quarta-feira, junho 18, 2008

Hoje, 18h30, Livraria Círculo das Letras

cristal da pele
poemas por dentro das mãos
de José Manuel Carreira Marques
com desenhos inéditos de Jorge Vieira
apresentação da obra por José Manuel Mendes
18.Junho, 18h30, Livraria Círculo das Letras
Rua Augusto Gil, 15 B

terça-feira, junho 17, 2008

Caldas da Rainha está quase de luto ...

Leio na Gazeta das Caldas e nem acredito. A Secla, essa fábrica mítica da minha infância, pioneira na inovação artística do design cerâmico e que deu emprego ao grosso dos homens e mulheres da minha terra, está condenada a fechar no final de Junho. Leio, mas recuso-me a crer. Não é possível que as entidades locais assistam a este descalabro e nada façam. Que o governo central igualmente lave as mãos. Que se deixe destruir um património cultural de referência local e nacional. E que se atire para o desemprego as inúmeras pessoas que ali trabalham, famílias inteiras em alguns casos, a maioria apenas conheceu aquele emprego.
Da Gazeta das Caldas de 13 Junho último:
«(...) um dos aspectos inovadores e mesmo revolucionários foi a existência [na Secla] de um atelier de criação, institucionalizado por um dos fundadores, Pinto Ribeiro (...) Por este atelier passaram algumas das figuras mais importantes da arte portuguesa, como Hansi Stael, Júlio Pomar, José Aurélio, Alice Jorge, António Quadros, Ian Hird, Ferreira da Silva, José Santa Bárbara e Miriam Câmara Leme.»

segunda-feira, junho 16, 2008

Convite

Para além da escrita . uma escrita feminina?
Dia 18 de Junho, 4ª feira, às 18H00,
no Auditório 1 da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas,
Avenida de Berna, 26-C, Torre B – em Lisboa

Faces de Eva – Estudos sobre a Mulher convidou os escritores, Prof. Doutores Teresa Rita Lopes, Nuno Júdice, Ana Luísa Amaral e Maria Lúcia Lepecki a participar numa sessão a propósito do tema:
Para além da escrita.uma escrita feminina?
Os quatro nomes referidos são os de grandes poetas, ensaístas e críticos literários. Qualquer dos oradores representa todo um universo capaz de nos mobilizar pela palavra, pela poesia que conferem à escrita. Escutar o que pensam sobre a escrita feminina, se a escrita tem género, contrariar o mainstream … tanto ainda a questionar. Perfis muito distintos, da pluralidade dos seus trabalhos e da força das suas convicções surgirá porventura a âncora para a discussão a ter lugar.

domingo, junho 15, 2008

Belas-Artes e Segredos Conventuais, um livro de Rocha de Sousa

João Rocha de Sousa (n, 1938)





Belas-Artes e Segredos Conventuais é o livro que tardava e que em boa hora Rocha de Sousa acaba de lançar. Não é ainda o livro da história do ensino artístico que precisamos, mas vem dar um contributo fundamental para que essa História, finalmente, se comece a fazer. Este é o livro que faltava sobre a realidade da Escola Superior de Belas Artes de Lisboa a partir da reforma de 57. Diz-nos dos contornos de um ensino obsoleto e desfasado, dominado por docentes no auge do anacronismo e onde não se vislumbrava sequer esboço de modernidade.

Foi escrito por quem sentiu a opressão como aluno e professor na velha escola de Lisboa e assistiu a reformas que nada reformaram. Que ali viveu o antes e o depois do 25 de Abril. Alguém que ama a Arte e o ensino artístico, e sabe que a Memória é a principal aliada da História.


livro editado pela Tartaruga, 2008



Palavras do autor ao JL de 4 do corrente:

«Desde os anos 50 à actualidade, o livro aborda os aspectos históricos concretos das várias reformas que houve na Belas-Artes, mas não com um carácter histórico ou de memorando. (...) é um romance que vai mostrando a vida do universo escolar numa altura particularmente estreita e amordaçada - o que era imposto pela própria direcção. É, sobretudo, uma memória, uma denúncia, e também uma nostalgia de certas coisas que se perderam no meio dos cercos feitos a cada um dos alunos. (...)»
(...)
«Fiz toda a minha carreira a partir de uma escola extremamente antiga e desactualizada para a época - que nos traumatizava por isso. Tínhamos que desempenhar os nossos talentos fora, em ateliers. (...) Enquanto professor, fui perseguido pelo director, numa altura em que tentei furar esse cerco da escola. (...) foi uma luta alucinante contra governos absolutamente autistas, para fazer ver que as artes são indispensáveis à formação e desenvolvimento do país.» (...)

