05-02-1915)


Nasceu há 96 anos, no Palácio de Belém, quando o avô era Presidente da República.

Espírito independente e generoso, foi toda a vida uma lutadora pelos direitos das mulheres e dos mais desfavorecidos. 

Foi dirigente da Associação Feminina Portuguesa para a Paz, do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas e uma das organizadoras da Exposição Internacional de Livros escritos por Mulheres, na SNBA, em Janeiro de 1947.
Esteve presa em Caxias, às ordens da PIDE, durante seis meses. 

Tem o curso superior de Pintura da Escola de Belas Artes de Lisboa. Ensinou toda a vida.
Expôs nas EGAPs, Exposições Gerais de Artes Plásticas (1946-1956), na SNBA e em outras individuais e colectivas.
Pinta admiravelmente. 
Ainda guia o seu automóvel na localidade onde reside. 
Escreve e pinta quase diariamente.

Uma mulher extraordinária que tenho a sorte de conhecer e o privilégio de ter como Amiga.

Parabéns, Maria Tereza Arriaga!





sexta-feira, janeiro 28, 2011

Parabéns, Maria Amelia Chaves!


Nasceu em 28 de Janeiro de 1911. Faz hoje 100 anos.

Foi a primeira mulher a ter a «ousadia» de entrar para o Instituto Superior Técnico, em 1931.

Foi a primeira mulher a licenciar-se em Engenharia Civil, pelo IST, em 1937.

Foi a primeira mulher a inscrever-se na Ordem dos Engenheiros.

Foi também a primeira pessoa de engenharia a desenvolver cálculos antissismicos nas construções, tendo sido, por isso, relatora no I Congresso dos Sismos, realizado em 1955.

Exerceu a profissão até aos 90 anos.

Tem cinco filhos, 11 netos e 9 bisnetos.

Maria Amélia Chaves foi pioneira num reduto de homens, mas teve no pai, João Carlos Pires Ferreira Chaves, um militar republicano, o seu maior aliado.

Deu-me a honra de uma longa conversa que será publicada no próximo número da revista Faces de Eva, a sair em Maio.

Parabéns, Maria Amélia!



Nota: sabe-se que a 1ª mulher a frequentar um curso técnico de engenharia civil, pela Escola Politécnica do Porto,  foi Rita Morais Sarmento, em finais do século XIX, porém não se encontram as fontes primárias que atestem o seu percurso académico; o curso não era superior, o que no Porto só acontece a partir de 1915 com a
fundação da Faculdade de Engenharia; sabe-se que constituíu família e faleceu em 1931.  Também nunca exerceu. Maria Amélia Chaves foi a primeira engenheira civil formada pelo Instituto Superior Técnico, a nova escola científica no pós-República. Foi também a primeira mulher a exercer totalmente a profissão, num mundo dominado por homens. A primeira a ir para as obras, fiscalizar. A primeira a assinar projectos e a acompanhar a construção dos mesmos. Pode, por isso mesmo, ser considerada a Primeira Engenheira Civil Portuguesa. Com toda a legitimidade.


quarta-feira, janeiro 26, 2011

Política e Justiça na I República, vol. I (1910-1915)



Política e Justiça na I República,
Um regime entre a legalidade e a excepção
vol. I (1910-1915)
de
Luís Bigotte Chorão


Quinta-Feira, dia 27 Janeiro, pelas 18H30,
no Espaço Justiça, Ministério da Justiça, Terreiro do Paço
Apresentação pelos profs. Fernando Catroga e António Hespanha


«O estudo que agora se publica constitui o primeiro de um conjunto de três volumes que, sob o título Política e Justiça na I República, Um regime entre a legalidade e a excepção, tem por objectivo analisar e reflectir historicamente a experiência política que se iniciou com a fundação da República, em Outubro de 1910, e se estendeu ao longo de dezasseis anos incompletos para soçobrar ingloriamente na sequência das desencontradas, mas, a final, vitoriosas arrancadas de Maio de 1926.
Admitindo-se as vantagens da exposição segundo a ordem cronológica dos acontecimentos, ocupamo-nos neste primeiro volume dos anos 1910-1915 que correspondem essencialmente ao mandato revolucionário do Governo Provisório e à constitucionalização do regime com a eleição de Manuel de Arriaga como Presidente da República, cujo mandato acabaria por ser interrompido pelos acontecimentos de 14 de Maio que colocaram fim ao Governo Pimenta de Castro.

