A partir daí muitos desenvolvimentos se deram e eu pude ter noticias e contactar os filhos e netos de CP a quem muito agradeço o carinho manifestado e as informações fornecidas.
Quando perfazem 60 anos sobre esta tragédia que deixou orfãos de pai uma bébé de 20 meses (Maria Clara) e outro de apenas 5 (João Carlos), Carlos Pato vai ser finalmente homenageado pelo PCP, partido de que foi activo militante.
A homenagem terá lugar no próximo sábado, dia 26 de Junho, pelas 15h, no Clube Vilafranquense, colectividade em VF Xira a cuja direcção pertencia quando o prenderam em 28 de Maio de 1949. Haverá romangem ao cemitério local pelas 16 h.
Toda a Família Pato foi vítima de perseguição por Salazar. O irmão Octávio estava na clandestinidade quando Carlos morreu. Antes, haviam passado pelas prisões políticas um outro irmão, o Abel, e um primo, o Carlos, que de tão maltratado viria a falecer pouco depois. Maria Rodrigues Pato, sua mãe, foi uma vítima daqueles tempos sombrios: criou os netos (filhos do Octávio e de Carlos) e passou a vida a brigar com a polícia política para poder prestar apoio aos filhos, netos e nora, entretanto presos. Foram 30 anos a caminhar para os calabouços da PIDE.
Publicada em Agosto de 74 no Diário de Lisboa, a Carta Aberta a Octávio Pato foi escrita por António Guerra, um velho resistente antifascista de Vila Franca de Xira, entretanto falecido, e que até morrer tudo fez para manter viva a memória do seu amigo e camarada Carlos Pato.
Porque a consideramos um documento de extrema importância para se avaliar da dimensão desses tempos sombrios, aqui a deixamos para Memória Futura.
3 comentários:
Amiga Júlia Coutinho
Grato por trazer a lume esta informação e por fazer com que a memória desses tempos crueis náo se perca.
É preciso divulgar que houve neste país um conjunto de homens e mulheres que pagaram com a própria vida a sua luta pot ideais e pelo bem comum.
Numa época de egoísmo e de apatia pelos interesses gerais é um verdadeiro serviço público partilhar o conhecimento destes factos.
Um beijinho com amizade.
Li , minha amiga Júlia , lembro-me muito bem , e de entre vários factos , o gosto deste Homem pela música...
Bem haja por dar nome e rosto a quem se bateu pela dignidade , num país em que este valor anda arredado da vida e de muitas condutas .
um abraço para si
__________JRMarto
________ José Ribeiro Marto
Bem Hajas Júlia. A memória é fugaz. É fundamental lembrar até que ponto foi mau, para que o que já foi não volte a ser.
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