Como apresenta Belas-Artes e Segredos Conventuais?

«Diria que o livro se refere, em parte, à realidade do ensino artístico português, que foi sendo transformado por algumas reformas, sempre atrasadas cerca de trinta anos. É preciso ter consciência dessa realidade, mesmo tendo já passado. Especialmente porque a maior parte dessas coisas se mantiveram e continuam a ser parte da natureza do país.»

Obrigada, prof. Rocha de Sousa.


julia coutinho









NOTA: O livro foi editado pela Tartaruga, e encontra-se à venda nos seguintes locais: Livraria Sá da Costa (Chiado), Livraria Ler (Campo de Ourique), Livraria da Faculdade de Belas-Artes, Galeria Valbom (av Conde Valbom 89-A) e em breve na Buchholz.
Mas basta ligarmos para a editora através do 919228593, fornecer os dados, e o livro chegará no dia seguinte, à cobrança, via CTT. Foi o que fiz.

sábado, junho 14, 2008

A minha homenagem a Mirita Casimiro (1914-1970)

Vasco Santana (1898-13.6.1958) faleceu quando Lisboa festejava o seu santo padroeiro e o país era atravessado pelo "furacão Humberto Delgado". Jorge Leitão Ramos evoca agora, passados 50 anos, o actor que reinou na comédia portuguesa sem contudo esquecer Mirita Casimiro (1914-1970) a actriz com quem formou, durante anos, uma dupla imbatível, e depois perseguiu. Aqui fica uma faceta menos conhecida e pouco agradável do grande actor português.

"O homem das mulheres
A faceta de conquistador de Vasco Santana ficou lendária. Lendários ficaram também os amores mais duradouros, como os que teve com as actrizes Arminda Martins (com quem teria o futuro actor Henrique Santana), Aldina de Sousa (que viria a morrer em pleno sucesso de «O Meu Menino», em 1930, e foi mãe do segundo filho de Vasco, José Manuel) e, sobretudo, Mirita Casimiro.
No pequeno meio teatral lisboeta, Vasco terá conhecido a azougada beirã que descera de Viseu a Lisboa para se tornar uma das mais amadas actrizes do seu tempo, logo em 1934, quando se estreou na revista «Viva a Folia!». Em Maio de 1936 pisam pela primeira vez o palco, numa festa artística de Lucília Simões, fazem mais alguns trabalhos e, em 1937, estão juntos à cabeça do cartaz da revista «Olaré Quem Brinca». Entre os dois gerara-se uma paixão tumultuosa que toda a Lisboa havia de saber e seguir. Chegariam a casar (em 14 de Agosto de 1941), mas o mais importante foi a dupla que encabeçou êxito atrás de êxito, nessa primeira metade dos anos 40 em que a Europa estava em guerra, por aqui se vivia a neutralidade que Salazar assegurara e Lisboa, por uma vez, se tornava cidade cosmopolita, com o seu corrupio de refugiados, alguns deles célebres - e com direito, até, a figurar como miragem da liberdade no célebre «Casablanca».
Mirita Casimiro e Vasco Santana estiveram no Olimpo do teatro até 1946 - a grande girândola foi a revista «Alto Lá com o Charuto», meses e meses em cartaz no Variedades. Mas a paixão feneceu, o casamento desmoronou-se com escândalo, e Mirita iria penar em produções de segunda linha, já que o poder de Vasco Santana no teatro português era então suficiente para praticamente a banir da ribalta. E foi o que fez - uma faceta menos divertida do actor bonacheirão. 
Mirita Casimiro partiria para o Brasil no final da década, e a sua carreira nunca mais se recompôs." 
(Jorge Leitão Ramos in Actual, Expresso 13.6.2008)



