sábado, junho 28, 2008

Há silêncios que gritam

Não se fala de amor em línguas mortas
Não se consegue a lua rastejando
Não tens amigos se fechares as portas
Não há cravos se os fores arrancando

Não se constrói a força abandonando
As armas conquistadas a vitória
Não se faz o futuro regressando
Ao buraco que temos na memória

Não se avivam as tardes de vermelho
Com demãos de betume e tinta preta
Não se acende a manhã com papéis velhos
Não se chega sem ir em linha recta

in Vasco da Costa Marques, Algumas Trovas de Haver o Mar e Um Post Scriptum, Campo das Letras, 203, p.82

2 comentários:

annie hall disse...

Vim apenas deixar-lhe Bom dia :)

Paula Raposo disse...

Gostei deste poema!! Beijos.