domingo, abril 17, 2011

25 de Abril, Sempre!




LIBERDADE

Não podemos
deixar
que a liberdade seja

tornada em amargor
ou sonho apenas
feito de memória-luz, fragor

O cravo uma metáfora
que se esgueira.
Vinte e Cinco de Abril à beira-Tejo

Perigando e oscilante
a desfolharem-na,
da sua utopia, enquanto dela

sabemos de salvar e tanto
querer, por quem sempre
lutou para ser lume

Em tumulto de asa
quando voa, bela
redentora e visionária

A transformar
o mundo
e já mudando

Rútila
audaz
e passionária



Maria Teresa Horta



Lisboa, 25 de Abril de 2011


Nota: poema feito expressamente para esta data pela querida Maria Teresa Horta. Obrigada, Teresinha!

Não nos roubem a LIBERDADE











Joaquim Pessoa



Joaquim Pessoa (Barreiro, 1948) é um poeta há muito arredado do nosso convívio. Não se edita, não se lê, não se escuta. Das gerações mais novas, quem o conhece? talvez quem o segue no Facebook. Mas ficará na História como um dos autores mais interventivos de Abril. Pouco importa que alguns eruditos o considerem «poeta menor». Para mim e para muitos outros Joaquim Pessoa será sempre a voz do Amor-Combate dos tempos do PREC.




AS PALAVRAS DO MEU CANTO

Palavras que não morrem. Nunca morrem
se um homem as disser sempre de frente.
Palavras que não morrem. Nunca morrem
porque são a razão de quem as sente.

Palavras. Todas elas do meu povo.
Amigas. Companheiras. Namoradas.
E são o canto antigo. O canto novo
de quem não as quer ver amordaçadas.

Palavras que são vento. E tempestade.
Palavras que são sol. E são abrigo.
Verdade. Amor. Poema. Liberdade.
E a palavra maior: palavra Amigo.

Palavras que são arcos. E são setas.
Com elas se defende uma canção.
As palavras são as armas que os poetas
devem fazer passar de mão em mão.

Camões lutou com elas. E por elas.
Junqueiro perfilou-as. E Cesário
abriu todas as portas e janelas
e veio à rua escrever como um operário.

As palavras do sangue. Essas palavras
que são a tua foice. O meu poema.
Palavras de suor quando tu lavras.
De alegria se escrevo e vale a pena.

Palavras que te dizem: estou aqui.
Palavras que me doem. E que eu canto.
Palavras com raiz no meu país
e que já me doeram. Nas não tanto.

Palavras que não gosto de dizê-las
assim feridas. E tu amor não digas!
Palavras encarnadas. Estou a vê-las
em Maio que é o mês das raparigas.

São palavras de fogo. Mas não ardem.
Palavras simples. Do meu cantar de agora.
São palavras. Amigas que não partem.
E ficando resistem à demora.

Palavras que não morrem. Nunca morrem.
E são a minha voz. A minha gente.
Palavras que não morrem. Nunca morrem
se um homem as disser sempre de frente.


Joaquim Pessoa, in Amor Combate, p.107