Mirita Casimiro em Maria Papoila, o filme de Leitão de Barros, de 1937

no livro ‘Quando os Vascos eram Santanas’, Beatriz Costa traçou-lhe o retrato numa frase lapidar: "Mirita foi a maior de todas nós, embora a menos feliz

Ler mais em: http://www.cmjornal.pt/mais-cm/domingo/detalhe/sem_saudades_na_lembranca_disse_adeus
Mirita Casimiro, de seu nome Maria Zulmira Casimiro de Almeida, nasceu em Espinho quando a familia ali passava férias, em 10 Outubro 1914, mas sempre se considerou viseense já que de Viseu era toda a família e em Viseu foi criada. Era neta do grande cavaleiro tauromáquico Manuel Casimiro de Almeida, sendo também o pai e os irmãos ligados à chamada festa brava.

Cansada de ser discriminada e boicotada em Portugal pelos principais empresários de revista, Mirita Casimiro parte para o Brasil em 1956 já com o segundo marido, o jornalista João Jacinto, e uma filha de ambos. Regressou apenas em 1964, seis anos após Vasco Santana ter falecido.

A partir de 65 trabalhou com o TEC, Teatro Experimental de Cascais, vila onde residia, e com eles fez peças como A Casa de Bernarda Alba, de Garcia Lorca,  Mar, de Miguel Torga, sendo de destacar o êxito de A Maluquinha de Arroios de André Brun que esteve um ano em cena.

Porém, em 1968 sofreu um grande desastre de viação com a actriz a ter de ser desencarcerada com graves traumatismos que a deixaram desfigurada e impossibilitada de voltar aos palcos. Entrou, então, numa espiral depressiva. Doente e cada vez mais isolada, sem o acolhimento ou reconhecimento esperados, acabou por suicidar-se com ingestão de comprimidos em 25 de Março de 1970. Foi sepultada em Viseu. Tinha 55 anos.

Beatriz Costa, que a conheceu bem, dedicou-lhe as seguintes palavras no livro de memórias Quando os Vascos eram Santanas:  «Mirita foi a maior de todas nós, embora a menos feliz».

no livro ‘Quando os Vascos eram Santanas’, Beatriz Costa traçou-lhe o retrato numa frase lapidar: "Mirita foi a maior de todas nós, embora a menos feliz."

Ler mais em: http://www.cmjornal.pt/mais-cm/domingo/detalhe/sem_saudades_na_lembranca_disse_adeus
no livro ‘Quando os Vascos eram Santanas’, Beatriz Costa traçou-lhe o retrato numa frase lapidar: "Mirita foi a maior de todas nós, embora a menos feliz."

Ler mais em: http://www.cmjornal.pt/mais-cm/domingo/detalhe/sem_saudades_na_lembranca_disse_adeus
no livro ‘Quando os Vascos eram Santanas’, Beatriz Costa traçou-lhe o retrato numa frase lapidar: "Mirita foi a maior de todas nós, embora a menos feliz."

Ler mais em: http://www.cmjornal.pt/mais-cm/domingo/detalhe/sem_saudades_na_lembranca_disse_adeus
Julia Coutinho

sexta-feira, junho 13, 2008

Façamos da Memória uma bandeira

Hoje é sexta-feira 13. Não, não sou supersticiosa. Tal como sou agnóstica, sou avessa a superstições. Gosto do 13 e era preto o meu primeiro gato. 
 
À parte o facto de hoje ser feriado municipal em Lisboa, por via do santo casamenteiro, quem eu quero mesmo aqui lembrar são dois homens singulares que no mesmo dia, em 2005, um em Lisboa e outro no Porto, nos deixaram fisicamente: Álvaro Cunhal (1913-2005) e Eugénio de Andrade (1923-2005). 
 
Um político e outro poeta, com percursos de vida diferenciados, mas ambos amantes da arte e admirando-se mutuamente, entregaram-se aos valores em que acreditavam, tendo-nos legado um património político, cívico e cultural sem paralelo. 
 
