sexta-feira, dezembro 29, 2017

José Dias Coelho e a última fatia de bolo-rei (1961)

José Dias Coelho fotografado junto a um dos seus trabalhos

José Dias Coelho (1923-1961) era um jovem e muito promissor artista plástico que frequentava as últimas cadeiras do curso de escultura na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, quando de tudo abdicou para seguir os seus ideais políticos e dedicar a vida à luta contra o regime de Salazar.

Nas fileiras da Juventude Comunista desde 1942 e, mais tarde, nas do Partido Comunista, foi sucessivamente activista do MUNAF e do MUD Juvenil, de que foi dirigente empenhado a nível central mas, sobretudo, na sua escola, onde dirigiu lutas renhidas contra a direcção pela implantação de uma Associação livremente eleita pelos estudantes, bem como nas lutas travadas pelos artistas plásticos nas salas da SNBA consubstanciadas nas EGAPs (Exposições Gerais de Artes Plásticas 1947-1956) numa frente comum contra a arte oficiosa do SPE/SNI que incomodou o regime.

Detido pela PIDE em plena campanha eleitoral da candidatura do General Norton de Matos à Presidência da República (Jan 49), manteve-se numa situação de semi-legalidade até que em meados de 55, quando vivia já com Margarida Tengarrinha (1928) e lhe nascera a primeira filha, Teresa (53), aceita passar à clandestinidade, como funcionário do PCP, juntando-se-lhe pouco depois a mulher e a filha a tempo de passarem juntos o Natal.

O casal foi fundar e gerir um Gabinete Técnico onde se fabricavam documentos falsos, fundamentais para a «normal» vida clandestina dos membros do Partido. Quando é morto pela polícia política, a 19 de Dezembro de 1961, na Rua da Creche (actual Rua José Dias Coelho), em Alcântara, pertencia à Organização Regional de Lisboa do PCP e dirigia o Sector Intelectual.

Mário Castrim (1920-2002), escritor e jornalista do Diário de Lisboa, recorda, no poema abaixo, a última reunião clandestina que tiveram, em sua casa, precisamente na Rua da Creche, dias antes de o terem morto.








Mário Castrim (1920-2002)



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