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quinta-feira, dezembro 01, 2011

Hoje é o meu aniversário

(desenho de Alvaro Cunhal)




AMIZADE
para a Júlia Coutinho



Se tu não existisses
tinhas de ser
inventada

Pelos amigos mais
íntimos

A começar no sorriso
e depois no coração
na palavra solidária

Na insistência
com a teima
de bandeira libertária

Por isso Júlia,
eu digo:
se agora nos fugisses


Tinhas de ser
recriada

Nessa tua resistência
de vontade
passionária.


Maria Teresa Horta
Lisboa, 1 de Dezembro de 2011





Nota: a Amizade e a generosidade da Maria Teresa Horta deixam-me sem palavras. Obrigada, querida Teresa!

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Festas Felizes



Natal 2006


não te digo do natal coisa nenhuma
do natal enfeitado a sumaúma
que se arruma em cada ano nalgum canto

não te digo do natal em mar de espuma
esse efémero natal-coisa-nenhuma
quebradiço a ter-de-ser e sem encanto

não te digo do natal de coitadinhos
nem daquele de nós todos tão sozinhos
conformados sem ter sonhos nem espanto

não te digo do natal feito de prendas
num afecto leva-e-traz que me encomendas
e trocamos cada ano em qualquer canto

mas te digo um natal fio de seda
do casulo entretecido que te enreda
e te leva ao riso ao sonho em doce encanto

digo ainda do natal feito de enlaces
desfiando o casulo onde renasces
enlaçando cada ser por valer tanto

digo então um natal que desse fio
deslassado mundo fora como um rio
nos envolva a todos nós num acalanto

mais te digo do natal de um outro início
celebrando a nova esperança o solstício
recriado em nossa voz num novo canto.

Jorge Castro

Este poema é do meu amigo Jorge Castro (Orca) a quem agradeço a autorização concedida.
Ninguém melhor do que ele exprime toda a ternura desta data mas, ao mesmo tempo, a necessidade que muitos de nós sentem de (re) criar o Natal para que deixe de ser a época nataleira-consumista em que se tornou e se transforme na Festa Fraterna e Solidária que sempre deveria ser.

terça-feira, dezembro 05, 2006

A vida é efémera .... acreditem.

Entre os dias 7 de Novembro e 1 de Dezembro estive internada no serviço de cirurgia do Hospital de S. José, em Lisboa.
Inicialmente o diagnóstico foi o de Pancreatite Aguda e ... pedra na vesícula, sendo que os médicos sempre valorizaram muito mais a infecção no pâncreas em detrimento da vesícula. E foi assim que me mantive semanas a dieta zero (sem poder ingerir água, sequer) apenas molhando os lábios. Quando as coisas pareceram melhorar enviaram-me para casa à espera de oportunidade melhor para a operaçáo à vesícula. Só que, passados dois dias, eu estava de novo internada. E agora com temperaturas altías quase constantes e cólicas dolorosíssimas!
Confesso: vi a morte rondar-me, pensei que tinham chegado os últimos momentos.
Finalmente decidiram operar-me. E ainda bem que o fizeram porque a vesícula (um pequeno saco que temos na base do fígado) estava de tal forma infectada que uma peritonite era inevitável e, obviamente, uma septicémia tomaria conta de mim. Aconteceu na madrugada de 25 para 26 de Novembro. O pós-operatório foi mauzito com temperaturas altas e dores constantes.
Apesar de tudo, no dia 1 de Dezembro, dia do meu aniversário, quiseram oferecer-me um enorme presente e mandar-me para casa. Regressei com os pontos e um dreno.
E cá vou sobrevivendo e reagindo. Com imensas dores, com imenso mau-estar, por enquanto. Mas  salva pelo excelente SNS que temos. 

Valem-me os AMIGOS que não me abandonam. 

Obrigada ao meu vizinho Mário que cuidou (como sempre) com todo o carinho e toda a dedicação dos meus dois meninos de quatro patas: o Miró e a Elis Regina.

Obrigada, à querida ANGELA que nunca me abandonou. Amiga, tu és mais que amiga mais que  irmã. Tu és a IMPRESCINDÍDEL, aquela pessoa que, incondicionalmente, está sempre presente. Aceitando-me como sou, amando-me como sou. E nunca me abandonando.
Não tenho palavras para dizer-te o quanto te amo.
Mas tu sabes.

Vou agora descansar e recuperar para casa dos meus amigos Albergaria, a minha «família de acolhimento», os AMIGOS com quem sempre posso contar.

Um beijo para TODOS vocês !

quinta-feira, dezembro 29, 2005

Feliz Ano Novo 2006



Admiro imenso os poetas, esses seres superiores que dominam a palavra e no-la transmitem depurada, trabalhada, reduzida à expressão mais simples, ao essencial. Mas um essencial profundo de infinita sabedoria e sensibilidade. Que nos entra pelos sentidos. E deixa saciados.

Como não sou poeta, recorro a Carlos Drumond de Andrade, para vos oferecer uma Receita de Ano Novo.


Um Ano Novo que desejo... ALEGRE!


Um Ano Novo ... sem Cavaco e tudo o que ele representa !






RECEITA DE ANO NOVO

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.


Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, dezembro 27, 2005

Aos Meus Amigos !


Fiquei sem palavras com esta surpresa do Fernando !
Mas, confesso, só assim foi possível abalar as resistências que tenho "alimentado" quanto a tornar-me numa blogueira ...
porque receio não conseguir manter uma presença assídua ...
porque é o assumir de uma responsabilidade ...
porque detesto sentir-me obrigada seja ao que for ...
porque não percebo nada das técnicas postativas ...
porque detesto ficar dependente de alguém ...
porque receio nada ter para dizer
de útil ou interessante ...
porque ... porque

Obrigada Fernando!
Fico muito feliz por te saber melhor de saúde !
... de contrário não me pregarias esta partida !
Obrigada Paulinha!
Pela confiança !

No entretanto, aqui fica a minha mensagem
para este momento especial que vivemos!

FESTAS FELIZES !
BOM ANO 2006 !

Muito obrigada a TODOS !!