terça-feira, setembro 30, 2008

A minha memória de José Cardoso Pires

2 de Outubro
5ª feira
18h00
Casa Fernando Pessoa
R Coelho da Rocha 16 - Lisboa
No dia do seu nascimento
os amigos recordam

Com António Lobo Antunes

e Júlio Pomar




"Nenhum escritor gosta de falar do que escreveu a não ser em ocasiões muito, mas mesmo muito, especiais. Nenhum -- friso bem -- faz livros para complicar a vida."
José Cardoso

segunda-feira, setembro 29, 2008

Ainda... lamentavelmente

Disse o Samuel de sua justiça sobre a questão dos painéis. Não vou comentar este seu último post sobre o assunto. Só lamento que, apesar das inumeras citações que nele faz de palavras minhas, tenha omitido a mensagem por mim deixada no dia 23 do corrente no seu post inicial sobre a Maria Keil, ou seja, no dia 14 de Agosto de 2008. Para memória futura, aqui fica esse meu comentário. Leiam-no com atenção.

Meus caros,
Não subscrevo a petição que anda a circular e que transcreve o texto do Samuel. Penso que a indignação é uma atitude saudável e que nos dignifica, mas tem que basear-se em causas sérias e justas. A verdade é que as minhas palavras primeiro e depois as do Samuel foram sendo empoladas e aproveitadas para objectivos que transcendem os objectivos iniciais.
Podemo-nos indignar, não temos é o direito de interferir com as decisões tomadas pela Maria. Temos que a respeitar. Ela chegou a acordo com o Metropolitano. Os acontecimentos têm mais de 10 anos! Os problemas estão sanados e ultrapassados. Já pensaram como aquela senhora de 94 anos se sentirá ao saber de toda esta celeuma pública, AGORA, para um problema que ela propria resolveu, sózinha, na altura própria? Pensem um bocadinho e não alimentem mais esta cadeia de indignação extemporânea, por muito que nos custe.
Convido-vos a visitar o meu blog www.ascausasdajulia.blogspot.com e lerem o que lá escrevi. Eu nunca desejei (e penso que o Samuel também) que chegássemos a esta situação incendiária. Conheço pessoalmente a Maria Keil, merece-me o maior respeito, e sinto-me particularmente culpada. Por isso lhe peço publicamente desculpas.

23 de Setembro de 2008 22:51


A petição vai ser retirada

Apenas para informar que o blog http://faceocultaterra.blogspot.com/ autor da petição online sobre os painéis de Maria Keil, acaba de publicitar naquele blog a intenção de retirar o documento da net.
Saudamos a iniciativa.

domingo, setembro 28, 2008

Maria Keil no Expresso de 27 Set 2008

A história dos azulejos que não querem ser defendidos

Maria Keil não compreende como anda a circular uma petição para a reposição dos seus azulejos no Metro
"Em que mundo é que vivemos, que põem coisas assim na Internet sem falar com ninguém?", interroga Maria Keil, a pintora, ilustradora e ceramista, actualmente com 94 anos.
Mais de três mil pessoas já subscreveram na Internet uma petição que a apresenta como vítima do Metropolitano de Lisboa, por este ter destruído alguns dos seus painéis de azulejos. Só que ninguém falou com a artista, que há muito chegou a acordo com a empresa. "A petição é um perfeito disparate", comenta, abismada com a história, "foram pegar nisto agora para quê? Quem querem atingir? É horrível".
O documento apresenta como recente um caso com mais de uma década. A sua criação é um autêntico fenómeno de 'bola de neve' típico da Net e dos blogues. Um pequeno comentário dá origem a um texto inflamado que deturpa os factos e cuja informação todos dão como certa. Em causa está a destruição de alguns dos painéis de azulejos de Maria Keil durante as obras de alargamento e remodelação de estações de Metro ocorridas nos anos 80 e 90. Especialmente em foco está a intervenção na estação dos Restauradores (em 1997), cujos azulejos foram irremediavelmente destruídos, enquanto que os da estação de São Sebastião serão repostos, mantendo o seu aspecto original, de acordo com o estabelecido entre a transportadora e a artista.
Os painéis de azulejos foram criados, a partir dos anos 50, por Maria Keil, que os ofereceu para as primeiras 19 estações do Metro, concebidas pelo seu falecido marido, o arquitecto Francisco Keil do Amaral. Em 1999 a artista criticara, em entrevista ao jornal 'Público', a destruição dos seus painéis dos Restauradores, sem que a empresa lhe tivesse comunicado sequer o que ia fazer. "Agora não posso refilar por me andarem a picar as paredes porque, de facto, dei tudo".
Foi uma referência a essa entrevista — a 9 de Agosto passado, por ocasião do 94º aniversário da artista —, no blogue de Júlia Coutinho ('As Causas de Júlia'), que veio a provocar uma cadeia de reacções.
Samuel Quedas leu o «post» e desenvolveu o assunto no blogue 'Cantigueiro', insurgindo-se por, "ao contrário de quase todos os arquitectos, engenheiros, escultores, pintores e quem quer que seja que veja uma obra pública alterada ou destruída sem o seu consentimento, Maria Keil não tem direito a qualquer indemnização". O bloguista acrescentou que no "Metro de Lisboa há juristas muito bons, que descobriram não ser obrigatório pedir nada, nem indemnizar a autora, de forma nenhuma exactamente porque ela não cobrou um tostão que fosse pela sua obra".
O atear da polémica
O texto não passou despercebido aos autores do blogue 'A Face Oculta da Terra', Carlos Alberto Augusto e Rui Mota, que, o transformaram numa petição.
Entre os signatários da petição — disponível em http://www.petitiononline.com/MK2008PT/petition.html — surgem nomes como o da médica Isabel do Carmo ou da coreógrafa Vera Mantero. Ambas referiram ao EXPRESSO não fazer ideia de que Keil se opõe à petição e que, caso soubessem, muito provavelmente não a teriam apoiado.
O número de signatários continua a crescer, assim como uma onda de críticas à administração do Metro ou à autarquia de Lisboa. Há mesmo um bloguer que já pediu a demissão do actual ministro da Cultura...
Contactado pelo EXPRESSO, Rui Mota diz que vão manter a petição tal como está, porque se trata de "um acto de cidadania" contra o "atentado ao património", independentemente da posição da ceramista sobre o assunto. Samuel Quedas afirma que não é responsável pela petição, que é inteiramente constituída pelo seu texto. Alexandre Costa
acosta@expresso.pt