O segundo volume cobrirá os anos de 1915-1920 e o terceiro os anos do fim da I República, devendo ser acrescentado de três estudos autónomos sobre a Constituição Política de 1911, a liberdade e a censura e, por fim, sobre a política e justiça colonial republicana.»

 
Lá estarei para abraçar o meu amigo Luís.
Foi um privilégio ter trabalhado com ele.



terça-feira, janeiro 18, 2011

Portugal e os cidadãos de primeira

Vitor Alves (30.09 .1935 - 9.01. 2011)

Crónica de António de Sousa Duarte publicada no Público de 12 de Janeiro 2011


PORTUGAL E OS CIDADÃOS DE PRIMEIRA

As mortes de Vítor Alves, capitão de Abril, e do cronista cor-de-rosa Carlos Castro mostram algumas evidências sobre o país.

Separadas por escassas horas, as mortes do coronel Vítor Alves, "capitão de Abril", e do cronista "cor-de-rosa" Carlos Castro tiveram o condão de fazer notar uma vez mais algumas evidências sobre Portugal e os portugueses que nunca será de mais destacar. Na verdade, mesmo admitindo as macabras circunstâncias em que Castro foi assassinado e os requintes de malvadez de que foi aparentemente vítima, não parece normal que tal facto tenha merecido tão esmagadoramente maior espaço mediático do que o desaparecimento de um dos principais símbolos da Revolução do 25 de Abril de 1974 e destacado operacional da construção do processo democrático.

Vítor Alves faleceu domingo, cerca de 36 horas depois da morte, em Nova Iorque, de um colunista social conhecido por se dedicar há décadas a analisar os factos da actualidade "cor-de-rosa" nacional. Considerado em muitas das biografias espontâneas que dele nos últimos dias chegaram ao nosso conhecimento como "um cidadão de primeira", Vítor Alves foi um homem probo, sério, rigoroso, sensível que contribuiu de forma decisiva - antes e depois do dia 25 de Abril de 74 - para o actual regime democrático em Portugal. Vítor Alves, que integrou, com Vasco Lourenço e Otelo Saraiva de Carvalho, a comissão coordenadora e executiva do MFA (Movimento das Forças Armadas), foi o autor do primeiro comunicado dirigido à população no dia 25 de Abril e o militar que foi o porta-voz do Movimento. Mas as exéquias mediáticas de Vítor Alves foram curtas, muito curtas, se levarmos em conta a importância do seu legado e o impacte informativo que outros factos da actualidade suscitaram e de que é exemplo, sublinho, a vaga noticiosa relativa à morte de Carlos Castro.

O país trocou "um cidadão de primeira" por uma "história de segunda", mas o desiderato é positivo: chancela-se a morte do militar, político, ministro e conselheiro da Revolução em rodapés a correr e baixos de página e atribuem-se honras de Estado... mediático ao assassinato do cronista (não cronista social como alguns lhe chamam, como se Carlos Castro e Fernão Lopes fossem páginas do mesmo livro...) e às incidências macrotrágicas em que foi encontrado o seu corpo após alegada tortura, castração e assassinato. Mas a responsabilidade de todo este "estado a que - de novo e citando Salgueiro Maia - chegámos" não é do povo. Porque não é o povo que edita jornais, blocos noticiosos, telejornais ou sites.

Nem é o povo o responsável por Marcelo Rebelo de Sousa ter dedicado ontem, no Jornal da TVI, mais tempo de antena à morte de Carlos Castro do que ao desaparecimento de Vítor Alves.

António de Sousa Duarte
Ex-jornalista, consultor de comunicação, doutorando em Ciência Política

domingo, janeiro 16, 2011

No adeus ao Capitão de Abril, Vitor Alves (1935-2011)


Major Vitor Alves (1935-2011)



Faleceu no dia 9 de Janeiro o major Vitor Alves, um dos gloriosos Capitães de Abril.