Todos os portugueses são subsidiários da sua obra e do seu exemplo. Que a nossa Memória colectiva saiba merecê-los. 
 
 
Rotina
Passamos pelas coisas sem as ver, 
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.

Eugenio de Andrade
 
 
 
 
 

quarta-feira, junho 11, 2008

Vasco Gonçalves, o militar que o povo mais amou

General Vasco Gonçalves (1922-2005)



Foi no dia 11 de Junho de 2005 que faleceu o general Vasco Gonçalves.

"Não morreu mais um de nós, morreu o militar que o povo mais amou, pois orientou sempre a sua vida na luta pelos mais desfavorecidos, pelos soldados e pelo seu povo, como dizia"
- palavras do militar de Abril, coronel Nuno Pinto Soares.

O povo simples e mais desprotegido amou-o. Para todos nós ele era o "Companheiro Vasco". Muitos portugueses tiveram férias pela primeira vez, outros, habitação e assim sucessivamente.

Jovem que era, também eu lhe sou devedora por ter podido concretizar o desejo de alugar casa própria, mercê da Lei do Arrendamento que promulgou e que, entre outras medidas, congelou as rendas até à reorganização do sector e proibiu a especulação do sub-arrendamento, um procedimento corrente. Desde 73 que pagava balúrdios por um pequeno apartamento sub-alugado. Graças a estas medidas pude negociar directamente com a senhoria e passar o contrato para meu nome, ficando a pagar um terço da renda que pagava à senhoria fictícia. Aos pobres estava a ser devolvida a dignidade.

Foi perseguido. Foi caluniado. Foi apelidado de louco.

Acredito que a História um dia lhe fará, finalmente, Justiça.

julia coutinho




terça-feira, junho 10, 2008

Parabéns, Vitor Serrão

Hoje, 10 de Junho de 2008, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, foi agraciado com a Comenda da Ordem de Santiago da Espada, Vítor Manuel Guimarães Veríssimo Serrão, professor catedrático da Faculdade de Letras de Lisboa. Um grande Investigador a quem a História da Arte Portuguesa, em especial dos séc. XV a XVIII, muito deve.

Pioneiro das questões do Património, ao seu esforço metódico e militante se deve muito ou quase tudo do que existe estudado e inventariado neste campo. Um grande Mestre que tive a honra de ainda ter como professor no meu último ano de faculdade. Um grande Humanista para quem os valores da amizade e da solidariedade são práticas de vida. Homem discreto e avesso aos holofotes das lisonjas públicas, porventura mais reconhecido lá fora do que cá dentro, sempre a mim me pareceu que aos nossos governantes lhes era indiferente o trabalho realizado nesta área. Como se a Arte fosse o parente pobre da cultura. E, no entanto, desde que o Prof. Vitor Serrão tomou conta do Instituto de História da Arte da Faculdade de Letras de Lisboa, assistiu-se a uma dinâmica qualitativa que ninguém hoje pode ignorar. A ele se deve, entre outras iniciativas relevantes, o lançamento da revista ARTIS e a criação do Mestrado em Estudos do Património.

Sempre me perguntei como era possível agraciarem-se anualmente as mais diversas personalidades de todos os quadrantes sócio-politicos, da cultura e até do entretenimento e desvalorizar-se a nossa História da Arte. Como podem os nossos governantes da cultura ignorar a forma séria, disciplinada, honesta e persistente como a arte vem sendo estudada, inventariada, sistematizada, ensinada e reflectida por Vitor Serrão?

Com esta distinção da parte do Estado começa a fazer-se justiça. “A arte é tão importante que pode legitimar as mais horríveis ideologias”, diz ele numa entrevista recente. Sugiro que a leiam.

quinta-feira, junho 05, 2008

A lucidez da distância

Da entrevista de Maria de Medeiros ao JL de 4 de Junho:

Como se vê Portugal aí de fora?