quinta-feira, setembro 25, 2008

Mensagem do Pitum, filho de Maria Keil

Cara Amiga
Desculpe se lhe não respondi mais depressa mas estamos no início do ano lectivo, e ando atarefado com a abertura das aulas.
Esta história da petição, abaixo assinado ou o que quer que seja acerca dos azulejos da minha Mãe para o Metropolitano de Lisboa, não tem jeito nenhum.
Fiz o possível para que ela não tomasse conhecimento do que se ia passando, mas agora já são desconhecidos a telefonar-lhe directamente, pedindo para também assinar !!
Ela ficou muito incomodada, claro , pois trata-se de factos passados há quase vinte anos, e que ficaram esclarecidos entre ela e a Administração do Metro.
É natural que ela tenha ficado magoada e ressentida, mas a remoção dos azulejos não teve motivos estéticos, nem foi vandalismo, mas sim a necessidade de ampliar as estações. É evidente que a Administração da época não foi correcta ao agir sem uma prèvia explicação.
Mas isto, como disse, foi há quase vinte anos, e a minha Mãe continuou em boa relação com o Metro, que lhe encomendou uma nova estação – agora devidamente remunerada ( enquanto as outras 19, por mútuo acordo, não foram pagas pelo Metro, recebendo minha Mãe, apenas,uma percentagem modesta sobre os azulejos aplicados, paga pela Fábrica que os fez).
Era impensável repor os azulejos, pois as superfícies onde antes estiveram ou já não existem ou estão completamente alteradas. Não tinha cabimento.
Felizmente, tudo o que minha Mãe fez sobre azulejos, para o Metro e muito mais, está documentado, e guardado no Museu do Azulejo em Lisboa.
Seria bem mais interessante que se falasse no papel que Maria Keil e o seu marido, o Arquitecto Francisco Keil do Amaral, tiveram na reabilitação e modernização do nosso azulejo tradicional aplicado na construção, abrindo caminho para as intervenções de muitos outros artistas, e para a difusão desta forma de Arte por esse mundo fora, desde o Japão até não sei onde – embelezando várias estações de metropolitano e não só.
O que a Júlia escreveu no seu blog está muito bem. A volta que deram ao assunto é que não faz sentido.
Retenha-se a necessidade de legislação e de prática na defesa dos direitos de autor das obras de arte públicas, muitas vezes abusadas e destruídas. – sim senhor .
Mas quanto à Maria Keil, no final de uma vida longa de trabalho, merece que a não envolvam em polémicas que não desencadeou, nem vêm a propósito.
Um abraço do Pitum

quarta-feira, setembro 24, 2008

Na tua partida


M Helena Meira Dias Coimbra Ribeiro
(25.3.1925 - 24.9.2008)






Contigo acreditei
nas minhas asas
e aprendi a voar
Ensinaste-me
o tropeçar
o cair
o magoar
Mas sempre
sempre
o erguer.
Foste a pessoa exacta
no caminho incerto.
... Como posso dizer-te adeus?