Deixou-nos mais um membro desta «ínclita» e generosa geração que soube dar um «novo mundo» ao nosso mundo e devolver-nos a Liberdade com o 25 de Abril.

É lamentável que a morte deste Homem a quem os portugueses tanto devem, tenha merecido tão pouca atenção por parte da comunicação social que praticamente ignorou a sua morte e o seu funeral, tendo preferido homenagear  à exaustão o cronista social cuja morte ocorreu sensivelmente na mesma altura.

Pergunto-me: como é possível? quais os valores que determinam as prioridades jornalísticas neste país? quem são as pessoas que dirigem os nossos orgãos de comunicação social? Onde ficam os supostos valores éticos do jornalismo? não consigo entender.

O documento que aqui deixo é da autoria de Teresa Alves, sua mulher, e foi por ela lido durante as cerimónias fúnebres, tendo sido distribuido aos presentes.

Trata-se de um documento emocionante que traduz o percurso de um Homem bom e a serenidade de uma vida cumprida.

Sejamos dignos da sua Memória!


Julia Coutinho

























































sábado, janeiro 01, 2011

Os meus amigos Miró e Elis Regina

Os meus amigos de quatro patas: Miró (branco) e a Elis Regina




«Escolho os meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
(...)
Escolho os meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade estupidez, metade seriedade. Não quero risos previsíveis nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.

Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice. Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.»


Oscar Wilde

sexta-feira, dezembro 31, 2010

Adeus 2010 .... Bem-vindo 2011




Despeço-me de 2010 com esta excelente análise político-financeira do Jorge Bateira, que bem merece ser lida e reflectida no Blog Ladrões de Bicicletas.
Feliz 2011 !!!

sexta-feira, dezembro 24, 2010

Na morte da escultora Maria Barreira (1914-2010)

Maria Barreira (1914-2010)


Vítima de insuficiência respiratória, faleceu ontem, dia 23 de Dezembro, no Hospital de Santa Maria, a escultora Maria Barreira, viúva do também escultor Vasco da Conceição, desaparecido em 1992. Fizera há dias 96 anos. O funeral realizou-se hoje, para o cemitério do Bombarral, terra da naturalidade do marido e onde existe um Museu que reúne parte da obra de ambos.




«Desfrutando de um Livro», bronze, 1966

Deixo aqui uma das suas raras entrevistas, em 2005, ao jornal Gazeta das Caldas.




Escultora Maria Barreira em conversa no Museu do Bombarral

Aos 88 anos é com grande simplicidade e humor que a escultora Maria Barreira fala sobre o seu trabalho artístico, a sua ligação ao ensino, ou sobre a arte contemporânea.

Esta artista e o seu marido, o também escultor e bombarralense Vasco Pereira da Conceição, doaram em 1990 o seu espólio ao Museu Municipal do Bombarral que, em sua homenagem, tomou também os seus nomes.

Maria Barreira tentou estudar medicina, mas depressa se apercebeu que o seu destino eram as artes. Ainda menina, recorda que não havia brinquedos e por isso, para se distrair, já desenhava e recortava os seus próprios bonecos. Desistiu então de ser médica e em 1937 ingressou no curso de pintura na Escola de Belas-Artes. Mas logo no primeiro ano, influenciada pelas aulas de modulação, transitou para a escultura. "O meu desenho era mais linear e adaptava-se melhor à escultura e, na verdade, o que eu sempre gostei mais foi de modelar", explicou a autora que casou em 1948 com o escultor bombarralense, Vasco Pereira da Conceição.

Actualmente Maria Barreira dedica-se apenas ao desenho, mas é com grande simplicidade que conta como era o seu método de trabalho, as exposições em que participou, as obras efectuadas em conjunto com o seu marido, entre outras curiosidades como o facto do casal, quando foi viver para Lisboa, ter iniciado o seu trabalho no Atelier da Rua da Alegria, onde trabalhou o pintor caldense José Malhoa que, segundo recorda a escultora, era um óptimo espaço de trabalho, virado a Norte e com zona envidraçada. "Depois tivémos que sair pois foi vendido a um stand de automóveis". O casal passou então a prosseguir o seu trabalho artístico em "barracões" cedidos pela autarquia, que eram sempre provisórios. "Já se sabe que com as Câmaras, primeiro estão os interesses gerais, depois os pessoais e nisto a arte fica sempre de lado".