"Encheu-me de orgulho a adaptação do Ensaio sobre a Cegueira, por Fernando Meirelles. (...) É importante que o mundo se aproprie dos nossos artistas, que os trate e os interprete. O filme de Saura, sobre os fados, emocionou-me muitíssimo. O Portugal que vale é o que está aberto ao mundo, se deixa apropriar. Não aquele fechado sobre si mesmo, com nostalgias absurdas. Como se pode ter nostalgia de tempos negros e opressivos? Quando vou a Portugal choca-me a catadupa de livros, séries e produtos à volta de Salazar. Parece-me um absurdo. Nos outros países não há uma nostalgia assim de um ditador. Romantiza-se um período, ocultando o horror da tortura e da guerra."

Absurdo e pouco ético, dizemos nós. As editoras descobriram a galinha dos ovos de oiro. Quem escreve, também. E os leitores vão sendo intoxicados.

terça-feira, junho 03, 2008

O cravanço das maquinas encravadas

Ainda me lembro da pesada máquina de escrever mecânica onde me iniciei na escrita e da alegria quando comprei uma portátil. No início dos anos setenta troquei-a por uma eléctrica e sentia-me voar. Os toques nas teclas seguiam ao ritmo do pensamento. Hoje a electrónica invadiu as nossos vidas e já não prescindimos das milhentas máquinas e maquinetas automatizadas que nos impingem. Dos PC´s e da parafernália de acessórios. Dos telemóveis de várias gerações e afins. Consumistas compulsivos, trocamos estes objectos pelos modelos actualizados ou com design mais vistoso que o mercado nos oferece. Tornámo-nos electro-dependentes.
Também na via pública hoje dispomos de alguns serviços automáticos. Junto da minha casa tenho um posto dos CTT que me vende as franquias postais. Uma maquina para venda de preservativos à entrada da farmácia do meu prédio. Para já não falar nas caixas do multibanco.
Acontece que há dias meti cinco euros na maquina dos CTT e fiquei sem o dinheiro e sem os selos. Encravou, simplesmente. Telefonei. Fiz queixa. Recebi, passados dias, uma carta com um pedido de desculpas e... cinco euros em selos do correio! Pasmei. Afinal a burocracia já não é o que era. Há coisas que funcionam, e o serviço de Apoio aos Clientes dos CTT, funciona mesmo.
Poderei dizer o mesmo da CP ? Hoje precisei de viajar na linha de Cascais e tive que servir-me das máquinas automáticas para compra dos bilhetes. Com a pressa marquei para o fim da linha, Cascais (queria Parede). Tinha a pagar 1,65 euros. Coloquei 2 euros na ranhura. Recebi o bilhete e, em vez do troco, a mensagem "esta caixa está momentaneamente impedida de dar trocos" !
No regresso comprei bilhete nas máquinas de São Pedro. Marquei para o Cais do Sodré e constatei, estupefacta, que o valor pedido era o mesmo: 1,65 euros, correspondente ao transporte desde o início ao final da linha! Senti-me roubada. Tamanha desfaçatez no assalto ao bolso dos utentes causa indignação. Bem pode chamar-se o "cravanço" das máquinas encravadas.

MENSAGEM de Fernando Pessoa

Hoje - 3 de Junho - 18:30 H
Casa Fernando Pessoa

(clicar na foto)

sexta-feira, maio 30, 2008

Cartas a uma Ditadura

Se ainda não viu ... Não Perca !
"Documentário de Inês Medeiros que revisita a memória dos anos do salazarismo através do olhar e testemunho de várias mulheres, de diversos extractos sociais, que, em 1958, foram convidadas a manifestar o seu apoio a Salazar, em cartas laudatórias (...) aquando da campanha do General Humberto Delgado. Desde as mais fervorosas defensoras do ditador até às mais comedidas ou simples, em quem a propaganda surtia outro tipo de efeito, "Cartas a uma Ditadura" desmonta o regime e as suas estratégias de perpetuação."
Cinema Londres
Sessões: 14h15, 16h, 18h, 20h, 22h, 00h15

quinta-feira, maio 29, 2008

Quem se lembra do poeta?

