quarta-feira, julho 30, 2008

M Helena Vieira da Silva (1908-1992)


M Helena Vieira da Silva nasceu há cem anos.

"Eu sou complicada e a minha vida é simples. Minha mãe, o Arpad, o cavalete e a tela ou o papel, c'est tout. As pessoas no século XX andam de um lado para o outro e as amizades perdem-se. É mais fácil o amor que a amizade."
(carta a Agustina Bessa-Luis de 20.3.1980)
Acerca da Irresolução
"A irresolução é também uma espécie de medo que, ao reter a alma como que numa balança sopesando as várias acções que pode desenvolver, faz com que não execute nenhuma dela, ganhando assim tempo para escolher antes de se decidir, o que, se tem algo de bom, se torna mau quando dura mais do que devido e quando gasta a deliberar o tempo que deveria ser utilizado para agir. Digo, pois, que é uma espécie de medo, embora posssa acontecer, ao vermo-nos perante várias opções de bondade aparentemente igual, sentirmo-nos hesitantes e inseguros sem que isso nos inspire o menor receio; a verdade é que essa espécie de irresolução deriva apenas do assunto com que nos deparamos, e não de uma emoção espiritual; é que não se trata de uma paixão, ainda que o receio de falhar na escolha faça crescer a incerteza. Mas este medo é tão vulgar e tão forte em alguns de nós que, frequentemente, mesmo quando nada há para optar e apenas existe uma coisa a pegar ou largar, nos paralisa e nos põe inutilmente à procura de outras saidas; este exagero de irresolução tanto deriva do excessivo desejo de fazer bem como de uma fraqueza do entendimento, que se move na confusão e na falta de ideias claras e distintas; o remédio contra tal abuso é habituarmo-nos a fazer julgamentos certeiros e precisos acerca de tudo aquilo que se nos depara, e acreditarmos que cumprimos sempre o nosso dever quando executamos o que pensamos ser melhor, mesmo que possamos avaliar muito mal."
Maria Helena Vieira da Silva
(texto inédito inserido no JL de 4-17 Junho 2008)

2 comentários:

Paula Raposo disse...

Não saberia escrever assim, mas subscrevo tudo o que li desta Grande Senhora!! Beijos, Júlia.

João Videira Santos disse...

Uma vez mais deixo o meu apreço pelas memórias que trás vivas! Um caloroso abraço de admiração