Em 1951 a escultora diploma-se em Ciências Pedagógicas na Faculdade de Letras de Lisboa. A sua dedicação ao ensino passou pela consciencialização "de que não podia viver só da escultura" e, como tal, foi professora provisória na Escola Marquês de Pombal. Quando se candidatou ao estágio para professora efectiva, o pedido foi-lhe indeferido por causa de pertencer ao MUD (Movimento de Unidade Democrática) e à Associação Feminina Portuguesa para a Paz. Foi pelas mesmas razões que se viu afastada do ensino, nos anos 50 e 60, sendo só readmitida em 1967 quando houve uma certa abertura do regime político da época. Dar aulas "não é algo que se escolha, mas dada a impossibilidade de me manter só com a escultura, comecei a dar aulas de desenho".

Nos anos 50 leccionou também no curso nocturno na Sociedade Nacional de Belas Artes, actividade de que gostava pois apesar das pessoas não terem grandes conhecimentos artísticos "estavam muito interessadas em aprender". Já nos anos 70 conseguiu o estágio para professora efectiva e foi, posteriormente, convidada a fazer parte da experiência pedagógica associada à reforma do ensino de Veiga Simão, na altura ministro da Educação. Diz que foi uma experiência muito rica, "mas também um pouco utópica pois precisava de muito dinheiro para se concretizar". Em 1981 a escultora-professora reformou-se do ensino, mas prosseguiu a sua vida artística.

Permanente elogio à Mulher

Como principal tema das obras de Maria Barreira , destaca-se a figura feminina pois "sempre fui muito defensora da mulher nas várias fases da sua vida". Segundo afirma Ana Margarida Martins no catálogo da autora, "a escolha da mulher como objecto fundamental do seu trabalho plástico é, de alguma forma intencional já que Maria Barreira sempre foi uma defensora convicta dos direitos da Mulher, preocupação aliás que se espelha em tudo o que produziu desde a escultura ao desenho, até à cerâmica e à medalhística, passando pela ilustração".

Nas suas obras surgem mulheres frágeis, alongadas, serenas ou sensuais e, muitas vezes, destaca-se o papel da mãe. Segundo Ana Margarida Martins, as maternidades eram tema recorrente na produção artística dos anos 50 e 60, no entanto, "de forma mais subtil, as maternidades de Maria Barreira podem, além disto, constituir uma forma de materialização de um desejo íntimo não consumado".

Há uma série que dedicou às mulheres da Nazaré e que conta, que quando visitou esta localidade piscatória, ficou muito chocada "com a vida dura das mulheres daquela altura, bem como a forma fechada de ser daquelas pessoas". Por isso, decidiu prestar-lhes homenagem em obras como "Mulher da Nazaré" (1959) "Mulher da Praia" (1965) ou "Três Mulheres na Praia" (1966).

Para José Augusto França, Maria Barreira é considerada uma escultora pertencente à "terceira geração" pela sua frequência fiel das Exposições Gerais de Artes Plásticas, da Sociedade Nacional de Belas Artes, "atendendo ao papel desejado para a actividade escultórica que deveria desempenhar no sentido da sua actualização quer de forma, quer de conceitos". Segundo ainda o seu catálogo, dessa geração fazem parte outros escultores mais jovens como José Aurélio, Helder Batista, João Cutileiro, Manuela Madureira, Lagoa Henriques ou Fernando Fernandes.

Estas exposições da SNBA, que surgiram por oposição à política cultural de então - que tomava forma nas exposições do SNI (Secretariado Nacional de Informação). Realizaram-se entre 1946 e 1956 e Maria Barreira não só expunha as suas obras mas também colaborava na sua concepção e realização.

Em 1958, Maria Barreira parte com Vasco da Conceição, Celestino Alves e João Navarro Hogan, para Paris. Seis meses na capital francesa permitiram-lhe o contacto directo com as artes plásticas e, no ano seguinte, apesar de não ter sido bolseira participa na exposição "Dois pintores dois escultores na SNBA" e também na Biblioteca-Museu de Vila Franca de Xira.