Pedro Oom (1926-1974)
Foi pintor e poeta neo-realista, ligou-se depois aos surrealistas Cesariny, Mário Henrique Leiria e António Maria Lisboa.
A sua obra ficou dispersa, sendo reunida postumamente em livro. Morreu em Lisboa, em Abril de 1974. De emoção.


Pode-se escrever
Pode-se escrever sem ortografia
Pode-se escrever sem sintaxe
Pode-se escrever sem português
Pode-se escrever numa língua sem saber essa língua
Pode-se escrever sem saber escrever
Pode-se pegar na caneta sem haver escrita
Pode-se pegar na escrita sem haver caneta
Pode-se pegar na caneta sem haver caneta
Pode-se escrever sem caneta
Pode-se sem caneta escrever caneta
Pode-se sem escrever escrever plume
Pode-se escrever sem escrever
Pode-se escrever sem sabermos nada
Pode-se escrever nada sem sabermos
Pode-se escrever sabermos sem nada
Pode-se escrever nada
Pode-se escrever com nada
Pode-se escrever sem nada
Pode-se não escrever
Pedro Oom
Actuação Escrita
Lisboa, & Etc., 1980

assunto encerrado

Recebi ontem um telefonema muito correcto da parte do provedor da sonae, a quem apresentara queixa da Clix. Hoje escreveram. Lamentam. Apresentam desculpas. Facilitam a cedência da linha à nova operadora. Não vou pagar nada.
Gostei da atitude. Da frontalidade da resposta. Aqui fica o aviso: dirijam-se ao provedor sempre que vos acontecerem fenomenos idênticos. Eu só lamento não o ter feito mais cedo. Teria evitado um mês de conflitos e arrelias com os inevitáveis transtornos para a minha vida pessoal e profissional. Mas a verdade é que também não estava informada. Devo essa dica a minha amiga Tereza Afonso. Obrigada, amiga!

quarta-feira, maio 28, 2008

Centenário de Ian Fleming - Hoje no Estoril

Ian Fleming nasceu há 100 anos.
O acontecimento vai ser comemorado hoje, dia 28 de Maio, pelas 21 horas, no Estoril, no Espaço Memória dos Exílios (Marginal - 1º andar da antiga Estação dos CTT), com uma conferência sobre a vida e a obra do criador de James Bond, o mítico Agente 007, proferida por José António Barreiros, que também está a ultimar um livro sobre o mesmo assunto, a sair muito em breve.

terça-feira, maio 27, 2008

Ainda a mudança de operadora

A questão da mudança de operadora adsl ainda não terminou e quase roça a rasqueirice.
Faz amanhã um mês que a Clix me deixou silenciada à força. Dia 12 desisti. Desde o dia 14 tenho net e telefone de outra operadora.
Pois há dias recebi uma carta atenciosissima da Clix dando-me as boas-vindas e informando que desde o dia 16 sou sua cliente, com todos os direitos e deveres. Imagino que isto queira dizer que estão a facturar-me.
E hoje, dia 27, via ctt, chegou o kit com o modem para a linha adsl!
Um mês depois de me terem desviado a linha e deixado muda...
Foi comigo. De contrário teria dificuldade em acreditar.

violência doméstica é crime

Passam hoje oito anos que a Lei consagrou a violência doméstica como um crime público. E eu quero lembrar aqui, a minha mãe - Maria Helena Coutinho -, vítima paradigmática da mais atroz violência, numa curtíssima vida.
  • Nasceu de uma mãe-criança e foi estigmatizada por um "pai incógnito".
  • Casou por obrigação porque "eu" vinha a caminho.
  • Sofreu violências físicas e psicológicas de um marido que não quis.
  • Morreu de um aborto clandestino.
Foi no dia 1 de Maio de 1952. Em Caldas da Rainha. Tinha 24 anos. Deixou três crianças, a mais velha com 4 anos, eu.
Jurei que a minha vida seria diferente. Que lutaria por ela e por todas as Mulheres que, como ela, foram imoladas neste longo caminho pela emancipação e instauração dos Direitos Humanos. Por todas as Mulheres que, com a aprovação da Lei da Violência Doméstica e, depois, com a Lei do Aborto começaram, finalmente, a ser justiçadas no nosso país.
Através da minha mãe aqui fica a minha homenagem às "Mulheres do Meu País" (como diria Maria Lamas) num momento em que se prepara um Congresso Feminista, 80 anos depois do primeiro, organizado em 1928 pelas corajosas Mulheres da I República.