segunda-feira, setembro 22, 2008

Maria Keil e o Metropolitano – Um esclarecimento necessário

Um texto despretensioso deste blog acabou por dar origem a um autêntico furacão internético, e está a provocar algumas dores de cabeça à autora e aos visados. Peço, por isso, a vossa atenção para o esclarecimento que se segue.
Tudo começou com um apontamento breve inscrito neste blog a propósito dos 94 anos de Maria Keil no dia 9 de Agosto. De passagem, lembrei a história dos painéis que a Maria fez para o Metropolitano de Lisboa entre finais dos anos 50 e inicio dos 70 e que, aquando das obras de ampliação do metro, nos anos subsequentes foram parcialmente destruídos – tendo a estação dos Restauradores sido a mais afectada, acabando a obra de Maria Keil naquela estação por ficar completamente destruída; mas a celeuma na altura foi tanta e a Maria insurgiu-se de tal forma, que fez com que a administração do Metropolitano repensasse os processos da renovação que estava a ser efectuada, voltando atrás e acabando mesmo por encomendar à artista uma das novas estações, precisamente aquela que está há anos para ser inaugurada, a estação de São Sebastião, e que Maria Keil tem pronta, prevendo-se que o seja em 2009 aquando dos 50 anos do Metropolitano.
A verdade é que o assunto foi sanado e ultrapassado, até pela própria autora, e a referência que lhe fiz neste blog, nomeadamente com a transcrição de parte substancial da entrevista dada por Maria Keil a António Melo, em 1999, pretendia apenas lembrar esse episódio lamentável, sem quaisquer outras motivações nem acusações a ninguém.
Acontece que a chamada blogosfera é um meio de comunicação particularmente propício a leituras apressadas e frequentemente incorrectas da realidade. E a internet, pela capacidade de difusão rápida que permite, torna-se muitas vezes veículo, mesmo que involuntário, de meias verdades que a seguir se transformam em pequenas mentiras, as quais por sua vez degeneram não raras vezes em verdadeiras calúnias.
Foi mais ou menos isto que se passou com esta história. A partir deste apontamento, o assunto voltou a ser abordado, de forma mais contundente, no blog do Samuel (http://www.samuel-cantigueiro.blogspot.com/), que na altura saudei, o qual foi por sua vez citado em numerosos outros espaços, com mais um ou outro pormenor, uma ou outra acusação.
A partir daqui gerou-se uma autêntica bola de neve que culminou com a criação, no blog http://faceocultaterra.blogspot.com/ de uma indignada “petição online” (que reproduz, no essencial, o texto do blog de Samuel) onde se exorta “o Conselho de Gerência do Metropolitano de Lisboa a, rapidamente, diligenciar obter os desenhos dos painéis destruídos e mandar executar, à empresa que produziu (a Viúva Lamego) novos painéis.”
Pelo meio ficam prosas para todos os gostos, umas a pedirem que o Ministro da Cultura se retrate, outras a pedirem explicações à administração do Metro, todas a dizerem mal do actual Governo e/ou da Câmara Municipal. Até Manuel António Pina embarcou na onda e escreveu uma crónica, com a qualidade irrepreensível que o caracteriza, clamando contra os “responsáveis”.
Tudo isto porque alguém tresleu as minhas palavras e catapultou para a ribalta, eventualmente com boa intenção, uma guerra que não existe – mas que, naturalmente, está a incomodar profundamente a Maria Keil. Porque é óbvio que nem o actual governo nem a administração em exercício do Metropolitano têm qualquer coisa a ver com o assunto (as obras em causa têm mais de dez anos!) e em parte alguma do texto que, involuntariamente, originou esta “tempestade” se diz que “no Metropolitano de Lisboa há juristas muito bons, que descobriram não ser obrigatório pedir nada, nem indemnizar a autora, exactamente porque ela não cobrou um tostão que fosse pela sua obra”. Essa foi, precisamente, uma leitura (extemporânea) do Samuel, e que acabou por funcionar como o fósforo que ateou a fogueira – acabando o fogo por se estender à imensa floresta dos blogs!
Há com certeza muitos motivos para discordar das políticas do governo e criticar o primeiro-ministro José Sócrates. Mas este não é, em definitivo, um deles. E só por desatenção, má fé ou desonestidade intelectual poderemos continuar a alimentar esta guerra sem sentido. Daí o meu apelo a que, de uma vez por todas, se ponha cobro a este lamentável episódio. De que, pela parte que me toca, desde já me penitencio. Mas que pode ter, pelo menos, a vantagem de nos levar a reflectir sobre o peso das palavras mal interpretadas e sobre as consequências de uma leitura apressada ou negligente daquilo que nos aparece no espaço virtual.
Desde já, as minhas desculpas públicas a Maria Keil.
Chamo a atenção para uma entrevista recente da autora, sobre o assunto:

segunda-feira, setembro 08, 2008

tempo das palavras ausentes

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes! E eu acreditava.
Acreditava,porque ao teu lado todas as coisas eram possíveis. Mas isso era no tempo dos segredos. Era no tempo em que o teu corpo era um aquário.Era no tempo em que os meus olhos eram os tais peixes verdes.Hoje são apenas os meus olhos.É pouco, mas é verdade:uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...,
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus

Eugénio de Andrade