sábado, maio 24, 2008

O nóvel Museu do Oriente

Inaugurou no passado dia 8 de Maio, por iniciativa da Fundação Oriente. Fica em Alcântara, no enfiamento do viaduto que vem da Infante Santo e atravessa a marginal. Aproveitou um edifício típico da arquitectura estadonovista dos anos quarenta, concebido pelo Arq. João Simões em 1939, com belíssimos painéis fronteiros em baixo-relevo do escultor Barata Feyo. Concebido para armazém-frigorífico portuário, estava há muito abandonado. Foi agora recuperado, modernizado e adaptado para Museu pelos Arqts. João Luis Carrilho da Graça e Rui Francisco, tendo estes respeitado o essencial da traça primitiva.
Excelentes instalações. Com grande amplitude e cinco pisos, três são dedicados às exposições (2 permanentes e 1 temporárias). Dispõe de restaurante no último piso, um excelente auditório e uma zona de reuniões, enquanto nos inferiores funcionam a loja e livraria, o centro de cocumentação e uma cafetaria.
Só não gostei da decoração e iluminação das exposições. Salas muito escuras (predomínio do negro) e com pouquíssima visibilidade. Talvez tenham enveredado pelo que tecnicamente melhor serve os objectivos de conservação mas, esteticamente, não resulta. Também a temperatura estava baixa em demasia. Desagradável. E por que não gravam as letras nas portas em vez do papel autocolante que evidenciam?
Quanto aos conteúdos nada temos a dizer. São francamente bons. De repente somos transportados para o meio de culturas e ambiências longínquas e estranhas mas que se vão interpenetrando até nos chegarem a soar familiares. Sobretudo se iniciarmos a visita pelo segundo piso em sentido descendente.
Sugiro que vão até lá. Vale a pena.

2 comentários:

Angela Dionísio disse...

"Quanto aos conteúdos nada a apontar"??! Então, Júlia ... se bem me lembro, achámos todas que a parte referente às Religiões do Oriente (2º andar) era um "bocado seca"!!!

Júlia Coutinho disse...

Sim, mas a verdade é que retrata o universo politeista e repleto de crenças e superstições daqueles países.
E obviamente um Museu do Oriente nunca poderia ignorar ou escamotear essa realidade.
Para nós foi seca.
Para quem gosta e entende, não será... portanto, nada a apontar aos conteúdos!