domingo, maio 25, 2008

Resgatar a Memória

Há tempos numa palestra ouvi que os astros influenciam a nossa vida e muitos dos nossos empreendimentos estão potenciados desde que nascemos. Alguns seres transportam mesmo uma espécie de missão para a qual frequentemente se sentem compelidos e que abraçam ou não. Sinto-me tentada a acreditar.
O meu amigo João Manuel Firmino lançou agora O Crime dos Velhos da Camarra, onde resgata a memória do bisavô, João Baptista Firmino, um livre-pensador, republicano, maçon e carbonário que, na transicção do século XIX para o século XX é acusado, injustamente, de um crime, no Barreiro, e acaba por morrer na Cadeia do Limoeiro, precisamente quando a análise das provas o ilibavam. Um crime sinistro, num tempo de grandes convulsões politico-sociais e que ficou impune.
Para escrever este livro, o João passou os ultimos anos retirado do mundo. Tirou licença sabática e prejudicou a carreira. Deixou de ter tempos livres. Afastou-se dos amigos. A família teve que aceitar a sua ausência. Passou a viver entre arquivos, bibliotecas, livros e documentos. Só descansou quando finalmente o livro foi editado e posto em circulação. Fui ouvi-lo no dia 18. Fazia anos que morrera, de vergonha e sofrimento, 0 bisavô, esse homem que agora resgatara finalmente do silêncio de mais de um século. Missão cumprida.

sábado, maio 24, 2008

O nóvel Museu do Oriente

Inaugurou no passado dia 8 de Maio, por iniciativa da Fundação Oriente. Fica em Alcântara, no enfiamento do viaduto que vem da Infante Santo e atravessa a marginal. Aproveitou um edifício típico da arquitectura estadonovista dos anos quarenta, concebido pelo Arq. João Simões em 1939, com belíssimos painéis fronteiros em baixo-relevo do escultor Barata Feyo. Concebido para armazém-frigorífico portuário, estava há muito abandonado. Foi agora recuperado, modernizado e adaptado para Museu pelos Arqts. João Luis Carrilho da Graça e Rui Francisco, tendo estes respeitado o essencial da traça primitiva.
Excelentes instalações. Com grande amplitude e cinco pisos, três são dedicados às exposições (2 permanentes e 1 temporárias). Dispõe de restaurante no último piso, um excelente auditório e uma zona de reuniões, enquanto nos inferiores funcionam a loja e livraria, o centro de cocumentação e uma cafetaria.
Só não gostei da decoração e iluminação das exposições. Salas muito escuras (predomínio do negro) e com pouquíssima visibilidade. Talvez tenham enveredado pelo que tecnicamente melhor serve os objectivos de conservação mas, esteticamente, não resulta. Também a temperatura estava baixa em demasia. Desagradável. E por que não gravam as letras nas portas em vez do papel autocolante que evidenciam?
Quanto aos conteúdos nada temos a dizer. São francamente bons. De repente somos transportados para o meio de culturas e ambiências longínquas e estranhas mas que se vão interpenetrando até nos chegarem a soar familiares. Sobretudo se iniciarmos a visita pelo segundo piso em sentido descendente.
Sugiro que vão até lá. Vale a pena.

quarta-feira, maio 21, 2008

Bartolomeu Cid dos Santos (1931-2008)