"No barro fica sempre marcada a dedada do escultor"

De entre os vários materiais que trabalhava nas suas esculturas, entre a pedra, os metais e o barro, Maria Barreira destaca este último pois trata-se de "um material muito nobre que fica com a forma original, ou seja, logo em definitivo e nele é possível ver-se a dedada de um escultor". Já na escultura em metal ou pedra, as peças ainda têm que ir à fundição ou ao canteiro e nesses casos "se a fundição for bem feita, a peça já vem mais ou menos enquanto que, no caso, do canteiro é sempre preciso retocar".

Sobre a questão se o casal se influenciava mutuamente, Maria Barreira explica que "há sempre algumas influências, às vezes, trocávamos impressões e chegámos a participar juntos em alguns concursos para esculturas para as ex-colónias". Mas no trabalho individual comenta que tentavam não se influenciar mutuamente.

Maria Barreira refere-se a Maillol, Henri Laurens e Henri Moore como os escultores estrangeiros que mais a inspiraram e, entre autores lusos, mencionou apenas Francisco Franco, cujo trabalho considera "ter interesse". Pela obra dos seus professores "não tinha assim particular admiração" como Leopoldo de Almeida ou Simões de Almeida Sobrinho.

Sobre a escultura contemporânea, afirma que aceita a vertente abstracta e aprecia, sobretudo, as composições de objectos. Pronta a contactar com as novas correntes, não concorda, contudo, com algumas vertentes dos últimos tempos. Por exemplo, aquelas esculturas, que mais não são do que "blocos de pedra disseminados pela terra, sem grande trabalho nem imaginação, não me interessam".

Peças da escultora atraem crianças

Foi durante a "Conversa sobre escultura", realizada em Julho, na Feira do Livro do Bombarral que Maria Barreira soube que as suas peças atraíam os mais novos. Segundo uma professora presente no evento, que faz visitas frequentes ao museu, com os seus pequenos alunos, dos três aos seis anos, contou à escultora que as suas crianças "têm uma grande empatia e sentem necessidade de tocar nas suas obras". Mencionou que, provavelmente, deve-se ao aspecto maternal de muitas das suas peças. Maria Barreira revelou-se surpresa e muito satisfeita de assim ser, até porque "um museu parado não tem qualquer interesse para as pessoas e torna-se num espaço sem grande valor".

Ainda no decorrer desta conferência, ficou estabelecido que a escultora iria ceder alguns dos instrumentos de trabalho dos dois escultores – "muitas outras foram dadas aos meus colegas" – com destino à recriação de um espaço de um mini-atelier, para a mostrar ao público um pouco do ambiente de trabalho dos dois escultores. Dele poderão fazer parte formas de medalhas, os teks de madeira, caveletes e ferramentas. Presente estava o presidente da Câmara, Albuquerque Álvaro, que logo se comprometeu a preparar esta nova área do espaço museológico do Bombarral.

Natacha Narciso
GAZETA DAS CALDAS, 2005

segunda-feira, dezembro 20, 2010

Feliz Natal para todos


NATAL

É um tempo de cristal.
E rosas rubras.

Com asas de topázio
e de verbena
onde a memória se descura.

E a infância retorna
fio e seda, a misturar
o sonho com a lua.

É um tempo de ideais
E de lonjura.

De afectos dobados
na clave do peito.
Enquanto no coração

Se insinua
um júbilo maior
de amor perfeito.


Maria Teresa Horta

20 de Dezembro 2010




segunda-feira, dezembro 06, 2010

Obrigada, Cecília!