Faleceu hoje. Em Londres, cidade onde viveu a partir de 1961, convidado que foi para ensinar na Slade School of Fine Arts, precisamente onde antes (1956-58) se especializara em Gravura com Anthony Gross.
Tive o privilégio de conhecê-lo em 2001 por intermédio de Sá Nogueira tendo-me recebido algumas vezes no atelier da casa que tinha na zona histórica de Sintra. Um atelier repleto de obras de arte e livros e com gavetas atulhadas de gravuras, esquissos e fotografias, sempre com música clássica por fundo, e onde me foi dizendo do tempo de estudante da Escola de Belas Artes de Lisboa, nos inicios de cinquenta, dos colegas e amigos e das lutas que empreenderam pela dignificação do ensino e pela legalização da Associação de Estudantes. Do MUD Juvenil e das reuniões e convívios que promoveu no enorme casarão onde residia, na António Augusto de Aguiar, na ausência dos pais. Das lutas politicas aquando da reunião da NATO em Lisboa, em 1952, e como na sequência disso foi instaurado um inquérito a 81 alunos da ESBAL, onde se incluía, terminando com a expulsão de alguns deles. Das gravuras que criavam para venda e angariação de fundos. Dos bailes e convívios culturais na SNBA com o mesmo fim. De como se discutia arte e política e se odiava Salazar. Das tertúlias que se fomentavam nos cafés com destaque para o Café Chiado onde as Belas-Artes assentava arraiais. Dos espectáculos vistos do galinheiro do São Carlos. Dos bailados da Margarida de Abreu. Do Coro do Lopes Graça, da Sonata e dos recitais de poesia na Academia dos Amadores de Música e na SNBA. Das Gerais de Artes Plásticas, na SNBA. De como a velha Casa dos Artistas passou a ser o ponto de encontro para todos os artistas oposicionistas. E também de como se abrigavam clandestinos e se fomentavam cadeias de apoios vários naqueles tempos sombrios. Das amizades, das cumplicidades, das solidariedades e de como em conjunto aprendiam a Vida.
Ofereceu-me o catálogo autografado daquela que foi a sua primeira exposição individual, em 1959, na SNBA, quando ainda assinava Bartolomeu Cid.
A ele devo a revelação e a discussão do artigo de António Vale (pseudónimo de Alvaro Cunhal) sobre Forma e Conteúdo, publicado na Vértice em 1954.
Um dia levou-me ao primeiro andar da casa de Sintra, abriu uma das enormes gavetas atulhadas e tirou de lá dois linólios, duas pequenas relíquias editadas pelo MUD Juvenil de Belas-Artes, em 1952. Comprara-as então. Não estão assinadas, por precaução conspirativa, e nenhum de nós conseguiu descortinar a autoria. Sugeri que as doasse ao Museu do Neo-Realismo. Anuiu de imediato. Mas, que ia primeiro mandar restaurá-las. Mais tarde haveria de escrever-me e repetir sempre que nos encontravamos: "já lá tenho as gravuras para dar ao Museu do Neo-Realismo!" Creio que ainda lá continuam... em Sintra.
Congratulou-se com o catálogo que escrevi sobre José Dias Coelho, editado pela CM de Pinhel em 2003, o camarada e amigo que o iniciou nas lutas politicas. Escreveu-me: "que eu saiba, esta é a primeira achega à obra do Zé Coelho. Parece-me no entanto (...) que a escolha das obras podia ter sido melhor. Também o design deveria ser melhor, muito melhor...". Tinha inteira razão.
Vi-o pela última vez em Maio do ano passado quando inaugurou uma exposição na Galeria Ratton, à Academia das Ciências. Uma exposição lindíssima onde explorava o sagrado (laico) e o profano. Achei-o muito cansado. Mas feliz, rodeado de amigos, alguns seus colegas quando estudantes no velho convento de São Francisco: Leonor Sena da Silva, Júlio Moreira, Augusto Sobral, José de Almada, Vasco Croft de Moura, João Vieira e outros.
Falámo-nos pelo 25 de Abril. Não podia ir ao jantar "Em Abril Esperanças Mil". Ia a guiar, como sempre dividido entre a casa de Sintra e a de Tavira, essa terra onde tinha o espaço privilegiado de trabalho e onde planeava terminar os dias, abrindo à comunidade um Atelier de Desenho!
Morreu em Londres. Mas vai regressar aqui e as cinzas serão lançadas no rio que banha a amada Tavira. Que saudades eu sinto desta ínclita geração que o tempo, inexorável, teima em fazer desaparecer. E como fazem falta pessoas como o Bartolomeu!