Alice Jorge, gravura



SAUDOSA SAUDADE DO MAR


Que ilusão tão iludida nos envolve

Que amor de amar nos desperta

Que saudade saudosa do mar

Se espraia em nossos corpos tão sólidos



Que vagas sacodem as areias

Que escorrem pelos seios até se dar

Que danos dados se encobrem

Nestas mãos vazias de códigos

Que só os beijos aquecem

Nesta esperançada esperança de amar



Seria um poema a dois

Seria um confundir de ilusões

Seria a força do amor

Seria a saudade do mar



Nesta ânsia tão ansiada

Neste sentir tão sentido

Será o monólogo dorido

De um só beijo ferido



Por esta esperança cansada de esperar

Por esta saudosa saudade de amar



Cecília Melo e Castro
nota: poema oferecido pelo meu aniversário, pela minha amiga Cecília Melo e Castro

quarta-feira, dezembro 01, 2010

No dia dos meus anos...



JÚLIA

para a Júlia Coutinho


Teces a amizade
com o manso
fio da ternura

E laços
de inventares
a dares nós

De seda pura

Com o gosto
de recriares
os outros

Com teu engenho

A conseguires
inventar
o sonho

Com o luar cheio

Maria Teresa Horta


PS: um grande xi-coração, Teresa!

quinta-feira, novembro 04, 2010

Fernando Piteira Santos: Justa Homenagem


Parabéns à Maria Antónia Fiadeiro por não deixar apagar a Memória e trazer à ribalta um livro que dá voz a uma figura marcante de uma geração heróica e que tem de ser lembrada para sempre.
A apresentação do livro será feita pelo professor António Borges Coelho, outra personalidade marcante do seu tempo e que faz de nós uns privilegiados por ainda o termos activo entre nós.
Eu lá estarei!

domingo, outubro 24, 2010

e isso aí...

POEMA DE AGRADECIMENTO À CORJA

Obrigado, excelências.
Obrigado por nos destruírem o sonho e a oportunidade
de vivermos felizes e em paz.
Obrigado
pelo exemplo que se esforçam em nos dar
de como é possível viver sem vergonha, sem respeito e sem
dignidade.
Obrigado por nos roubarem.
Por não nos perguntarem nada.
Por não nos darem explicações.
Obrigado por se orgulharem de nos tirar
as coisas por que lutámos e às quais temos direito.
Obrigado por nos tirarem até o sono. E a tranquilidade. E a alegria.
Obrigado pelo cinzentismo, pela depressão, pelo desespero.
Obrigado pela vossa mediocridade.
E obrigado por aquilo que podem e não querem fazer.
Obrigado por tudo o que não sabem e fingem saber.
Obrigado por transformarem o nosso coração numa sala de espera.
Obrigado por fazerem de cada um dos nossos dias
um dia menos interessante que o anterior.
Obrigado por nos exigirem mais do que podemos dar.
Obrigado por nos darem em troca quase nada.
Obrigado por não disfarçarem a cobiça, a corrupção, a indignidade.
Pelo chocante imerecimento da vossa comodidade
e da vossa felicidade adquirida a qualquer preço.
E pelo vosso vergonhoso descaramento.
Obrigado por nos ensinarem tudo o que nunca deveremos querer,
o que nunca deveremos fazer, o que nunca deveremos aceitar.
Obrigado por serem o que são.
Obrigado por serem como são.
Para que não sejamos também assim.
E para que possamos reconhecer facilmente
quem temos de rejeitar.

Joaquim Pessoa

sábado, outubro 23, 2010

Parabéns, meu amigo!

(Martins Guerreiro, na ex-Bicaense, por volta de 1978/79)

Fez 70 anos no passado dia 11 de Outubro. Hoje vai ser homenageado pelos seus camaradas da Marinha, pela Associação 25 de Abril e por todos os seus Amigos, entre os quais me incluo. Será no restaurante da FIL (Junqueira) a partir das 13 horas.
Longa vida ao almirante Martins Guerreiro e muita força para escrever as Memórias do PREC de que foi protagonista activo e conhece como ninguém.
Trata-se de um compromisso com a História Portuguesa!
TODOS lhe devemos MUITO.


segunda-feira, setembro 27, 2010

Sérgio Valente: um fotógrafo na oposição



Na próxima 5ª feira, dia 30 de Setembro, pelas 18h30, na FNAC do Chiado.
Lançamento do livro Um Fotógrafo na Oposição, de Sérgio Valente.
Apresentação a cargo de Manuel Carvalho da Silva (CGTP) e de Manuel Loff (Historiador)